Cap 17

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A casa da minha mãe estava cheia, quente, viva.
Todo mundo ali já conhecia o RB, já conhecia o menino, já conhecia nossa rotina — então não houve explicação, nem curiosidade fora de lugar.

O menino já chegou sonolento. Assim que sentei no sofá, ele veio direto pro meu colo, como sempre fazia quando estava cansado. Se ajeitou, encostou o rosto em mim, buscando conforto.

Pouco depois, se acalmou de vez, do jeito que só conseguia comigo.
Dormiu ali, tranquilo, seguro.

— Ele só dorme assim — minha mãe comentou baixo. — No teu colo.

Assenti.

RB observava em silêncio. Não interferia, não apressava. Sabia que aquele momento era dele também, mesmo sem tocar.

A conversa seguiu, a ceia foi servida, mas eu fiquei ali, quieta, com o menino aconchegado em mim, respirando devagar. Quando alguém tentou pegar ele pra levar pro quarto, RB respondeu antes:

— Deixa.
— Assim ele fica bem.

Mais tarde, quando a casa foi esvaziando, ele se aproximou e falou baixo:

— Quer ir pro quarto ficar mais confortável?

Fui. Me sentei com cuidado, ajeitando o menino, mantendo ele perto de mim até o sono ficar profundo de novo. Só então RB cobriu nós dois com uma manta.

— Obrigado por cuidar dele assim, — ele disse.
— Eu sei que não é pouco.

— Eu faço porque ele precisa — respondi. — E porque eu quero.

RB ficou alguns segundos parado, olhando aquela cena simples, doméstica, real.

— Ele encontrou um lugar seguro, — falou.
— E eu também.

Na volta pra casa, o menino só acordou o suficiente pra se ajeitar de novo comigo, buscando o mesmo conforto, até adormecer outra vez.

RB dirigia em silêncio, mas com o coração cheio.

Naquela noite, nada precisou ser dito em voz alta.
Porque cuidado de verdade não se explica — se vive.

Amor IncondicionalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora