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Por várias vezes a paz é tida como algo inalcançável. Um estado sem conflitos, um momento de equilíbrio, um lugar ou uma mente sem barulho, ruído, insegurança ou dúvida. Numa casa tão cheia, com tantas ideias, tanta ganância e tão pouca humanidade, é de se esperar que a paz seja algo próximo de um delírio, uma mera sombra que só se tem lembrança por representar o inverso da constante guerra que está acontecendo, mas havia quem tivesse seu porto seguro, seu silêncio e sua paz, que livrava a mente dos conflitos e trazia a calmaria necessária para que as festas fossem divertidas, a convivência suportável e as noites bem dormidas.

Elas estavam em paz. Suas mentes não conseguiam ser silenciosas, estavam sempre preocupadas com o que acontecia dentro e fora do jogo, mas juntas, presas no próprio mundo, o volume de tudo aquilo parecia menor, se tornava fácil de pensar, se tornava confortável, se tornava seguro, o mundo parecia mais seguro, mas só porque podiam desfrutar do sentimento que tão poucos tinham a oportunidade e experienciar, elas tinham amor. Diferente de relações como a de Arthur e Carla, ou Thaís e Carla, que mais traziam conflitos que soluções, a delas não era formada apenas de paixão, elas tinham amor em sua forma mais pura, como admiração, carinho e cuidado. Talvez por isso incomodassem tantos, talvez por isso chamassem tanta atenção, mas não era como se ligassem para isso, estavam ocupadas sendo felizes.

Aquela festa do líder estava servindo para mostrar ainda mais quem eram seus inimigos. Enquanto o casal se divertia, os olhares eram direcionados sem disfarce, as observavam sem medo de qualquer interpretação errada, estavam as analisando com atenção para tentar fazer o que tantos outros estavam tramando, mas não haviam conseguido.

— A Juliette te falou alguma coisa? — o cantor perguntou para o amigo depois que deixaram Rodolffo para trás e se isolaram mais uma vez no cantinho deles.

— Nada de útil. — suspirou se jogando numa cadeira — Ela saiu quando viu a Sarah com raiva. O que você disse pra ela?

— Só falei a verdade. — deu de ombros — Mas ela não gostou. Não pode falar da namorada dela. — sentou ao lado do amigo e continuou encarando as outras duas — Sarah não vai votar com a gente, mas pode ser que Rodolffo vote. A gente vai ter que falar com ele.

— Ok. Depois eu falo.

— A gente tem que tomar cuidado. Ninguém do lado delas saiu. Você tem que ser convincente com o Rodolffo. — estava sério.

— Confia em mim não? Eu sei jogar. — se defendeu com a voz um pouco mais elevada e isso bastou para que Projota assentisse e voltasse a olhar a festa.

Um pouco afastado deles haviam mais conversas paralelas, mas mais voltadas a trivialidades do que a futuras ideias de jogo. Thaís e Viih Tube, por exemplo, comentavam sobre as bebidas que já haviam experimentado naquela noite, Carla estava um pouco de lado na conversa, mas continuava ali, estava esperando o momento certo para falar com Thaís.

— Oi, amiga. — Camilla a abraçou pelos ombros. A influenciadora estava junto de Rodolffo e Sarah, mas depois que a loira saiu o cantor começou a refletir sobre sua concordância com Projota e usando Camilla para desabafar, mas a influenciadora não estava com muita vontade de escutar um discurso como aquele e preferiu ir atrás de Carla — Sozinha?

— É o que parece, né. — revirou os olhos e desviou a visão de Thaís para Camilla — Cadê o João?

— Com a Lumena. — apontou para o lado em que o amigo estava conversando com a mulher.

— A gente salva? — a loira perguntou um tanto apreensiva com aquela proximidade.

— Não. Ele parece tá gostando. — puderam ver ele rindo enquanto conversavam — O que tá achando da festa?

Eternidades - SarietteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora