Cap 14

378 44 2
                                        

RB ficou ali, com a testa encostada na minha, respirando como se estivesse segurando o mundo nos ombros. O filho dele dormia pesado no meu peito, como se soubesse que aquele momento era só nosso.

A música do barzinho continuava, gente conversava, motos passavam... mas parecia tudo distante.
Era só eu, ele e o menino.

Quando RB recuou um pouco o rosto, ele me olhou daquele jeito que eu já conhecia:
como se eu fosse a única coisa que ele realmente queria, mas nunca pôde ter.

— Vamo embora daqui, — ele disse, levantando devagar. — Não quero mais ninguém olhando pra vocês dois.

Não perguntou.
Não deu opção.
Só estendeu a mão.
 
E por alguma razão que eu não queria admitir... eu coloquei a minha na dele.

Olhei para as mulheres, na minha frente e disse que ia embora e pedi pra minha mãe deixar a Alice em casa elas balançaram a cabeça e virei pra ele.

Ele me guiou até o carro dele, enquanto os olhares ao redor seguiam cada passo que a gente dava.
Ninguém ousava falar nada.
Ninguém ousava encarar direto.
RB era respeitado — temido — e aquilo tocava cada parte da comunidade.

Quando chegamos no carro, ele abriu a porta pra mim.
Cuidadoso.
Atento.
O oposto do homem que comandava o morro.

— Segura ele direitinho, — RB disse, passando o braço por trás de mim para ajudar a ajeitar o menino no meu colo.

A proximidade fez meu coração errar o passo.

Entramos. Ele dirigia com uma mão, a outra sempre tocando minha perna, como se precisasse garantir que eu ainda estava ali.

O caminho até a casa dele parecia mais longo daquela vez.
Ou talvez fosse só meu peito que estava apertado demais.

Quando chegamos, a porta já estava aberta — sempre tinha alguém vigiando. Ele entrou primeiro, fez um sinal para os rapazes saírem, e de repente a casa ficou em silêncio.

— Sobe com ele, — ele pediu. — Bota ele no quarto. Eu vou fazer um negócio ali e já subo.

Assenti, subindo as escadas devagar para não acordar o menino. O quarto era simples, mas aconchegante. Tinha brinquedos espalhados, carrinhos e uma camiseta minha dobrada na cômoda — a que eu achei que tinha perdido.

Meu coração se apertou.

Deitei o pequeno na cama dele, cobri com o lençol fininho e passei a mão no rostinho adormecido. Ele sorriu de leve, daquele jeito que só fazia quando eu estava perto.

— Mãe... — murmurou dormindo.

Me quebrei inteira por dentro.

Antes que eu pudesse sair do quarto, senti RB atrás de mim.
Ele encostou a porta com cuidado, sem fazer barulho.

— Ele te ama... — ele disse baixinho, me envolvendo pela cintura por trás. — E eu também.

Meu corpo travou.

— RB...

— Não foge mais de mim, — ele pediu, encostando o rosto no meu pescoço. — Eu não quero te dividir com ninguém. Nem ele quer.

Eu respirei fundo.

— Mas você é meu padrinho...

— E eu sou homem também. E sou o homem que te quer.

Ele me virou de frente, segurando meu rosto com as duas mãos. O olhar dele queimava, intenso, decidido, como se ele tivesse esperado anos pra dizer aquilo.

— Se tu disser pra mim agora que não sente nada... eu paro. Eu juro que paro.

Meu coração batia tão forte que parecia grito.

— Eu sinto... — confessei, quase sem voz. — Eu sempre senti.

A expressão dele mudou na hora.

RB me puxou pra perto, colando nossas testas mais uma vez.

— Então tu é minha. A partir de hoje.

— RB...

— E não quero tu com mais ninguém. Ninguém. Nem conversando, nem rindo, nem olhando.

Um silêncio pesado caiu entre nós.

— O morro vai falar? Vai. — ele continuou. — Mas quem manda no morro sou eu. E quem cuida de tu sou eu. E quem ama tu... sou eu.

Eu senti as pernas falharem.

Ele me levantou pelo quadril e me colocou sentada na cômoda, sem nunca tirar os olhos dos meus.

— Tu tem coragem? — ele repetiu, sério.

E pela primeira vez na vida...

Eu tive.

— Tenho.

RB sorriu pequeno, perigoso, satisfeito.

— Então é nós.

— Os três?

— Os três, — ele respondeu, olhando para o quarto onde o filho dormia.

E naquele momento...
Nada no mundo pareceu mais certo.











Oiiiiii gostosas mais um cap pra vcs🩷

Amor IncondicionalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora