Lorena era uma mulher longeva. Senhora calma, aparentemente abatida pela vida. Era uma sibila. Pacientemente, ensinava a Melanie ebós. A menina tinha uma estranha devoção e facilidade para proferir os encantamentos. Ela estava diferente, sua alegria ingênua havia se esvaído. Agora, ela sorria ao fazer criaturas sucumbirem se debatendo em agonia. Ela prendeu um espírito num urso de pelúcia e o chamou de Ed, levava-o onde quer que fosse, como um talismã.
A velha acreditava que Richard fez o que fez por dinheiro, já que era um caçador e não recebia uma remuneração alta, e o dinheiro deixado para Melanie seria suficiente para viver bem por algum tempo.
Esse foi um dos motivos para Melanie criar sede pelo sangue de Richard. Treinava incansavelmente arremesso de facas, lutas, aprimorava sua furtividade, trabalhava com armas e estudava o corpo humano, atenta às fraquezas que encenava num combate contra um tronco de uma árvore.
Ao completar sete anos, a garota vestiu um manto negro. Levando consigo a roupa que vestia, seu urso e uma mochila com equipamento e água, a garota montou em seu holsteiner negro e invadiu a noite. Ela partiu à caçada do assassino de sua mãe.
Finalmente chegou ao edifício de concreto, depois de extrair informações de alguns membros do grupo de forma não muito amigável, porém eficiente. Observou a movimentação interna e externa e então começou a implantar ciladas. Não queria chamar atenção, entretanto estava impaciente por não saber quanto tempo tinha para sanar sua ansiedade.
Um a um, os aliados do seu alvo foram deixados inconscientes. Ela não queria matá-los, não naquele momento. Estava focada em seu confronto e não queria interferências. Não sabia a quê iria designar aqueles homens depois de tirar-lhes a liderança, não iria perder tempo determinando isso naquele momento.
Parou em frente à entrada do salão com seus pincéis a mãos, pronta para pintar. Estava transbordando de inspiração.
Considerou anunciar sua chegada escancarando a porta com brutalidade, mas aquilo seria desnecessário. Entrou silenciosamente no cômodo amplo, os olhos castanhos embaixo do capuz analisando o ambiente imerso em penumbra. Aguçou os sentidos: havia um indivíduo se esgueirando no canto do compartimento, tentando se ocultar. Melanie apenas sacou uma pistola 9 mm com silenciador e atirou na cabeça, fazendo com que o som de tiro abafado e um murmúrio pairassem sobre a sala. Ela se deslocou onde lugar que estava com movimentos mudos.
- Quem é você?- a voz do homem que tanto desprezava perguntando quem era ela provocou um sorriso no rosto parcialmente coberto. Ela pôde enfim localizá-lo próximo a uma janela alta, pela qual a entrada da luz de fora era permitida o suficiente para manter o cômodo limitadamente claro.
- Não reconhece sua garotinha?- seu sorriso se ampliou com o olhar de espanto de seu adversário.
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O caso de Stuttgard
HorrorEla era uma pequena artista, cuja arte era a morte. E estava prestes a fazer sua obra prima.