No dia seguinte, acordei com o menino entre nós dois. RB dormia de um lado, eu do outro, e o pequeno abraçado em mim. Quando abri os olhos, RB já estava me olhando.
— Vai pra tua loja hoje?
Assenti.
Eu e minha amiga tínhamos a loja de roupas mais bombada do morro. Tudo que eu vestia, as meninas queriam.
E além disso, eu tinha meu salão, onde eu fazia cabelo, maquiagem, sobrancelha.
O salão vivia lotado.
Vivia cheio.
Vivia estourado.
RB sabia — e ficava CIUMENTO quando os caras do morro iam lá 'só pra olhar'.
Quando cheguei na loja, todo mundo ficou comentando:
— "O RB tava com ela ontem..."
— "Ele ficou encarando quem chegava perto."
— "Ele não desgrudava do menino."
A fofoca correu rápido.
No salão, as clientes falavam:
— "Ele assumiu?"
— "Ele te busca hoje?"
— "Ele é louco por você."
Eu fingia que não ouvia, mas por dentro... estava derretendo.
Quando deu fim de tarde, recebi uma mensagem:
"Tô aqui fora." – RB
Eu saí, e ele estava encostado no carro dele, braços cruzados, olhando pra porta como se guardasse o lugar.
— Subi pra te buscar. Não gosto de tu andando sozinha essa hora.
— RB...
— Nem discute.
Ele me levou pra casa como se fosse rotina.
E talvez estivesse virando.
Fui pra minha casa
Dias depois, fomos levar o neném para a escolinha de futebol — o sonho de RB, pago com esforço e orgulho.
O menino correu pro campo, todo empolgado.
— Olha como ele vai, — RB disse, cheio de amor no rosto.
Eu nunca tinha visto aquele homem sorrir daquele jeito.
Por um instante, ele não era o dono do morro.
Era só um pai.
Enquanto assistíamos, um cara da arquibancada olhou pra mim e disse:
— "Oi, princesa."
RB congelou.
Virou devagar.
E eu juro: o ar ficou pesado.
Ele desceu dois degraus, puxou o cara pela camiseta e disse:
— Ela tem dono.
— RB! — eu chamei, tentando segurar o braço dele.
Ele me olhou como se estivesse queimando por dentro.
— TU É MINHA. Ele não olha, não chama, não chega perto.
Eu respirei fundo.
O menino correu até nós, chamando:
— Mãeee!! Pai!! Eu fiz gol!!
E aquilo desarmou RB na hora.
Ele soltou o cara com um empurrão curto.
Pegou o filho no colo.
E olhou pra mim como se eu fosse o único lugar seguro que ele tinha.
— Vamos pra casa. — ele disse, mais calmo. — Nós três.
E fomos.
Como uma família.
Mesmo sem ninguém ter coragem de falar essa palavra em voz alta.
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Amor Incondicional
Hayran KurguEnvolto pelas sombras das favela cariocas, Rodrigo conhecido mais como RD o "Dono do Morro" é um homem que controla tudo e todos. Ele tem um filho que se chama Thiago e uma afilhada que se chama melissa Albuquerque e sua mãe Rosângela. Melissa Albuq...
