Side Story.- Cap 4.

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  Na segunda-feira, Kazuha acordou mais cedo que o normal

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  Na segunda-feira, Kazuha acordou mais cedo que o normal. Havia um nervosismo leve em seu peito, e ele sabia o motivo.

Talvez fosse a chance de finalmente devolver o mp3.

Arrumou-se com mais capricho do que costumava. O cabelo preso com cuidado, o moletom limpo, a mochila leve nos ombros. O mp3 estava no bolso do casaco, e ele checou mais de uma vez se estava mesmo lá, como se fosse fácil o aparelho evaporar.

Ao chegar na escola, a carteira de Kunikuzushi ainda estava vazia. Mas Kazuha esperou. Suas mãos inquietas apertavam os cadarços dos próprios tênis, desamarrando e amarrando de novo, até que...

— Ele veio... — sussurrou, baixinho.

Kunikuzushi entrou na sala atrasado, como sempre. Mas dessa vez, havia algo diferente. Ele parecia ainda mais cansado que o normal.

Suas olheiras estavam fundas, roxas, como se não tivesse dormido um segundo sequer. O uniforme estava meio amarrotado, e uma das mãos segurava o próprio pulso com força, como se estivesse com dor.

Ele caminhou até sua carteira em silêncio, os passos arrastados.

Kazuha endireitou as costas, engolindo seco. O coração disparou. Ensaiou mentalmente as palavras. “Oi. Você deixou cair isso. Escuta, você gosta de jpop? Aquela música, ela—” Não, soava idiota.

“Ei, achei seu mp3. Posso te devolver agora?”

Não.

Enquanto se afogava nos próprios pensamentos, Kunikuzushi sentou-se atrás dele.

E, como se sentisse o olhar pesado sobre ele, lentamente levantou os olhos.

Os olhos dos dois se encontraram.

Foi só um segundo.

Mas bastou.

Kazuha congelou. A boca entreaberta. O som preso na garganta. O ar fugindo. Quando tentou falar, a voz simplesmente não saiu como deveria.

— E-eu… hã… s-seu… e-eu achei… — tropeçou nas palavras, os olhos arregalados, o rosto corando de leve. — O negócio… da… música… é seu?

Kunikuzushi o encarou, claramente surpreso. Os olhos se estreitaram um pouco, como se não tivesse entendido.

A testa dele franziu levemente.

Kazuha se assustou com o próprio descontrole e virou o rosto com pressa, voltando a encarar a carteira. Apertou os próprios joelhos por baixo da mesa, se amaldiçoando em silêncio.

Idiota. Idiota. IDIOTA.

Kunikuzushi continuou olhando por mais alguns segundos antes de desviar o olhar também. Colocou a cabeça entre os braços cruzados sobre a mesa, como sempre fazia.

Kazuha respirou fundo.

Você teve sua chance. E estragou.

Estava prestes a tentar de novo, juntando coragem como quem recolhe os cacos de um copo quebrado, quando Thoma se virou.

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