Ódio

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🩸 S/N NARRANDO

Subi as escadas devagar, o corpo tenso, o coração batendo no ritmo da raiva que ainda me queimava por dentro.
Jaden tinha despertado algo em mim — algo que eu nunca quis nutrir: ódio.
Mas naquele momento, o que eu precisava mesmo era... alívio.

Empurrei a porta do quarto. A luz do abajur ainda estava acesa, e ele já estava lá.
Chan.

De pé, encostado à parede. Camiseta justa, braços cruzados, expressão escura.

Ele não disse nada. Só me olhou. Da cabeça aos pés. Como se estivesse avaliando os estragos dentro de mim.

Fechei a porta com cuidado, sem tirar os olhos dele.

— Ele não vai ganhar. — sussurrei.

— Eu sei. — ele respondeu, a voz baixa. — Mas o que ele deixou em você... ainda tá sangrando.

— E o que você vai fazer com isso?

Ele descruzou os braços, veio até mim devagar. Parou a centímetros do meu rosto.
O cheiro da pele dele — amadeirado, quente, familiar — me envolveu como um cobertor num inverno gelado.

— Vou te lembrar quem você é. — ele disse, firme. — E que você é minha.

Antes que eu pudesse responder, ele me beijou.

Mas não foi um beijo simples. Foi um ataque.

A boca dele tomou a minha com fome, com sede. Suas mãos deslizaram pela minha cintura, pelas minhas costas, até me prensar contra a porta com força controlada.
Arfei contra os lábios dele, e ele soltou um som baixo — quase um rosnado.

— Você não faz ideia do quanto eu te quis calada... toda vez que te vi segurando as lágrimas por dentro.

As mãos dele subiram pela minha coxa, me pegando no colo com facilidade. Instintivamente, enrosquei as pernas em sua cintura, sentindo o volume duro dentro da calça dele pressionando entre minhas pernas — me arrancando um gemido involuntário.

— Chan...

— Shhh. — ele mordeu meu lábio inferior, puxando com a boca. — Agora você não comanda.
— Eu nunca quis comandar com você. — confessei, arfando. — Eu só queria... sentir.

Ele me deitou na cama sem quebrar o beijo. Seus olhos percorriam cada parte de mim como se eu fosse algo sagrado — e ao mesmo tempo, feito pra ser dominado.

— Você é linda assim... entregue. — ele disse, enquanto tirava minha blusa devagar, os dedos roçando minha pele com intenção e controle.

Os lábios dele começaram no meu pescoço, descendo entre beijos molhados até os meus seios, onde ele sugou devagar, firme, com a língua em círculos que me deixaram tremendo por baixo dele.
Minhas unhas cravaram nos ombros dele quando ele desceu mais, abrindo minha calça com os dentes.

— Chan... pelo amor dos deuses...

— Eu quero ouvir você perder o controle por mim. Só por mim.

E ele fez exatamente isso.

A língua dele me tocou entre as pernas com precisão cruel. Longos segundos de tortura quente, gemidos arrastados da minha garganta, os quadris se movendo sem que eu controlasse.
Ele me chupava como se aquilo fosse um ritual antigo e eu, a oferenda.

Quando meus dedos enterraram no cabelo dele e meu corpo arqueou com o orgasmo, ele subiu com os lábios brilhando, me encarando com os olhos escuros de desejo.

— Ainda quer que eu pare?

— Se você parar agora, eu te mordo até o fim dos tempos.

Ele sorriu de lado e tirou a própria roupa. O corpo definido, quente, as veias saltadas, o olhar dominador.

Quando ele entrou em mim, não havia hesitação.

Era como se fôssemos feitos pra aquele encaixe.
Os movimentos começaram lentos, profundos, com gemidos abafados e respirações aceleradas.
Mas logo a fome venceu a calma.

Chan me virou de bruços, puxando meu quadril com força. Enterrou-se de novo dentro de mim, e o som do nosso corpo se chocando preencheu o quarto.
Ele segurava meu cabelo, minha cintura, meu pescoço — cada parte minha sob controle. E eu... nunca quis tanto me perder.

— Você é minha. — ele repetia, entre investidas fortes.
— Sou. — gemi. — Hoje... amanhã... até o fim.

O clímax veio como uma explosão quente entre as pernas, me arrancando o ar. Ele seguiu logo depois, gemendo rouco contra meu pescoço enquanto tremia dentro de mim.

Caímos na cama, entrelaçados, suados, ofegantes.

Ele me puxou pra perto, beijando minha testa com carinho — o oposto do que éramos segundos atrás.

— Agora você lembra quem é? — ele sussurrou.

— Agora eu sou tudo.
Rainha.
Amante.
Guerra.

E com eles ao meu lado...
Imparável.

————

🩸 S/N NARRANDO

Amanhecer seguinte

O sol nem tinha nascido completamente, mas a luz cinza já começava a invadir o quarto pelas frestas da janela.
Eu não dormi.
Mas, pela primeira vez em dias... eu descansei.

Chan ainda estava ali. Deitado ao meu lado, um braço envolvido na minha cintura, o corpo quente colado no meu. Respirava fundo, calmo.
E eu só conseguia olhar pra ele.

A expressão dele dormindo era tão diferente da que ele mostrava pro mundo. Sem peso. Sem medo. Sem a máscara de líder.
Ali... ele era só meu.

Me mexi devagar, sem acordá-lo, e me sentei na cama. Estava nua, marcada pelas mãos dele, pelos beijos, pelas palavras sussurradas no escuro. E pela primeira vez, essas marcas não doíam.
Elas curavam.

Respirei fundo e caminhei até a janela, puxando a cortina só um pouco.

A floresta parecia quieta. Mas eu sabia que era mentira.
O perigo ainda estava ali.
Jaden ainda estava por perto.
Observando. Esperando.

E eu também.

— Já vai sair? — a voz rouca de Chan soou atrás de mim.

Virei e encontrei ele se espreguiçando, os cabelos bagunçados, os lençóis ainda baixos no quadril, revelando o corpo perfeito que ainda aquecia minha pele.

— Não. Só... pensando. — murmurei.

Ele se levantou, veio até mim por trás e me abraçou, colando o peito nas minhas costas nuas.

— Sobre o plano?
— Sobre o que vem depois dele.

Chan beijou meu ombro, com suavidade. Depois encostou o queixo no meu pescoço.

— A gente vai acabar com ele, S/N.
— Eu sei. Mas não quero só acabar com ele. Quero que ele sinta. Que ele entenda que o que ele fez comigo... acordou uma parte minha que nem eu sabia que existia.

Ele me virou de frente com delicadeza, segurando meu queixo com dois dedos.

— Então mostra. Mostra pra ele quem você se tornou.
A mulher que sobreviveu à culpa.
A filha que não carrega o pecado do pai.
A rainha que não precisa de coroa pra comandar.

Meu peito apertou com as palavras dele. E por um segundo, meu instinto foi... chorar.
Mas não.
Dessa vez, eu não ia desabar.
Eu ia levantar.

Beijei Chan uma última vez, lenta, profunda, firme.

— Obrigada... por me lembrar quem eu sou.

— Só te mostrei o que você sempre foi.
Você...
é fogo.



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Apenas uma garota Histórias para pegar e não largar. Descubra agora