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O cheiro salgado do mar ainda pairava no ar, misturando-se ao aroma suave dos lençóis recém-lavados. O quarto estava silencioso agora, mas a noite anterior ainda reverberava na minha mente como um eco impossível de calar.

O primeiro fio de consciência veio antes mesmo de abrir os olhos. O calor contra minha pele, a respiração lenta e ritmada perto demais, o peso de um braço envolvendo minha cintura.

Minha mente demorou alguns segundos para entender.

Então, despertei de vez.

Meus olhos se abriram e, por um instante, tudo o que existia era a sensação de estar envolta naquele abraço. O cheiro de Josh ainda estava impregnado nos lençóis. Meu rosto estava encostado no peito dele, minha perna sobre a dele, nossos corpos entrelaçados de uma forma tão natural que parecia… certo.

Mas não era.

Pelo menos, não deveria ser.

O coração disparou contra meu peito, e uma onda de calor subiu pelo meu corpo ao perceber o quão perto estávamos.

"Como isso aconteceu?", minha mente gritava. Mas a resposta era óbvia. O muro de travesseiros tinha sido esquecido. O limite invisível, ignorado. E agora eu estava ali, deitada com ele como se o tempo nunca tivesse nos separado.

Engoli em seco, sentindo o peso de todas as emoções que tentei reprimir.

Josh murmurou algo inaudível e se mexeu, puxando-me ainda mais para perto. Meu corpo congelou.

"Eu preciso sair daqui."

Com o máximo de cuidado, deslizei para fora do alcance dele. Ele franziu o cenho no sono, mas não acordou.

Fiquei sentada na beira da cama, observando-o por um momento. A forma como o cabelo loiro caía levemente sobre sua testa, o jeito que sua respiração era calma. Ele parecia… vulnerável.

E eu odeio o fato de que parte de mim queria se encaixar ali novamente. Eu deveria estar descansando. Eu deveria simplesmente apagar a noite de ontem da memória e seguir em frente, mas tudo que eu conseguia fazer era reviver cada palavra, cada olhar, cada espaço não dito entre nós.

"Eu te amo, e você me ama. Por que a gente não fica junto?"

Fechei os olhos com força. Como se isso pudesse apagar a forma como aquelas palavras haviam se alojado no meu peito, apertando tudo ao redor, tornando difícil até mesmo respirar.

Josh estava bêbado quando disse aquilo. Mas o álcool não mente.

E eu… eu não respondi.

Levantei-me devagar e fui até o banheiro. Lavei o rosto, tentando me livrar da sensação de que tudo o que aconteceu entre nós ainda estava pesando sobre minha pele. Coloquei um biquíni qualquer em minha mala juntamente de um vestido leve e saí do quarto sem fazer barulho.

Eu precisava de ar.

A praia estava deserta. O sol ainda nascia no horizonte, tingindo o céu de tons dourados e rosados. O mar calmo refletia aquela paleta de cores como um espelho.

Caminhei descalça até a beira da água, sentindo a areia fria entre os dedos. As ondas quebravam suavemente, beijando meus pés como um convite silencioso.

Aquela era minha fuga. Sempre foi.

Sem hesitar, tirei o vestido e mergulhei. A água gelada abraçou meu corpo, arrepiando minha pele e afastando os pensamentos que giravam sem parar na minha mente. Debaixo d’água, tudo era silêncio.

CRUEL SUMMER - BEAUANYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora