Scaramouche é um cara de extrema má sorte, que enfrenta uma batalha constante para conseguir um emprego em um mundo implacável. Quando, finalmente, surge a oportunidade de trabalhar com os membros de uma das bandas mais icônicas do Japão, ele se vê...
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O sábado começou preguiçoso. Kazuha vestiu seu casaco preferido e, antes de sair, olhou para o pequeno mp3 vermelho sobre a cômoda.
Ele hesitou por um segundo.
Depois, pegou o aparelho com delicadeza e o guardou no bolso, como vinha fazendo todos os dias desde segunda-feira.
Ele caminhava em direção ao ponto combinado com Thoma e Gorou, uma rua onde um pequeno cybercafé se escondia entre um restaurante e uma loja de roupas baratas. O fone estava pendurado em seu pescoço, sem estar ligado.
Foi então que, ao parar na calçada esperando o semáforo, algo chamou sua atenção.
Do outro lado da rua, em frente a uma farmácia grande e moderna, as portas automáticas se abriram com um chiado. De dentro, saiu Kunikuzushi.
Kazuha parou de respirar por um instante.
O outro usava um casaco escuro, o capuz abaixado e as mãos ocupadas com duas sacolas plásticas cheias de caixas e frascos. Estava ligeiramente curvado, como se carregasse um elefante nas costas.
Kazuha imediatamente deu um passo à frente, o pé quase tocando o asfalto. Seu plano era simples: correr até ele, chamá-lo pelo nome, estender a mão e devolver o mp3.
Só que o trânsito se recusava a dar trégua.
Carros passavam num fluxo constante, buzinas, motos ziguezagueando. O semáforo não mudava, o tempo parecia estar de brincadeira. E Kunikuzushi já começava a se afastar, seguindo a rua pela calçada oposta.
— Droga… — murmurou Kazuha, sentindo o peito apertar.
Ele fechou os olhos por um momento. Quando abriu, Kuni já estava mais longe, o vulto dele se misturava à multidão. A oportunidade tinha escapado como areia entre os dedos.
Ele suspirou fundo, afundando as mãos nos bolsos, onde sentiu o plástico gelado do mp3.
Thoma e Gorou estavam logo ali na frente, sentados no banco em frente ao cybercafé. Gorou o viu primeiro e acenou, com uma lata de refri na mão.
— Ei, Kazu! Achamos que você tinha dado um bolo na gente! — gritou Thoma, já se levantando.
Kazuha atravessou a rua quando o sinal finalmente mudou, tentando apagar da mente a imagem daquele vulto carregando sacolas brancas.
— Eu me distraí — respondeu, forçando um sorriso. — Mas já tô aqui.
Gorou se levantou, esfregando as mãos de frio.
— Bora logo entrar antes que eu congele aqui!!
Os três passaram pela porta de vidro e subiram as escadas do cybercafé. Dentro, o cheiro de fritura misturado com os carpetes velhos, por incrível que pareça, era bem aconchegante. O espaço era apertado, com fileiras de computadores antigos e baias acolchoadas ao fundo para os clientes mais frequentes.