6. Walburga Black

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Sirius acreditava que teria o dia tranquilo, na verdade isso era uma charada. Estava sentado sobre a mesa do café da manhã, enquanto encarava brevemente algumas pessoas junto dele.

Tomou seu café em silêncio, mas cada gole desabava junto com as lembranças da noite passada.

Em sua mente tudo era confuso e exaustivo, se sentia preso nos próprios sentimentos sem poder contar o que sentia, sem poder se expressar aquela confusão em sua vida. Remus Lupin preferia passar todos os momentos daquela tarde ao lado de Tonks e ele gostaria de poder morrer lentamente agora mesmo.

A missão fora explicada pra ele, não era tão difícil visitar bruxos, tomar cafés e chás e explicar o que diabos está acontecendo no mundo bruxo. Já passaram por isso no passado, já tiveram momentos piores assim. Se sentiu culpado por estar pensando dessa forma sobre Lupin, gostaria de poder ajudar. De estar com ele.

Mas agora era tão confuso sem James do lado, se amaldiçoou por pensar nisso novamente.

James era sua âncora, era seu melhor amigo e irmão. Ele quem sugeriu a entrada na ordem, ele quem fez tudo acontecer e agora não fazia mais sentido continuar naquilo tudo sem o irmão do lado.

Mas Black também tinha em mente que deveria seguir um papel, o papel de padrinho. Potter nunca teve uma alma viva sequer que importasse com o mesmo, nunca teve alguém que acreditava nele e ele sabia como era se sentir assim. Sabia como era sofrer dentro da sua própria casa.

Então ali, sentado em sua poltrona com uma boa xícara na mão. Prometeu se dedicar fielmente a felicidade de Harry, prometeu a proteção, a vida — tudo que ele pudesse — para aquele garoto.

— Sirius, precisamos limpar alguns cômodos. Creio que o Remus deve estar junto, Moody andou investigando e estamos com muitos bichos-papões habitando aqui dentro. — Molly fazia os preparativos do almoço, todos estavam ocupando a mente de alguma forma e ela fazia de tudo para tornar aquele ambiente o mais agradável possível.

— Podemos fazer isso hoje, talvez. — Suspirou, tentando ser útil de alguma forma.

Algo o atingiu em cheio, se caso fosse investigado o lugar na qual era o esconderijo de seu pai. Não poderia suportar alguém fuçando sobre Regulus ou algo pior.

Engolirá seu café da manhã rapidamente, correndo até o cômodo mais próximo. Invadindo o local em que seu pai escondera.

Fechou a porta rapidamente, se afundando naquele local. Inspecionando cada parte, desejando um bom e velho Whisky, sua vida após Azkaban doía só de imaginar, ele precisava quase o tempo todo da bebida em sua veia.

Invadiu cada parte de seu pai, cada folheto sobre Voldemort, esperando que achasse em alguma parte de Regulus Black, esperando que ele saísse de uma das prateleiras para te dar um susto. Ou amaldiçoa-lo.

E encontrou — não o corpo vivo de Black — mas sua vida escrita em alguns papéis. Dentro de um dos pisos falsos do chão. Acreditava que Regulus queria que Siriús visse aquilo tudo, que ele lesse tudo que passava.

Black pegou uma boa quantidade de bebida, com medo do que encontraria naquelas páginas. Desejou por vários segundos a presença do seu melhor amigo, a ajuda dele igual da outra vez.

Porra. Black deseja Remus quase o tempo todo, isso era desesperador.

Gostaria de poder amaldiçoar o amigo, estava com raiva, estava com raiva de cada escolha que Lupin fez naquele momento, naquela noite, naquele dia. Nenhuma de suas escolhas foi Sirius Black, isso era desesperador demais para o garoto.

Sentado, admirando aquelas páginas. Ele se sentiu só, se sentiu alheio dentro dos próprios pensamentos, como se nada o pertencesse. Suspiro atrás de suspiro, se permitiu ler a primeira página.

Sob O Mesmo Teto || WolfstarOnde histórias criam vida. Descubra agora