never love again

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Voltando de novo pro bar do velho oeste, o barman observou minhas lágrimas escorrendo por minhas bochechas e nariz, a cada gole era uma lembrança, os gemidos do Padre Damian e o cheiro do nosso sexo me deixava desnorteada, completamente fora do meu eu. Enxugando as lágrimas antes que alguém me visse em um estado melancólica que eu nunca deixei ninguém assistir ou apreciar minha vulnerabilidade, nem no fim do meu casamento com o Mark, foi tão doloroso como agora.

Batendo o copo forte no balcão de madeira rústica, escutando a voz rouca do bombeiro John Miller, ele é do departamento do outro lado de The rookie. Lembro de ter ficado com ele uma vez antes do Mark, o beijo foi péssimo, era o ensino médio, eu estava bêbada e foi um trote das meninas da minha sala pra curtir com ele.

Detetive, Miranda? Nossa, você não mudou nada... Quer dizer...

John Miller fraquejou, gaguejou como se estivéssemos no colegial, percebendo sua mão em busca da minha como cumprimento formal, meus dedos aos deles, não consegui me conter, deixando uma risada escapar e sussurrando:

Você está bem longe do seu departamento, bombeiro civil... O que está fazendo aqui? Não me diga que Riverside tem precisado do seus serviços extras.

John se apoiou do meu lado no balcão, ele percebeu que eu estava um pouco envergonhada e corada das tequilas texanas em minhas veias, sussurrando como um bom e velho amigo:

Eu conheço esse olhar, você nunca foi boa em esconder quem é Miranda. Qual a verdade por trás desse cheiro de álcool no seu uniforme e os olhos vermelhos... Filhos? Hipoteca da casa? Um marido que te deixou esperando no dia do jantar de aniversário?

Afirmando durona sem querer realmente que alguém entrasse no meu campo seguro dos meus sentimentos:

Divorciada... Sem filhos... Faz um ano já, ele me traiu com a parceira de trabalho...

John se espantou, percebendo que talvez tivesse reaberto uma ferida, gaguejando nervoso, implorando como um pedido de desculpa:

Miranda, eu sinto muito... Eu não quis parecer um idiota, me perdoa a minha ignorância.

Encarou sua reação despreocupada, tomando outro gole de bebida e o acalmando:

Não, tudo bem. Você está certo, eu estou afogando minhas mágoas, mas sobre o meu divórcio ou traição, isso não é algo que me machuca, é algo esquecido... O que me atormenta é...

O nome do padre Damian quase saiu leve como uma oração, eu não queria admitir, por céus... Mas os malditos gostos dos beijos do D. estava quase tatuado nos meus lábios, com o gosto de pecado misturado com a tequila. Ficando muda pra não contar a verdade que me deixava presa em estado de abstinência, escutando John me perguntar, seus olhos se fixando nos meus como um tiro no alvo:

O que te atormenta, Miranda Sawyer?

Minha boca salivou, minha garganta queria gritar alto as palavras que corriam pelo meu corpo, voltando atrás como sempre fiz, arrumando a mentira perfeita para não destruir o resto de dignidade que tinha ou talvez nem tinha:

Meus valores morais, talvez agora eu seja apenas egoísta e hipócrita como o meu ex marido, é isso me deixa completamente destruída.

Miller tira a bebida da minha mão devagar, me encarando como se fosse um o salvador da minha aflição nortuna, ele nem parecia o garoto do colegial que eu beijava escondida atrás da quadra, o corpo musculoso, a pele negra que parecia um diamante bruto desenhado. Que tipos homens eu estava atraindo por Deus... Céus

Detetive, seja lá o que aconteceu, você sempre foi a garota incrível, se você se perdeu no caminho, eu tenho absoluta certeza que você vai se encontrar, Sawyer... Uma coisa desde do colégio que tenho certeza sobre você é... Você é alguém que qualquer homem ou qualquer pessoa gostaria de ter por perto.

𝐕𝐈𝐂𝐈𝐎 𝐄𝐒𝐏𝐀𝐍𝐇𝐎𝐋 Onde histórias criam vida. Descubra agora