Há dias em que nossas almas não brilham como nossas expectativas. O mundo inteiro parece girar em torno de uma estrela morta e sem luz. O mutismo toma conta de nossos gestos mais espontâneos, e mesmo o belíssimo horizonte que afronta nossa face, nos parece sombrio. Naturalmente, a vida é feita de muitas dores, algumas alegrias, distintas felicidades e realizações; dificilmente, conseguimos encontrar equilíbrio em todos os acontecimentos que constroem nossa existência. Como enfrentar a vida? Como torná-la mais bonita? Os gregos recorreram ao teatro, se entregaram à genialidade das tragédias e comédias. Na tragédia, usavam o palco para se mostrarem grandes sobre as aflições da vida e ali, naquele instante, sentiam o alívio, de não serem os protagonistas das mazelas representadas. Nas comédias, zombavam da vida, e ironicamente, riam da desgraça. Talvez o segredo seja sermos autores de nossas próprias narrativas e assim podermos exercer uma certa coerência em nossas escolhas. Afinal o que rege os acontecimentos? Em um cenário que não nos propicia crescer, onde as espadas estão apontadas para o nosso peito e a luz parece rarefeita e distante, enxergar alternativas racionais para a felicidade pode ser a chance perfeita de vermos graça no absurdo. Perceber no caos os detalhes mais encantadores da existência, retirar do impossível a vontade de mudar e invocar o diferente e imaginário. Talvez o tempo se converta em instantes de inspiração e nos permita brilhar e reinventar o amanhã.
