Quintal

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Melanie estava na janela, como de costume.

- Por que você observa a janela?- Lalo percebeu que ela o fazia com frequência.

- Eles não me deixam sair.

- Não?

- Você nunca me viu tomar sol. Medrosos. Ficam me privando por covardia. Já nem me lembro de como é pisar na grama.

Depois daquela sessão, Lalo solicitou a direção de Creedmoore a permissão de Melanie para tomar sol, alegando que ela estava progredindo e se comportando bem. Foi concedida.

Eu me lembro bem daquele dia. Lá fora estava ensolarado, mas a brisa não deixava ficar quente. Estava muito agradável. Depois de 7 meses confinada na acomodação, Melanie finalmente podia ir ao quintal do hospício.

Quando Lalo disse que iria levá-la para fora ela franziu as sombrancelhas, para logo depois abrir um sorriso. Quando ela chegou ao gramado ela jogou os sapatos e deixou que a grama provocasse cócegas e umidecesse seus pés. Ela gargalhava. Estendeu seus braços e olhou eles ao Sol. De repente, ela olhou Lalo e disparou na direção oposta. Caiu de joelhos rindo. Se deitou colocando o braço tampando os olhos do Sol. Lalo apenas a observava sorrindo.

- Hey, vamos brincar de pega-pega?- Lalo sugeriu.

- Como é isso?

- Você não sabe?- Lalo estava espantado- É uma brincadeira boba, mas divertida. Você tem que me tocar, se você conseguir, eu viro o pegador e você foge.

Durante duas horas ele a ensinou brincadeiras de criança, que ela aprendeu e adorou. Era encantador vê-la gargalhar como antigamente. Quando já estavam cansados de correr e pular, ele pegou um dente-de-leão e a entregou. Ela o olhou como se perguntasse "Por que diabos você me entregou isso?". Ele então arrancou outro e soprou. Ela arregalou os olhos e soprou o seu.

- Isso é meio banal- ela arrancava os "pelinhos" que não saíram e soprava da mão.

- Como?

- A gente está matando um ser só pra soprar e ficar alegrinho.

- Pode ser, mas a gente está ajudando outros a germinarem. Isso que a gente sopra são sementes, Melanie.

- O vento faria isso. E ele continuaria vivo.

- É, pode ser um pouco banal.

Eles ficaram olhando os cabinhos que sobraram em silêncio.

-Sabe,- Dr. Zamenis a olhou pelo canto do olho- você pode confiar em mim. Sou seu amigo.

Ela o olhou visivelmente confusa. Rapidamente desviou o olhar.

-Okay. Acho que isso é bom.

-Acho que sim.-ele sorria.




O caso de StuttgardOnde histórias criam vida. Descubra agora