Any’s point of view
Sinto uma pequena dor no canto dos meus lábios, uma sensação em meu peito que a muito tempo, diga-se anos, não sentia. Algo comparado como abraçar alguém que você ama depois de muito tempo longe, e sentir, no exato segundo do abraço, que um pedaço seu que estava fora do lugar finalmente voltou. Ou como rir até a barriga doer, daquele jeito leve e quase infantil, quando a vida, por um instante, parece descomplicada de novo.
E apesar de sentir tudo isso, essa sensação um tanto quanto nova, também sentia que estava sonhando.
Mas na verdade eu estava vivendo exatamente tudo isso no qual minha memória associava esse sentimento.
Em minha frente estavam as pessoas mais importantes da minha vida, meus melhores amigos e minha irmã. Todos envolta de uma mesa cheia de comidas deliciosas dentre conversas e risadas, nas quais eu ria como uma criança ao ouvir uma piada mal contada.
E ali, entre risadas bobas, histórias sem fim e olhares que se cruzavam com cumplicidade antiga, eu senti. No meio daquela roda de amigos e com ele ali, do meu lado outra vez, como se o tempo tivesse dobrado sobre si mesmo… eu senti.
Felicidade. Daquela sincera, sem aviso, sem filtro.
Encostado na meia parede da lancha está o loiro, com suas mãos em minha cintura, pois de acordo com suas palavras ele está me segurando enquanto eu bebo meu segundo copo de caipirinha, desta vez, de maracujá. Meu corpo se movimenta levemente para frente, tento equilibrar o copo de vidro enquanto ele segura firme minha cintura enquanto rio mais uma vez.
— Cuidado, linda. — escuto sua voz próxima ao meu ouvido, pela milésima vez no dia seu apelido me causa arrepios pelo corpo. Poderia dizer que é pelo fato de eu estar apenas de biquíni, com meus cabelos molhados sentindo o vento e a brisa do mar em meu corpo, mas sei que estaria tentando me convencer. Sem forças para isso, apoio meu corpo contra o dele sentindo seus braços me envolverem cada vez mais. Era como se o mundo todo tivesse dado um breve suspiro só pra me deixar respirar.
Os risos vinham fáceis, leves, como se os dois anos de silêncio entre nós nunca tivessem existido.
Não tinha pressa, nem dúvida. Só presença. Um abraço que dizia tudo o que as palavras nunca deram conta de dizer. E eu me desmontei ali, por dentro — mas não de dor, dessa vez. Era como se um pedaço meu tivesse voltado pro lugar.
Deixei meu corpo leve, minha cabeça encostou em seu ombro, descansando de tudo o que um dia me deixou pesada. Em seus braços sentia conforto, carinho e paz. Nesse momento eu não escutava nada, apenas o mar, sentindo a brisa e o toque delicado de Joshua.
Eu poderia dizer que finalmente estou livre de preocupações, mas no fundo o que o futuro nos reserva ainda é uma pulga atrás da orelha. Não saber como serão as coisas depois desta viagem, não saber como iremos lidar com a distância entre um estado e outro, e todas as outras incógnitas que apareceram em minha mente ao acordar no dia de hoje, me preocupa. Mas saber que ele está disposto a tudo isso, me conforta e depois de uma noite maravilhosa como a de ontem a noite, com declarações e palavras de amor, acredito que poderemos passar por tudo isso juntos.
A felicidade na qual sinto nesse momento me faz querer passar por cada barreira, pois se para viver a felicidade sincera e verdadeira eu preciso passar por altos e baixos, que possamos viver isso juntos até encontrarmos ela novamente.
Felicidade sincera é isso. Não é barulhenta. É o riso que vem do nada. O abraço que cura sem prometer. O instante que você não quer fotografar, porque sabe que nenhuma imagem daria conta do que se sente. É quando a alma, mesmo cansada, encontra abrigo. E, por um momento, tudo em mim diz: agora tá certo. Agora, eu tô em casa.
VOCÊ ESTÁ LENDO
CRUEL SUMMER - BEAUANY
Fiksi PenggemarQuando Josh se muda para Los Angeles atrás da sua carreira como cantor, ele deixa não apenas sua família mas também sua melhor amiga por quem ele sempre fora apaixonado. Dois anos foi o suficiente para Any perder tudo o que tinha, lhe restando some...
