O churrasco continuou depois da confusão, mas nada mais estava igual.
RB ficou o tempo todo comigo, braço firme na minha cintura, olhar atento a cada pessoa que se aproximava. Quem conhecia ele sabia: não era carinho, era aviso.
Quando descemos da laje, já tarde da noite, ele me levou até o carro dele.
— Dormir comigo hoje, — ele disse, sem perguntar.
— E se falarem?
Ele abriu a porta pra mim e respondeu seco:
— Vão falar de qualquer jeito.
Dormimos juntos. Eu, ele e o neném, como se aquilo fosse rotina antiga. Mas eu acordei com um aperto estranho no peito, como se algo estivesse prestes a desandar.
E estava.
⸻
No dia seguinte, cheguei cedo no salão. Mal abri a porta e já senti o clima diferente.
As clientes cochichavam.
As meninas da loja me olhavam estranho.
O celular não parava de vibrar.
Até que minha amiga me puxou pelo braço:
— Amiga... a ex do RB tá espalhando coisa feia.
Meu estômago gelou.
— O quê?
— Ela tá dizendo que você se aproveitou dele... que você se meteu no meio da família... que o filho dele só gosta de você porque você manipula a criança.
Meu coração despencou.
— Ela tá dizendo isso pra quem?
— Pra TODO MUNDO. No salão da esquina, na boca do morro, pra mulher de traficante, pra cliente... pra quem escuta.
Respirei fundo, tentando não desmontar ali mesmo.
— E o RB sabe?
— Ainda não.
Mas ele soube rápido.
⸻
Menos de uma hora depois, um dos homens dele entrou no salão.
— O RB mandou te chamar.
Nem fechei o caixa. Peguei minha bolsa e fui.
Quando cheguei na casa dele, RB estava em pé no meio da sala, andando de um lado pro outro, mandíbula travada, mão no cabelo. O neném brincava no sofá, alheio à tempestade.
— Ela falou contigo? — ele perguntou direto.
— Não. Falou com o morro inteiro.
Ele fechou o punho.
— Ela passou dos limites.
— RB, tão dizendo que eu usei você... que eu me meti por interesse... que eu confundi a cabeça do teu filho...
Ele parou na minha frente na hora.
— Olha pra mim.
Esperei.
— Tu acha mesmo que alguém manda em mim?
— Tu acha que eu deixaria alguém mexer com meu filho se não fosse porque eu confio?
Meus olhos encheram d'água.
— Mas isso pode virar coisa grande...
Ele segurou meu rosto com cuidado — diferente da raiva que ele sentia.
— Escuta bem.
— Ela tá falando porque perdeu.
— E quem perde, tenta destruir.
Ele respirou fundo e completou, sério:
— Ninguém vai te tirar de mim. Nem fofoca, nem mentira, nem passado.
O neném correu até mim e se jogou no meu colo.
— Mãe... — chamou alto, sem perceber o peso da palavra.
RB congelou.
Olhou pro filho.
Depois pra mim.
O morro inteiro podia falar o que quisesse.
Ali, naquele instante, ele decidiu.
— Chega. — ele disse. — Hoje isso acaba.
— O que você vai fazer?
Ele se abaixou na frente do filho, beijou a testa dele e depois me olhou, decidido.
— Eu vou botar a verdade pra fora.
— E quem não gostar... vai ter que engolir.
Meu coração disparou.
— RB, você vai assumir?
Ele passou a mão pela minha cintura, firme.
— Assumir você.
— Assumir nós.
— E deixar claro que você é minha escolha.
E naquele momento, eu entendi:
a fofoca não era o fim.
Era o estopim.
Depois do churrasco na laje, a noite caiu devagar sobre o morro.
O som diminuiu, as pessoas foram descendo, e a casa de RB ficou em silêncio pela primeira vez naquele dia inteiro.
O menino já dormia no quarto, espalhado na cama, abraçado ao travesseiro.
RB ficou alguns segundos parado na porta, observando, antes de fechar com cuidado.
— Ele dorme tranquilo quando você tá aqui, — disse baixo.
Eu sorri de canto.
— Ele só precisa se sentir seguro.
RB me olhou diferente.
Como se aquela frase tivesse acertado um lugar fundo.
Fomos pra sala. Não tinha música, não tinha barulho, só o ventilador girando lento. Eu sentei no sofá, cansada, e ele ficou em pé por alguns segundos, como se estivesse pensando demais.
— Hoje foi pesado, — ele disse.
— Foi.
— Desculpa pelo ciúme.
— Eu também tive.
Ele soltou um meio sorriso.
— Eu sei.
Sentou ao meu lado, mas sem encostar de imediato. O espaço entre nós dizia mais do que qualquer toque. Depois de alguns segundos, ele apoiou o braço atrás de mim, respeitando meu tempo.
— Às vezes eu não sei separar o medo do cuidado, — ele confessou.
— Tenho medo de perder o que ainda nem sei nomear.
Meu peito apertou.
— Às vezes não precisa de nome.
Ele virou o rosto pra mim.
— Mas precisa de verdade.
O silêncio voltou. Não desconfortável — necessário.
— Fica aqui hoje, — ele disse, sem pressão. — Não por mim. Pelo clima. Pela segurança.
Assenti.
Mais tarde, já deitada, ouvi passos pequenos vindo do corredor. O menino apareceu sonolento, esfregando os olhos. Veio direto até mim e se encolheu ao meu lado, como se aquilo fosse natural.
RB parou na porta, observando a cena em silêncio.
— Pode deixar, — eu disse. — Eu fico aqui até ele pegar no sono de novo.
RB não respondeu.
Só assentiu, com aquele olhar sério que escondia coisa demais.
Quando a criança voltou a dormir, RB se aproximou e ajeitou o cobertor por cima de nós dois.
— Obrigado, — ele disse, simples.
— Não precisa agradecer.
Ele ficou ali mais um tempo, antes de apagar a luz.
Naquela noite, não houve promessa.
Não houve rótulo.
Não houve excesso.
Só presença.
Cuidado.
E uma sensação silenciosa de que algo estava sendo construído — devagar, mas firme.
Fiz esse aqui morrendo de sonooooo.
FELIZ NATALLLLLL, q o Natal de vcs sejam abençoado e com muito amorrrrrr.
Dormi três horinhas só 😅
VALEU NATALINA🎄🎅🤶
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Amor Incondicional
Fiksyen PeminatEnvolto pelas sombras das favela cariocas, Rodrigo conhecido mais como RD o "Dono do Morro" é um homem que controla tudo e todos. Ele tem um filho que se chama Thiago e uma afilhada que se chama melissa Albuquerque e sua mãe Rosângela. Melissa Albuq...
