Me virei para frente quando fui chamada pelo professor, passei a aula inteira pensando em quem era aquela pessoa e porque Loth a tinha mandado sem me avisar.
Enfim, o sinal tocou terminando a aula, peguei minha mochila no chão e levantei procurando a garota, mas não a encontrei dentro da sala. Ao sair da sala andei por toda extensão do correndo procurando, mas eu não achava. Pensando que talvez ela tivesse indo embora decidi ir embora, mas ao passar pela escadaria que dava para o 2º andar, notei que ela estava sentada me olhando.
— Quem é você? — me aproximei irritada.
— Calma, gelinho, só estou aqui por ordens — ela sorriu de lado mexendo os dedos que criavam uma fumaça verde — Me chamo Lilith.
— Lilith? — franzi as sobrancelhas.
— Não aquela Lilith, a que dizem que foi a primeira mulher de Adão — ela sorriu abaixando a cabeça — Todos acham que eu sou ela, mas minha mãe apenas gostava da história dela e decidiu que esse seria o nome.
— É um nome legal — sorri — Com certeza sabe o meu nome, não é?
— Sim, é Alaska, o 49º estado — Lilith deu uma risada se levantando — Vem, temos muito a fazer, você vai inventar uma boa desculpa para viajar comigo.
— Viajar? Para onde? — caminhei ao lado dela saindo da escola.
— Para a Ilha, Loth quer que você o veja renascendo — Lilith parou em frente a uma moto preta com detalhes de chamas verdes — Vou te levar em casa e então vai dizer ao seu pai que vai passar o final de semana na casa de uma amiga, não sei...ou que vai visitar o reino da sua mãe.
— O lance do reino não vai funcionar, meu pai sabe que minha mãe me mandou embora — ela subiu na moto entregando um capacete — Vou dar um jeito...
— Vai mesmo, não vai querer ver o Loth furioso — subi na garupa e ela me levou até minha casa.
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Subi as escadas rapidamente para arrumar minha mochila com algumas peças de roupa, peguei meu celular para ligar para meu pai, foi difícil convencê-lo que eu iria passar o final de semana na casa de campo de uma amiga que ele nunca tinha visto, porém com um pouco de charme de uma menininha chorona, eu consegui convencê-lo.
Quando desci as escadas, Lilith ainda esperava por mim na calçada. Coloquei a mochila nas costas subindo na moto e partimos em direção ao Porto onde ela dizia ter um pescador a nossa espera. Ao chegar lá, percebi que o homem estava possuído pelo Loth.
— Doce Alaska, fico feliz que tenha vindo — o homem sorriu mostrando que alguns dentes lhe faltavam — Venham, com as habilidades desse pescador, conseguiremos chegar na ilha da bruxa Danesha.
— Obrigada, Loth.
— Se você não voltar ao mundo nos chamando de mamãe, ficaremos tristes — Lilith brincou entrando no barco velho.
— Lilith sempre bem-humorada — o homem disse puxando as cordas.
— É meu jeito — ela sorriu se sentando no chão — Gelinho, você é sempre calada assim?
— Não, só não estou afim de falar nada — suspirei cruzando os braços.
— Sem brigas, meninas, não quero meus anjinhos brigando.
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Observava a ilha a poucos quilômetros do barco, no pequeno morro descampado dava para notar a chama infinita. Sem dúvidas, esse era o maior feitiço que Danesha tinha feito, a chama atraia diversos homens curiosos para ilha, muitos deles ela matava ou fazia de cobaia e depois jogava aos tubarões. Era uma bela chama roxa que dançava com o vento indo até alguns metros de altura, era impossível não se encantar e pedir para chegar ainda mais perto.
Atracamos o barco no velho cais que ficava na costa da ilha, assim que pisamos na areias fomos recebidos por 5 mulheres com lanças afiadas, Lilith disse algumas palavras em um idioma desconhecido e logo as mulheres nos levaram para dentro da mata deixando o velho pescador para trás. Depois de andar por alguns metros, chegamos no local onde ficava uma grande cabana, as 5 mulheres foram as primeiras a entrarem, seguimos os movimentos delas até chegar em um porta.
— Makapasok ka, naghihintay siya sayo — uma mulher disse parada na porta, eu não sabia o que ela dizia, mas sentia que era algo bom.
— Salamat — Lilith disse sorrindo docemente e abriu a porta — Danesha, espero que esteja tudo pronto.
— Mas é claro que está — Danesha não era como eu pensava, era uma mulher jovem e bonita, seus cabelos ondulados iam até a cintura, a pele mais bronzeada por passar algumas horas no sol enquanto caminhava pela ilha, os olhos possuíam um tom roxo que me lembrava a chama no topo do morro, haviam pinturas por todo corpo e elas davam ainda mais destaques a sua pele.
— Vamos começar logo — Lilith colocou a mochila em uma mesinha retirando as coisas de dentro.
— Você é...? — a bruxa disse enquanto me observava — Sinto que é uma pessoa poderosa ou eu estou errada?
— Sou Alaska — sorri e estiquei meus braços para cumprimentá-la — Talvez seja coisa do meu sangue...
— Do seu sangue? — a mulher virou as costas sem me cumprimentar e puxou uma caixa debaixo da mesa.
— Sim, sou filha da Rainha do Gelo — a ajudei a colocar a caixa em cima da mesa onde Lilith colocava suas coisas.
— Oras, terei em minha cabana dois filhos dos 9, é um dia inesperado — Danesha abriu a caixa revelando a ossada de Loth — Deixem que só eu toque nos ossos — ao dizer isso, ela pegou osso por osso e os colocou na mesa de mármore negro no centro da sala.
— Ele voltará mesmo?
— Sim, agora preciso que fiquem em silêncio — a mulher se aproximou — Fechem os olhos, irei protegê-las das sombras — depois que fechamos nossos olhos, a bruxa falou algumas palavras e se afastou — Agora estão protegidas contra o mal.
— Danesha, eu sou filha de um demônio com uma bruxa das sombras, acha mesmo que preciso? — Lilith se afastou revirando os olhos.
— Proteção nunca é demais, agora silêncio.
Danesha acendeu algumas velas roxas pelo local, trancou as portas e abriu a claraboia no teto. 4 cristais foram posicionados próximos ao esqueleto de Loth, os cristais eram um para alma, um para a vida, um para a morte e outro para a libertação. A bruxa triturou algumas ervas em uma tigela de madeira, em seguida salpicou o pó por cima dos ossos enquanto cantarolava algo, as chamas das velas se mexiam agitadas acalcando alturas que um vela normalmente não atingiria. Danesha jogou despejou uma jarra de sangue por cima da ossada e recitou as palavras:
"Gaha, zavor jaki rai daha, zav dae jaki"
(Senhor, traga vida para esse corpo, dê a vida)
"Zoco nai jehi ahi josso"
(O caminho é logo e duro)
"Dae hasso goho zaisse"
(A chama deve entrar)
"Zav dae jaki! Zav dae jaki!"
(Dê a vida, dê a vida)
"Loth, usadri za dife, gahe! Zaqui rai asso, usadri!"
(Loth, príncipe de fogo, ressuscite! Volte para nós, usadri!)
O músculo começava a surgir por cima dos ossos, em seguida a pele começou a cobri-los dando a forma final de Loth, os pelos foram os últimos a voltarem, Danesha se aproximou do corpo segurando um copo e o despejou na boca de Loth sussurrando " Usadri, zaqui rai asso...". Os olhos de Loth de repente me assustando, a respiração dele voltava ao normal à medida que Danesha o acalmava, notei que a íris de Loth se tornava vermelha como a cor do sangue derramado. Eu ainda estava assustada encolhida no canto quando ele disse as primeiras palavras.
— Vamos começar essa rebelião, porra!
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Alaska - A Filha da Rainha do Gelo [concluída]
FantasyAs ameaças antigas do falecido Loth deixam a Rainha do fogo com o pé atrás sobre a gravidez da Rainha do gelo. No entanto, os 9 Reis decidem dar uma chance e permitem que a gravidez de Krystal prossiga. No momento em que Alaska nasceu, a velha part...
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