Side Story.- Cap 3.

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  O sábado começou preguiçoso

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  O sábado começou preguiçoso. Kazuha vestiu seu casaco preferido e, antes de sair, olhou para o pequeno mp3 vermelho sobre a cômoda.

Ele hesitou por um segundo.

Depois, pegou o aparelho com delicadeza e o guardou no bolso, como vinha fazendo todos os dias desde segunda-feira.

Ele caminhava em direção ao ponto combinado com Thoma e Gorou, uma rua onde um pequeno cybercafé se escondia entre um restaurante e uma loja de roupas baratas. O fone estava pendurado em seu pescoço, sem estar ligado.

Foi então que, ao parar na calçada esperando o semáforo, algo chamou sua atenção.

Do outro lado da rua, em frente a uma farmácia grande e moderna, as portas automáticas se abriram com um chiado. De dentro, saiu Kunikuzushi.

Kazuha parou de respirar por um instante.

O outro usava um casaco escuro, o capuz abaixado e as mãos ocupadas com duas sacolas plásticas cheias de caixas e frascos. Estava ligeiramente curvado, como se carregasse um elefante nas costas.

Kazuha imediatamente deu um passo à frente, o pé quase tocando o asfalto. Seu plano era simples: correr até ele, chamá-lo pelo nome, estender a mão e devolver o mp3.

Só que o trânsito se recusava a dar trégua.

Carros passavam num fluxo constante, buzinas, motos ziguezagueando. O semáforo não mudava, o tempo parecia estar de brincadeira. E Kunikuzushi já começava a se afastar, seguindo a rua pela calçada oposta.

— Droga… — murmurou Kazuha, sentindo o peito apertar.

Ele fechou os olhos por um momento. Quando abriu, Kuni já estava mais longe, o vulto dele se misturava à multidão. A oportunidade tinha escapado como areia entre os dedos.

Ele suspirou fundo, afundando as mãos nos bolsos, onde sentiu o plástico gelado do mp3.

Thoma e Gorou estavam logo ali na frente, sentados no banco em frente ao cybercafé. Gorou o viu primeiro e acenou, com uma lata de refri na mão.

— Ei, Kazu! Achamos que você tinha dado um bolo na gente! — gritou Thoma, já se levantando.

Kazuha atravessou a rua quando o sinal finalmente mudou, tentando apagar da mente a imagem daquele vulto carregando sacolas brancas.

— Eu me distraí — respondeu, forçando um sorriso. — Mas já tô aqui.

Gorou se levantou, esfregando as mãos de frio.

— Bora logo entrar antes que eu congele aqui!!

Os três passaram pela porta de vidro e subiram as escadas do cybercafé. Dentro, o cheiro de fritura misturado com os carpetes velhos, por incrível que pareça, era bem aconchegante. O espaço era apertado, com fileiras de computadores antigos e baias acolchoadas ao fundo para os clientes mais frequentes.

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