Scaramouche é um cara de extrema má sorte, que enfrenta uma batalha constante para conseguir um emprego em um mundo implacável. Quando, finalmente, surge a oportunidade de trabalhar com os membros de uma das bandas mais icônicas do Japão, ele se vê...
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Kazuha se afastou com vergonha. Sua mão ainda estava quente do toque anterior. Kunikuzushi tossiu de leve, a respiração fraca. Kazuha, no impulso, pegou o copo d’água ao lado e o ajudou a se sentar com cuidado, segurando pelas costas.
Os olhos de Kuni se ergueram devagar, cansados. Ele o encarou com uma expressão curiosa, a cabeça levemente inclinada para o lado.
— Quem é você?
Kazuha piscou, surpreso. O coração disparou de nervoso. Ele gaguejou, tentou dizer seu nome, mas a língua parecia embolar dentro da boca. Até que se lembrou.
— Você perdeu isso! — falou de repente, puxando o MP3 do bolso e erguendo. — Achei no metrô... pensei que você ia querer de volta.
Kuni piscou algumas vezes, os olhos ainda um pouco opacos pela febre.
— Achei que ela tinha jogado fora...
Kazuha franziu o cenho. — Ela?
Mas Kuni não respondeu. Estava distraído, como se falasse consigo mesmo.
Kazuha mordeu o lábio, tentando manter o assunto vivo, como se tivesse medo de o silêncio tomar conta da sala.
— Você tá bem? Quer dizer... melhor? — Ele se ajeitou na cadeira. — Você gosta de J-pop, né? Eu ouvi umas músicas legais nesse MP3. Tem uma do Gackt ali que...
Kuni olhou em volta devagar, a expressão voltando a se fechar.
— Por que você tá aqui?
A pergunta pegou Kazuha desprevenido.
— Hã?
— Por que você tá aqui? — repetiu, com o mesmo tom baixo e direto.
Kazuha coçou a cabeça, meio encabulado.
— A gente estuda junto. Vi que você tava passando mal... fiquei preocupado.
— Por quê?
A pergunta vinha de novo, cortante, como uma faca sem ponta. Não parecia ser dita com maldade, mas com uma estranha sinceridade.
Kazuha hesitou.
— Ué... porque eu me importo?
Kuni suspirou. Voltou a se deitar devagar, virando o rosto pro lado, como se não quisesse mais continuar aquela conversa.
— Você devia voltar. Vai perder matéria por minha causa.
Nesse instante, Kazuha se lembrou das anotações.
— Eu fiz umas notas pra você. Pra você não ficar perdido na matéria da semana passada.
Kuni o encarou mais uma vez. Seus olhos estavam semicerrados, ainda febris, e havia um cansaço estranho por trás daquela confusão toda.