Problems?

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(POV NARRADOR)

Era sexta feira, Ariana tinha passado duas horas, do dia anterior, falando com a psicóloga da escola. Quando chegou em casa, fingiu normalidade, não queria preocupar a família com coisas que ela achava "bobagem".

— Oi Ariana, bom dia. — a psicóloga foi receptiva, sorrindo e acenando para a garota que fechava a porta. — Vamos começar?

A menor apenas balançou a cabeça positivamente.

Ariana sentou na cadeira de sempre, mãos juntas no colo, dedos entrelaçados com força demais. O pé balançava sem parar, denunciando o nervosismo que ela fingia não ter.

A psicóloga fechou a pasta devagar, apoiando os cotovelos na mesa.

— Antes da gente continuar... — disse com voz calma. — Quero deixar uma coisa clara. Tudo que você disser aqui fica aqui. A menos que sua segurança esteja em risco. Combinado?

Ariana assentiu.

— Combinado.

Silêncio.

Não era desconfortável. Era pesado. Do tipo que dá tempo do cérebro fugir por mil caminhos antes de encarar o certo.

— Você falou, na última vez, que sente medo de si mesma. — a psicóloga retomou. — Quer me explicar isso mais profundamente?

Ariana engoliu em seco, olhando para a parede atrás da mulher.

— Eu sinto que... tudo que acontece de ruim ao meu redor tem meu nome no meio. — disse, finalmente. — Como se eu fosse um ponto de explosão. Pessoas se machucam... e eu tô sempre lá.

— Machucam como?

Ela deu de ombros, mas o corpo estava tenso.

— De todos os jeitos. Físico. Emocional. Social. — respirou fundo. — Ou pelo menos... por minha causa.

A psicóloga anotou algo.

— Você se culpa muito.

— Porque eu tenho motivo. — Ariana respondeu rápido demais.

— Me dá um exemplo.

Ariana abriu a boca... e fechou.

A imagem veio inteira. Justin. O corredor. O jeito que ele sorria como se nada fosse grave. O jeito que ninguém acreditou nela de primeira. O jeito que tudo virou um inferno depois.

Ela sentiu o estômago revirar.

— Tem coisas que, se eu falar... — a voz falhou. — Vai virar um problema maior.

A psicóloga inclinou um pouco a cabeça.

— Maior pra quem?

Ariana ficou em silêncio.

— Pra mim. — respondeu por fim. — Pra minha família. Pra escola. Pra todo mundo.

— Você sente que carrega algo sozinha.

— Eu carrego. — corrigiu, num sussurro.

A psicóloga apoiou a caneta na mesa.

— Ariana... você não precisa decidir tudo hoje. Nem contar tudo agora. Mas eu preciso saber uma coisa.

Ela respirou fundo antes de perguntar:

— Alguém te machucou?

O coração da Ariana disparou.

— Não... — respondeu rápido demais. — Quer dizer... não do jeito que você tá pensando.

— Me explica então.

The Lost LoveOnde histórias criam vida. Descubra agora