Side story.- Cap 7.

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  Kazuha o encarou mais um pouco, os cílios dele baixos, a pele clara contrastando com o preto da camisa fina, até suas veias estavam fáceis de ver

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  Kazuha o encarou mais um pouco, os cílios dele baixos, a pele clara contrastando com o preto da camisa fina, até suas veias estavam fáceis de ver. Eles já estavam quietos há algum tempo, e Kazuha nem tinha prestado atenção em nada naquele livro idiota.

— O que você acha da gente ser amigo? — falou de repente, tomando coragem.

Kuni ergueu os olhos. Ainda não o encarou de verdade, mas pareceu surpreso.

— Por quê?

— Ué… por que não?

— Você tem tantos outros amigos. Por que ia querer a amizade de alguém como eu?

Kazuha abriu um sorriso leve, gentil.
— Porque amigos nunca são demais.

Kuni pareceu pensar sobre isso. Seus dedos pararam de mexer no livro. Ele ficou quieto por longos segundos. Então fechou o livro devagar e murmurou:

— Tá bom.

Kazuha parecia brilhar como o sol.
— Sério?

— Sim, mas agora eu tenho que ir.

Kuni se levantou com calma, mas antes que conseguisse alcançar a porta, Kazuha praticamente pulou do sofá.

— Espera aí — disse ele, um pouco mais alto do que gostaria. — Você não comeu nada. Só ficou bebendo água.

Kuni parou, meio sem jeito, os dedos ainda segurando a alça da mochila.

— como em casa, tá tudo bem.

— Mas você veio até aqui… a gente ficou lendo por horas. — Kazuha franziu a testa, com um tom mais calmo. — deixa, pelo menos, eu pedir alguma coisa pra gente comer.

Kuni hesitou. Seu olhar caiu para o chão, depois voltou para a mão de Kazuha, que já segurava o celular.

— Qualquer coisa leve, então… — murmurou. — Nada muito gorduroso.

Kazuha sorriu, sentando-se de novo no chão e abrindo o aplicativo no celular.

— Certo. Gyoza no vapor serve? Ou tofu grelhado? Tem um restaurante aqui perto que é ótimo.

Kuni voltou devagar para o mesmo lugar onde estava sentado antes. Ele olhou para a janela por um instante, os olhos cansados mas atentos à luz que mudava de cor. O sol estava quase se escondendo atrás dos telhados, tingindo o céu com aquele tom alaranjado.

— Gyoza no vapor parece bom...

Kazuha confirmou o pedido e largou o celular sobre a mesinha baixa. O silêncio entre os dois não era exatamente desconfortável, mas tinha um ar estranho.

— Obrigado por ter vindo — disse Kazuha de repente, com a voz baixa.

Kuni olhou para ele de lado, quase sem mover a cabeça.

— Não foi nada demais. Era minha obrigação não deixar o trabalho todo nas suas costas.

— Eu sei que sair não deve ser fácil pra você. Eu fico muito feliz por você ter vindo.

Kuni deu de ombros, mas seus dedos apertaram levemente a gola de sua camisa.

— Eu queria saber como era a sua casa — falou, quase num sussurro. — me perguntei como alguém como você viveria... sei que é estranho ouvir isso.

Kazuha se inclinou um pouco para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

— E o que achou?

Kuni olhou ao redor de novo.

— Combina com você

Kazuha sorriu.

O tempo passou devagar até a comida chegar. Quando Kazuha trouxe a bandeja para a sala, os dois se sentaram lado a lado, com o som do vento do lado de fora preenchendo o espaço entre uma mordida e outra. Kuni comia devagar, com muito cuidado, mastigava bastante.

— Tá gostoso? — Kazuha perguntou.

— sim. muito obrigado pela refeição.

Kazuha reparou no modo como Kuni levava o guardanapo aos lábios, como ele sempre usava a mão esquerda para esconder a boca ao mastigar, como se estivesse constantemente envergonhado.

Depois que terminaram, Kazuha recolheu as embalagens com calma e, ao voltar, encontrou Kuni observando um dos vários papéis colados na parede.

— Foi você que escreveu isso? — ele perguntou.

— Foi. — Kazuha sentou-se novamente. — Gosta de poesia? eu costumava escrever bastante antes de ir morar fora.

Kuni assentiu levemente.

— parece interessante, a ideia de colocar tantos significados em poucas palavras. É tipo um resumo, só que mais complexo. É bonito.

— Igual você — Kazuha comentou sem pensar, mas logo ficou corado. — Digo… você não fala muito, mas parece ser... complexo?

Kuni o olhou nos olhos pela primeira vez.  Os olhos de Kuni eram escuros e fundos, como se guardassem muitas noites mal dormidas.

— preciso ir pra casa.

— É… você tá tentando ir embora faz um tempo.

— Eu não tô acostumado com isso — Kuni falou depois de um tempo.

— Com o quê?

— com a ideia de ser amigo de alguém. — Ele abaixou os olhos. — então não sei como agir ou o que falar.

Kazuha sentiu o estômago apertar.

— Bom, eu percebi. Mas não precisa pensar muito nisso, a gente vai se conhecer mais e já já você se abre.

Kuni ficou quieto. Mas seu corpo relaxou um pouco mais.

Já estava escuro quando ele realmente conseguiu ir embora. Kazuha o acompanhou até a porta, e antes que Kuni saísse, Kazuha segurou seu pulso por um segundo.

— Podemos repetir isso outro dia?

Kuni não respondeu de imediato. Depois, assentiu com a cabeça.

— já vamos fazer o trabalho de qualquer jeito.  

— Não, eu tô falando mesmo depois do trabalho acabar...

Kuni levantou os olhos, sentindo aqueles dedos quentes enrolados em seu pulso. Seu coração estava acelerado, e Kazuha provavelmente tinha notado.

— vou pensar.

E então, foi embora com passos lentos, sumindo na rua de postes amarelados. Kazuha ficou ali, parado por alguns segundos, olhando a porta ainda aberta, com o coração batendo rápido e um sentimento estranho e novo se espalhando pelo peito.

 Kazuha ficou ali, parado por alguns segundos, olhando a porta ainda aberta, com o coração batendo rápido e um sentimento estranho e novo se espalhando pelo peito

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