S/N NARRANDO
A noite estava silenciosa, mas meu peito... não.
Desde que Jaden reapareceu, minha mente não descansava. Não por medo. Não mais. Mas por algo muito mais corrosivo.
Ódio.
Não aquele que grita. Mas o que cala, o que observa. O que espera o momento certo pra cortar mais fundo do que qualquer flecha.
Ele tentou me matar.
Me beijou e depois me machucou.
Me fez acreditar que estava morto.
Me fez carregar a culpa daquilo por anos — por nada.
E agora... ainda teve coragem de olhar nos meus olhos e dizer que me odiava.
Mas ele não faz ideia do que isso acordou em mim.
Eu estava sentada na cadeira do escritório secreto do meu pai, aquele escondido sob o piso da cabana. A madeira antiga rangia sob meus pés, e o cheiro de sangue seco e papel velho preenchia o ar.
Na frente, os arquivos de guerra que meu pai guardava. Estratégias. Clãs inimigos. Velhas alianças.
E o nome dele.
Família Lian.
Jaden Lian.
Herdeiro direto do clã caçador que jurou vingança contra os originais.
Meu pai matou o dele.
Ele quer me punir por isso.
Mas eu vou usar tudo isso contra ele.
— Você cavou a própria cova, Jaden. — murmurei, puxando um dos mapas com marcações de emboscadas antigas.
Meus dedos passavam pelas trilhas da floresta, visualizando o terreno. Ele e os caçadores estão perto. Eles ousaram se aproximar da minha casa, da minha família, do meu I.N.
Isso não vai passar em branco.
Mas também não vai ser agora.
Não vai ser fácil.
Vai ser cirúrgico.
Como ele fez comigo.
Fechei o mapa e respirei fundo, tentando acalmar a chama no peito. Não funcionou. Mas aprendi a conviver com ela.
— Você quer me destruir? — falei, encarando meu reflexo no vidro da estante. — Então se prepare pra ver quem eu sou quando eu deixo de ser boa.
Um barulho suave na escada me fez virar.
Era Chan.
A camisa preta colada no corpo, o olhar sério. Ele me estudou por um segundo.
— Você tá tramando alguma coisa. — disse, sem rodeios.
— Tô. — respondi, seca. — Mas ainda não é hora de contar.
Ele caminhou até mim, se aproximando devagar, com aquela presença que só ele tem. Aquela que invade sem pedir.
— Desde o ataque ao Jeongin... você não sorriu mais.
— Não tenho motivos.
— E se o motivo for matar o Jaden?
Meus olhos cravaram nos dele.
— Não. O motivo é fazer ele desejar estar morto.
Sentir cada dor. Cada mentira.
Ver o próprio mundo ruir...
E saber que fui eu quem fiz isso com ele.
Chan assentiu devagar. E pela primeira vez... ele sorriu de leve.
— Então vamos planejar.
————
🩸 JADEN NARRANDO
Ela mudou.
Mas os olhos...
Os olhos ainda são os mesmos.
A primeira vez que a vi depois de tudo, foi como encarar um fantasma que eu mesmo criei. Ela me olhou com esperança. Como se meu retorno fosse um presente, e não a maldição que eu planejei.
Idiota.
Ela não entende. Nunca entendeu.
Ela é o sangue do homem que destruiu o meu pai. O nome dela carrega a ruína da minha família.
E mesmo assim... mesmo assim ela continua sendo a maldita lembrança do único lugar onde eu fui feliz.
Talvez por isso eu tenha beijado ela antes de tentar matá-la.
Talvez por isso eu não consiga esquecer o gosto da boca dela.
Eu a observo da margem da floresta, em silêncio. A cabana está quieta. Os outros dormem, provavelmente sonhando com ela. Ridículos. Todos enfeitiçados. Como eu fui um dia.
Mas ela está acordada.
No andar de baixo. Luz fraca. Sozinha.
Planejando algo.
Eu vejo no jeito como ela se move. No jeito como seus dedos traçam mapas e arquivos velhos.
Ela tá montando alguma coisa. Uma resposta. Um ataque.
E, por algum motivo, isso me excita.
Ela virou algo que eu não previ.
Não é mais a menina da escola.
Não é mais a filha inocente do monstro.
Ela está se tornando o próprio monstro.
— Boa, pequena rainha... — murmuro, sorrindo de lado. — Me dá um motivo pra te destruir com gosto.
Mas tem uma parte de mim...
A parte fraca.
A que eu odeio.
Essa parte olha pra ela e deseja que tudo fosse diferente.
Que meu pai não tivesse morrido.
Que o pai dela não tivesse feito o que fez.
Que eu não tivesse escolhido a escuridão.
Mas é tarde demais pra voltar.
Agora eu quero ver até onde ela vai com essa coragem nova.
Quero ver se ela vai realmente se levantar... ou se ainda é a mesma menina que eu fiz chorar no quarto da escola, quando disse que precisava sumir.
Ela me amava.
E eu usei isso como faca.
Agora... ela me odeia.
E isso me dá mais prazer do que deveria.
—
Talvez, quando tudo acabar...
Se ela sobreviver ao que estou preparando...
Eu a beije de novo.
E depois...
Destrua tudo mais uma vez.
Votem para me ajudar...🥰✨🫶🏻
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Apenas uma garota
Mystery / ThrillerUma história de suspense, traição, segredos e amor Os 8 garotos n sabem oq a garota misteriosa esconde, mas estão dispostos a descobrir ... Essa história contém palavras de baixo calão/drogas/conteudo explícito/mortes/ violência/conteúdo sexual...
