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Josh's point of view

A van cruzava a estrada rumo a Berlim, e eu encostava a cabeça na janela como se aquilo fosse me dar algum descanso. Já era a quarta semana de turnê e, honestamente, meu corpo parecia ter ficado lá na primeira. Cada dia era uma cidade diferente, horários confusos, passagem de som, entrevistas, shows — e tudo começava a se misturar numa massa cansada, barulhenta, que só se calava quando eu ouvia a sua voz.

Peguei o celular do bolso do moletom e encarei a tela. Tinha prometido que ligaria. Disse que em uma semana a veria, mas o tempo estava passando de um jeito estranho, e meu peito já pedia por ela.

Chamei.

A voz da Any surgiu abafada, como se ela estivesse no meio de um furacão. Eu ouvia pratos, vozes ao fundo, o som da cozinha funcionando a mil. E ainda assim, mesmo naquele caos, só o som dela dizendo "alô" já me fez sorrir.

— Alô? 

— É você. — suspirei, e um sorriso suave se espalhou no rosto cansado. — Eu precisava disso.

— Josh… — ela disse entre um suspiro e uma risada surpresa. — Eu tô no meio do furacão aqui, mas ouvir sua voz me fez esquecer que tem gente esperando uma sobremesa há dez minutos.

— E eu tô em uma van desde às seis da manhã, com olheiras e um travesseiro que cheira a energético… mas agora parece que o dia começou de verdade.

Rimos juntos. Pela primeira vez em dias, parecia que o mundo tinha dado um tempinho para respirar.

— Eu sinto tanto a sua falta — ela confessou, baixinho.

— Eu também. Tipo… mais do que deveria ser permitido num relacionamento à distância.

— Você vai me ver essa semana, né?

— Vou. Nem que eu tenha que atravessar o Atlântico nadando. 

Ela riu. Fechei os olhos, sentindo a presença dela no silêncio que veio depois.

Conversamos rápido, mas foi o suficiente pra me devolver um pouco de paz. Ela me contava do restaurante cheio, da correria, e eu só conseguia imaginar ela com o cabelo preso de qualquer jeito, avental sujo de farinha, correndo entre uma mesa e outra. Queria estar lá. Só isso. Sentado em algum canto, olhando pra ela.

— Vou desligar, tá? Antes que alguém aqui jogue um prato em mim — Any riu baixinho, mas a exaustão estava ali, nas entrelinhas da voz.

— Só se prometer que vai descansar quando sair daí.

— Só se você prometer que vai dormir mais de duas horas hoje.

— Difícil. Mas se você pedir assim, eu tento.

O silêncio que veio depois não era desconfortável. Era aquele tipo de silêncio que só existe entre duas pessoas que sabem que, mesmo longe, ainda se encontram em cada detalhe.

— Se cuida, tá? — disse primeiro, sem pensar.

— Você também. Fica bem, Josh. — Ela desligou no segundo seguinte, e meu corpo já sentiu a falta de sua voz falando no ouvido. 

—  Como você tá? — Hina questionou ao meu lado, me assustei já que ela estava distante de mim até um segundo atrás.

— Cansado.

— Isso eu sei, quero saber como você tá lidando com essa distância, parece que da última vez foi mais fácil.

— Não tinha como sentir saudade de algo que eu não tinha mais, agora ela voltou. Tenho medo de perdê-lá de novo…

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⏰ Última atualização: Jan 04 ⏰

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CRUEL SUMMER - BEAUANYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora