30°CAPÍTULO

47 10 4
                                        

Clara...

Estava encostada no capô do carro, quando senti o celular vibrar no bolso da jaqueta. Atendi na hora, já sabendo quem era.


ligação on...

__Fala, Breno. Aconteceu algo?

__desculpa o horário, você pediu para avisar se a Amanda se encontrasse com alguém, ela entrou em um restaurante aqui na Rua das Orquídeas há uns quinze minutos. Está com uma mulher: bonita, elegante, roupas caras, elas estão sozinhas na mesa do fundo.

Senti o fogo da raiva subir à garganta, as unhas cravando devagar na palma da mão. Linda. Elegante. E sozinha com o que é meu.

__E ela não percebeu que você está de olho?

__Não, chefia, fiquei do outro lado da rua, discreto como mandou.

__ótimo, fica aí. Qualquer coisa estranha, me avisa na mesma hora. E não sai daí até eu mandar.

Desliguei sem esperar resposta, joguei o celular no banco e soltei uma risada seca, então é assim? Pensa que pode sair por aí, esconder encontros e ficar sentada conversando com uma mulherzinha como se não tivesse dona? Pois vou lá ver quem é essa que ousa chegar perto do que me pertence.

[...]

Entrei devagar, sem pressa. O leve som do sininho da porta ecoou, e na mesma hora a Amanda virou o rosto para mim. Seus olhos se arregalaram de surpresa, ela ficou pálida, inquieta na cadeira. Caminhei até a mesa, sem desviar o olhar de nenhuma das duas, parei ao lado dela e apoiei a mão com firmeza no seu ombro.

__espero não está atrapalhando.

A Amanda se apressou, a voz um pouco trêmula.

__Clara, essa é a Valentina, prima do Gustavo. Valentina, essa é a Clara.

Valentina se levantou devagar, estendendo a mão com uma calma que me irritou.

__muito prazer, Clara, ouvi muito falar de você.

Segurei a mão dela num aperto forte, demorado, soltando-a em seguida.

__eu me lembro de você__afirmei direto, sem rodeios__estava no estacionamento, no dia da formatura. Parada, olhando. Você viu tudo, não viu?

A expressão dela endureceu, mas não recuou.

__Vi o que estava ali para ver.

__então já sabe o que preciso dizer__ me sentei aproximei-me um pouco mais, puxando a Amanda contra mim, deixando claro a quem ela pertence__A Amanda é minha, de ponta a ponta, e eu espero que você não esteja aqui com segundas intenções. Porque eu não divido o que é meu. E muito menos gosto de quem chega tão perto assim.

Valentina não baixou a guarda, ao contrário, me encarou firme, e soltou a frase como se fosse a coisa mais natural do mundo.

__Não tenho olhos para ela, Clara. Quem eu quero... é você.

O ar pareceu parar ali, senti o corpo da Amanda enrijecer ao meu lado no mesmo instante, virei o rosto devagar para ela, e encontrei o seu olhar, cheio de ódio, queimando de raiva, cravado em Valentina.

__ Ela não está disponível - disse a Amanda, a voz baixa e cortante__e muito menos para você.

Valentina sorriu de canto, tranquila, como se já esperasse aquela reação.

__O que é para ser nosso, a gente conquista, e eu não costumo desistir do que quero.

Eu apertei levemente o queixo da Amanda, pedindo calma, ela volta a encarar a Valentina com um sorriso debochado.

__pois aprenda logo, o que é meu, ninguém conquista, e ninguém toca, se pensa o contrário, vai descobrir do pior jeito possível.

A Valentina sorrir, levando o copo a boca, vamos vê até onde ela é capaz.



__temos um acordo, Amanda__falou devagar.

__que acordo?

__Ela sabe o que precisa fazer.

Senti a Amanda apertar a minha mão por baixo da mesa, com uma força desesperada, e eu entendi na hora, ela não quer falar, não irei insistir, pois uma hora eu descubro.

Inclinei-me um pouco mais sobre a mesa, os olhos frios, sem tirar o sorriso dos lábios.

__ela não aceita.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Jul 26 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Paixão Proibida Histórias para pegar e não largar. Descubra agora