Cap 15

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No dia seguinte, acordei com o menino entre nós dois. RB dormia de um lado, eu do outro, e o pequeno abraçado em mim. Quando abri os olhos, RB já estava me olhando.

— Vai pra tua loja hoje?

Assenti.

Eu e minha amiga tínhamos a loja de roupas mais bombada do morro. Tudo que eu vestia, as meninas queriam.
E além disso, eu tinha meu salão, onde eu fazia cabelo, maquiagem, sobrancelha.
O salão vivia lotado.
Vivia cheio.
Vivia estourado.

RB sabia — e ficava CIUMENTO quando os caras do morro iam lá 'só pra olhar'.

Quando cheguei na loja, todo mundo ficou comentando:

— "O RB tava com ela ontem..."
— "Ele ficou encarando quem chegava perto."
— "Ele não desgrudava do menino."

A fofoca correu rápido.

No salão, as clientes falavam:

— "Ele assumiu?"
— "Ele te busca hoje?"
— "Ele é louco por você."

Eu fingia que não ouvia, mas por dentro... estava derretendo.

Quando deu fim de tarde, recebi uma mensagem:

"Tô aqui fora." – RB

Eu saí, e ele estava encostado no carro dele, braços cruzados, olhando pra porta como se guardasse o lugar.

— Subi pra te buscar. Não gosto de tu andando sozinha essa hora.

— RB...

— Nem discute.

Ele me levou pra casa como se fosse rotina.
E talvez estivesse virando.
 
Fui pra minha casa

Dias depois, fomos levar o neném para a escolinha de futebol — o sonho de RB, pago com esforço e orgulho.

O menino correu pro campo, todo empolgado.

— Olha como ele vai, — RB disse, cheio de amor no rosto.

Eu nunca tinha visto aquele homem sorrir daquele jeito.
Por um instante, ele não era o dono do morro.
Era só um pai.

Enquanto assistíamos, um cara da arquibancada olhou pra mim e disse:

— "Oi, princesa."

RB congelou.

Virou devagar.

E eu juro: o ar ficou pesado.

Ele desceu dois degraus, puxou o cara pela camiseta e disse:

— Ela tem dono.

— RB! — eu chamei, tentando segurar o braço dele.

Ele me olhou como se estivesse queimando por dentro.

— TU É MINHA. Ele não olha, não chama, não chega perto.

Eu respirei fundo.

O menino correu até nós, chamando:

— Mãeee!! Pai!! Eu fiz gol!!

E aquilo desarmou RB na hora.

Ele soltou o cara com um empurrão curto.

Pegou o filho no colo.

E olhou pra mim como se eu fosse o único lugar seguro que ele tinha.

— Vamos pra casa. — ele disse, mais calmo. — Nós três.

E fomos.

Como uma família.

Mesmo sem ninguém ter coragem de falar essa palavra em voz alta.

Amor IncondicionalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora