Scaramouche é um cara de extrema má sorte, que enfrenta uma batalha constante para conseguir um emprego em um mundo implacável. Quando, finalmente, surge a oportunidade de trabalhar com os membros de uma das bandas mais icônicas do Japão, ele se vê...
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Kunikuzushi estava encostado na grade baixa da casa, a mochila no chão e o celular pressionado ao ouvido.
— Eu não vou pra casa agora — disse ele, a voz baixa.— não te vi no metrô, por isso liguei.
Do outro lado da linha, a voz da irmã não demorou.
— onde você tá?
— Na casa de um colega, pra fazer um trabalho.
Silêncio. Depois, um suspiro.
— E por que você não trouxe ele aqui? Quem é esse colega? É aquele barulhento que te ajudou no outro dia?
Kunikuzushi franziu a testa.
— a mãe não gosta de gente de fora. Você sabe disso. E sim, é o Kaedehara Kazuha.
A voz da irmã soou meio mandona.
— Então volte antes do fim da tarde. Você sabe como ela é.
— Como se ela fosse sentir minha falta. — Kuni respondeu, sem emoção.
— Isso não tem nada a ver com ela. Eu só estou...
— Preocupada. Eu sei.
Ele desligou antes que a irmã pudesse continuar, deixando o telefone escorregar para o bolso. Ficou ali, calado, observando os carros passarem, até ouvir passos correndo pela calçada.
— Ei! — a voz de Kazuha saiu ofegante, mas animada.
Ele correu até o pequeno portão já um pouco enferrujado, seus cabelos estavam bagunçados. Ele sorria e sua camiseta estava com os primeiros botões apertos. Kunikuzushi corou levemente ao perceber que estava encarando demais.
Kazuha parou ao lado dele, segurando o ombro com cuidado.
— Você tava me esperando?
Kuni apenas o encarou por alguns segundos, em silêncio.
— Ei, fala alguma coisa... o que você acha?
— O que eu acho do quê?
Kazuha sorriu, meio sem jeito.
— De estarmos aqui. Vamos entrar, vai... você tá no sol.
Kuni não respondeu. Só pegou a mochila do chão e o seguiu até a entrada da casa.
A casa era pequena, com paredes claras e piso de madeira. Logo na entrada havia uma sapateira organizada, e Kazuha rapidamente tirou os próprios sapatos e se virou para ele.
— Pode deixar aí mesmo. Fica à vontade.
Kuni hesitou por um momento, então tirou os tênis e os alinhou ao lado dos de Kazuha.
O outro garoto o guiou até a sala. As almofadas no sofá eram bordadas à mão, e havia uma manta xadrez cuidadosamente dobrada no encosto.