Side Story.- Cap 2.

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  A cidade parecia que ia derreter por causa do sol quente

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  A cidade parecia que ia derreter por causa do sol quente.  O ar-condicionado do metrô fazia o que conseguia, mas ainda assim, um calor pegajoso voava entre os assentos. Kazuha encostou a testa no vidro gelado da janela, deixando os olhos vagarem pelas ruas apressadas lá fora.

O fone tocava algo, mas ele mal prestava atenção. O vagão balançando ficava levando seus pensamentos pra aula de literatura, por alguma razão.

O metrô parou, as portas abriram. Kazuha piscou devagar e ergueu os olhos.

Kunikuzushi entrou no vagão.

Estava sozinho. Por um momento.

Logo atrás, a garota da sala, a mesma de antes, entrou apressada e sentou-se ao lado dele. Ela usava fones também, mas ao contrário do Kuni, não parecia alheia. Seu olhar passeava pelo vagão, observando com calma. Quando viu Kazuha, não sorriu. Só o olhou por um segundo a mais do que o necessário e depois desviou.

Mas Kazuha não viu isso. Seus olhos estavam cravados em Kunikuzushi.

Ele tinha os ombros levemente caídos, os braços finos dobrados sobre o colo. Olhava fixo para frente, como se tivesse medo de encarar qualquer coisa fora daquele ponto invisível no chão. E, no entanto, como se sentisse o olhar insistente de Kazuha, ergueu os olhos.

Um segundo apenas.

Duas íris tão escuras quanto uma noite chuvosa.

Kazuha não desviou. E Kunikuzushi... baixou a cabeça.

A estação seguinte chegou. Eles desceram juntos, sumindo pela multidão sem trocar uma palavra.

Kazuha respirou fundo, ainda sem entender por que o peito parecia inquieto.

Então viu.

Um pequeno objeto no assento onde Kuni estava segundos antes. Vermelho, gasto, com um adesivo desbotado na lateral.

Um mp3 player.

Ele olhou em volta, como se esperasse que alguém viesse correndo pegar aquilo de volta. Mas ninguém voltou.

Estendeu a mão e pegou com cuidado. Era leve. Tinha arranhões por toda parte, mas os botões estavam gastos de tanto uso. Não era de alguém que abandonava as coisas ou trocava por um mais moderno.

> “Kuni :3"

O nome estava escrito em tinta preta, quase apagado.

Kazuha o virou na mão algumas vezes, indeciso. Poderia entregar no dia seguinte. Poderia nem falar nada.  Mas ali, segurando algo tão íntimo, tão… silenciosamente revelador, sentiu como se tivesse invadido algo. Como se segurasse uma parte dele que não devia.

O metrô parou de novo.

Kazuha desceu, com o mp3 ainda na mão.

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