Cap 16

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O churrasco continuou depois da confusão, mas nada mais estava igual.
RB ficou o tempo todo comigo, braço firme na minha cintura, olhar atento a cada pessoa que se aproximava. Quem conhecia ele sabia: não era carinho, era aviso.

Quando descemos da laje, já tarde da noite, ele me levou até o carro dele.

— Dormir comigo hoje, — ele disse, sem perguntar.

— E se falarem?

Ele abriu a porta pra mim e respondeu seco:

— Vão falar de qualquer jeito.

Dormimos juntos. Eu, ele e o neném, como se aquilo fosse rotina antiga. Mas eu acordei com um aperto estranho no peito, como se algo estivesse prestes a desandar.

E estava.

No dia seguinte, cheguei cedo no salão. Mal abri a porta e já senti o clima diferente.
As clientes cochichavam.
As meninas da loja me olhavam estranho.
O celular não parava de vibrar.

Até que minha amiga me puxou pelo braço:

— Amiga... a ex do RB tá espalhando coisa feia.

Meu estômago gelou.

— O quê?

— Ela tá dizendo que você se aproveitou dele... que você se meteu no meio da família... que o filho dele só gosta de você porque você manipula a criança.

Meu coração despencou.

— Ela tá dizendo isso pra quem?

— Pra TODO MUNDO. No salão da esquina, na boca do morro, pra mulher de traficante, pra cliente... pra quem escuta.

Respirei fundo, tentando não desmontar ali mesmo.

— E o RB sabe?

— Ainda não.

Mas ele soube rápido.

Menos de uma hora depois, um dos homens dele entrou no salão.

— O RB mandou te chamar.

Nem fechei o caixa. Peguei minha bolsa e fui.

Quando cheguei na casa dele, RB estava em pé no meio da sala, andando de um lado pro outro, mandíbula travada, mão no cabelo. O neném brincava no sofá, alheio à tempestade.

— Ela falou contigo? — ele perguntou direto.

— Não. Falou com o morro inteiro.

Ele fechou o punho.

— Ela passou dos limites.

— RB, tão dizendo que eu usei você... que eu me meti por interesse... que eu confundi a cabeça do teu filho...

Ele parou na minha frente na hora.

— Olha pra mim.

Esperei.

— Tu acha mesmo que alguém manda em mim?
— Tu acha que eu deixaria alguém mexer com meu filho se não fosse porque eu confio?

Meus olhos encheram d'água.

— Mas isso pode virar coisa grande...

Ele segurou meu rosto com cuidado — diferente da raiva que ele sentia.

— Escuta bem.
— Ela tá falando porque perdeu.
— E quem perde, tenta destruir.

Ele respirou fundo e completou, sério:

— Ninguém vai te tirar de mim. Nem fofoca, nem mentira, nem passado.

O neném correu até mim e se jogou no meu colo.

— Mãe... — chamou alto, sem perceber o peso da palavra.

RB congelou.

Olhou pro filho.
Depois pra mim.

O morro inteiro podia falar o que quisesse.
Ali, naquele instante, ele decidiu.

— Chega. — ele disse. — Hoje isso acaba.

— O que você vai fazer?

Ele se abaixou na frente do filho, beijou a testa dele e depois me olhou, decidido.

— Eu vou botar a verdade pra fora.
— E quem não gostar... vai ter que engolir.

Meu coração disparou.

— RB, você vai assumir?

Ele passou a mão pela minha cintura, firme.

— Assumir você.
— Assumir nós.
— E deixar claro que você é minha escolha.

E naquele momento, eu entendi:
a fofoca não era o fim.

Era o estopim.

Depois do churrasco na laje, a noite caiu devagar sobre o morro.
O som diminuiu, as pessoas foram descendo, e a casa de RB ficou em silêncio pela primeira vez naquele dia inteiro.

O menino já dormia no quarto, espalhado na cama, abraçado ao travesseiro.
RB ficou alguns segundos parado na porta, observando, antes de fechar com cuidado.

— Ele dorme tranquilo quando você tá aqui, — disse baixo.

Eu sorri de canto.

— Ele só precisa se sentir seguro.

RB me olhou diferente.
Como se aquela frase tivesse acertado um lugar fundo.

Fomos pra sala. Não tinha música, não tinha barulho, só o ventilador girando lento. Eu sentei no sofá, cansada, e ele ficou em pé por alguns segundos, como se estivesse pensando demais.

— Hoje foi pesado, — ele disse.

— Foi.

— Desculpa pelo ciúme.

— Eu também tive.

Ele soltou um meio sorriso.

— Eu sei.

Sentou ao meu lado, mas sem encostar de imediato. O espaço entre nós dizia mais do que qualquer toque. Depois de alguns segundos, ele apoiou o braço atrás de mim, respeitando meu tempo.

— Às vezes eu não sei separar o medo do cuidado, — ele confessou.
— Tenho medo de perder o que ainda nem sei nomear.

Meu peito apertou.

— Às vezes não precisa de nome.

Ele virou o rosto pra mim.

— Mas precisa de verdade.

O silêncio voltou. Não desconfortável — necessário.

— Fica aqui hoje, — ele disse, sem pressão. — Não por mim. Pelo clima. Pela segurança.

Assenti.

Mais tarde, já deitada, ouvi passos pequenos vindo do corredor. O menino apareceu sonolento, esfregando os olhos. Veio direto até mim e se encolheu ao meu lado, como se aquilo fosse natural.

RB parou na porta, observando a cena em silêncio.

— Pode deixar, — eu disse. — Eu fico aqui até ele pegar no sono de novo.

RB não respondeu.
Só assentiu, com aquele olhar sério que escondia coisa demais.

Quando a criança voltou a dormir, RB se aproximou e ajeitou o cobertor por cima de nós dois.

— Obrigado, — ele disse, simples.

— Não precisa agradecer.

Ele ficou ali mais um tempo, antes de apagar a luz.

Naquela noite, não houve promessa.
Não houve rótulo.
Não houve excesso.

Só presença.
Cuidado.
E uma sensação silenciosa de que algo estava sendo construído — devagar, mas firme.

Fiz esse aqui morrendo de sonooooo.
FELIZ NATALLLLLL, q o Natal de vcs sejam abençoado e com muito amorrrrrr.

Dormi três horinhas só 😅
VALEU NATALINA🎄🎅🤶

Amor IncondicionalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora