Padre Damian Lopez vive pela comunidade do seu bairro em Riverside, mas algo abalaria sua fé e tentação ao reviver uma antiga amizade de colegial com Miranda Sawyer.
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A grande noite, o jantar em homenagem ao meu afilhado, ainda confortável na barriga da minha melhor amiga, reacendeu um desejo antigo: ser mãe. Eu e Mark tentamos tantas vezes, fizemos exames, passamos por consultas… e nunca deu certo. Não gosto de pensar nisso, mas sempre me pergunto como seria carregar uma vida dentro de mim. Hoje sei que está fora dos planos.
E, considerando meu histórico, principalmente depois de me apaixonar pelo meu melhor amigo, que por acaso é padre, percebo que tenho um talento cruel para me envolver com problemas iminentes.
Peguei as chaves do carro e saí do apartamento animada para o jantar com Angela e Wes. Ela tinha me avisado que Damian não iria. Depois da discussão no bar por causa de um mal-entendido, aquilo foi um alívio.
(...)
A risada de Angela e Wes ecoava pelo corredor quando bati na porta. Mas quem abriu foi Damian e o choque me travou.
Quase gaguejando:
— O que você está fazendo aqui...? A-Angela disse que você não viria…
— Mudei um compromisso — ele respondeu com um meio sorriso quebrado, a voz firme. — Não ia perder isso. Sou tio… e padrinho do nosso afilhado.
Assenti com um sorriso curto, embora minhas mãos tremesse. A raiva dele não tinha passado. Provavelmente ainda acreditava que eu beber com John Miller tinha sido algum tipo de traição. Era estranho ver esse lado dele: sério, contido, nada acolhedor. É oficial: consegui estragar tudo de novo. Dormir com um padre tem consequências, e essa frase martelava na minha cabeça.
Angela se aproximou, radiante. A barriga tinha crescido tão rápido que parecia iluminar a sala. Toquei com carinho e sorri:
— Não vejo a hora de conhecer esse garotinho. E já aviso que vou roubar ele nos fins de semana e encher a vida dele de brinquedos e doces em formato de minhocas.
Angela gargalhou. Wes, sentado à mesa, completou:
— Já que padrinho e madrinha chegaram, vamos brindar e conversar sobre o último caso do departamento. Inclusive, Angela prendeu o próprio irmão…
— O Cruz de novo? — perguntei, rindo. — Eu não acredito… aliás acredito sim. Ele já deve estar batendo recorde. Aposto que foi a décima segunda vez.
Os dois riram, confirmando. Sentei-me à mesa ao lado de Damian. Mesmo com o clima estranho, tentei focar no jantar… mas sentia o olhar dele queimando na minha direção.
(...)
Ajudando Angela a secar a louça, meus pensamentos fugiam para o homem no sofá. A gola clerical no pescoço dele me atingia como um lembrete cruel. Por um instante, meus olhos arderam. Angela percebeu. Tocou meu rosto com carinho delicado.
— Amiga… você está chorando? O que houve?
Mordi os lábios. Ela estava grávida, sensível, e era minha família. Não podia contar que a causa das minhas lágrimas era o irmão dela.
— É que… lembrei do meu casamento. Do quanto eu queria ter tido um bebê. Lembra?
Angela suspirou, abraçando minha mão.
— Eu sei que você sempre sonhou com isso. E queria muito que tivéssemos engravidado juntas. Por que você acha que é a madrinha do meu garotinho? Ele vai ter tanta sorte em ter você… assim como eu tenho. Depois do Damian, você é tudo pra mim.
Sorri chorosa. Acariciei a barriga e sussurrei para o bebê:
— Nasce logo, Jack. Antes que a sua mãe faça eu desabar de chorar. Quero te ver andar, ouvir sua risada e comprar todos os dinossauros do mundo pra você.
Angela me abraçou, emocionada. E eu menti. Não por mal… mas por medo de perder a minha irmã de alma. Damian observava do sofá; ele viu o que eu estava tentando esconder. Sabia que a dor tinha tudo a ver com ele e com a mentira que nos engolia.
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Descendo para a recepção do prédio, fui puxada inesperadamente pelo braço. O susto tirou meu ar, até sentir meu corpo colado ao dele. A mão de Damian na minha nuca me obrigou a encará-lo.
— Foi por minha causa que você chorou… não foi?
Neguei, tentando manter alguma dignidade. Ele apertou minha nuca, firme.
— Como eu conserto isso?
— o que?
— Me diz, como eu conserto isso? Eu faço o que você quiser, Miranda. Só não posso aceitar que você saia machucada por minha causa.
Antes que eu respondesse, ele continuou:
— Eu dei entrada para deixar o sacerdócio.
Senti o chão desaparecer.
— Damian… não. Você sempre quis isso. Lutou por isso.
— Eu quis enquanto não tinha você — ele me interrompeu. — Agora eu tenho. E eu quero você. Eu te amo, Miranda.
O beijo veio antes de qualquer reação minha. E eu correspondi, inteira, como se ele fosse cura, abrigo, redenção. Minha boca na dele, minha respiração na dele, minha confissão presa entre nossos lábios molhados:
— Eu te amo.
Foi quando a voz de Angela destruiu tudo. Ecoante, ferida, devastada:
— Vocês mentiram pra mim? Você é padre, D. E você, Miranda? Minha melhor amiga… minha parceira… madrinha do meu filho…
O mundo caiu.
As últimas palavras dela atingiram como lâmina, o gosto metálico em minha garganta:
— Eu odeio vocês. Espero que se afundem com as próprias mentiras.
Ela virou as costas. Damian correu atrás, desesperado. Eu fiquei parada, parecia que uma avalanche tinha me tomado. Posso lidar com perder um homem, mas nunca com fim da minha amizade com a minha melhor amiga.