Raki'a, segundo céu, após a grande queda.
-Acho que os despistei... – Pensou.
- Não adianta fugir seu verme, nós o encontraremos. – Gritou uma voz. – E você vai pagar pela a sua traição.
- Droga, não pode ser... Talvez se eu lut...
Uma flecha passou perto do seu elmo, quase o atingindo em cheio.
- LA ESTA ELE! – Gritou uma voz feminina.
Ele piscou por um segundo e já estava cercado por inimigos alados, alguns portando espadas reluzentes e outros com bestas de ouro e prata, todos trajavam armadura, algumas estavam acabadas por causa da grande guerra. Ele apenas possuía sua espada de ponta dupla e sua armadura de prata.
- Eu disse que te encontraríamos, tenho nojo de você. – Disse o ser que parecia estar no comando da tropa inimiga. – Vamos fazer você sofre pela sua traição.
- Eu não tenho culpa de nada, fui traído como vocês, ele disse que era um projeto do nosso Pai celestial! – Afirmou ele enquanto tirava o elmo de batalha. – Se você quiser me matar aqui Balberith, podem continua, mas eu irei morre com dignidade por não ter ferido nenhum irmão nessa catástrofe, não tenho que mentir, fui um idiota crendo cegamente que tudo o que Lúcifer dissesse era verdade e devo pagar pelos meus erros, afinal de contas sou um querubim, fui treinado para matar e não para perguntar.
Um dos seres que portava uma espada diferente dos demais, era uma espada de fogo reluzente, se aproximou do líder da tropa inimiga e falou baixo para que ninguém o ouvisse falar. Balberith ouviu com atenção, logo após retirar seu elmo, ele possuía várias cicatrizes no rosto devido à grande guerra.
- Tudo bem Uriel, os Arcanjos em uma dívida com você pelos seus serviços prestados a eles e você ainda assim terá que pagar pelo o seu erro e é claro que a sua pena não vai ser igual ao dos outros anjos e Lúcifer, você está a partir de agora condenado a vagar pela face do paraíso até o fim do sétimo dia, quando o nosso Pai despertara do seu descanso para julgar os impuros.
Uriel se espantou com a resposta de Balberith, mas ele também observou o anjo que levava na mão a espada de fogo, ele possuía uma armadura completa que não deixava nenhuma parte corpo amostra.
- Os arcanjos? – Perguntou a si mesmo – Não acredito!
Ele reconheceu o alado da espada de fogo, para espanto dele, era Gabriel um dos arcanjos.
- Ei você ai. – Uriel chamou a atenção do arcanjo. – Eu lhe conheço...
- Sim, você me conhece. – O arcanjo logo lhe cortou antes de dizer seu nome para todos. – E é por isso que vai acatar a sua sentença sem reclamar, só o nosso batalhão sabe que você está vivo, e se isso chegar aos ouvidos do resto dos alados, você será caçado.... Até ser morto... Só um conselho, é melhor você ir logo...
- Tudo bem...
Mas antes que ele se virasse um alado se colocou atrás dele.
- Antes de você ir, deve deixar a sua espada e armadura.
Uriel olhou bem no rosto dele, não o reconheceu de início, mas tudo o que veio em seu coração naquela hora era fugir, ele podia entregar sua armadura, mas sua espada não entregaria sem lutar.
- Eu entrego a minha armadura, mas a minha espada eu não entrego... Não sem lutar. – Sem que Uriel percebesse suas seis asas estavam em modo de combate; A tropa ficou preparada para o combate que viria a seguir.
- Está certo Uriel, pode ficar com a sua espada. – Falou o arcanjo.
- Muito obrigado. – Respondeu Uriel.
Uriel começou a retirar a sua armadura, parte por parte.
- Tenho que tomar cuidado... – Pensou ele. – Por mais que o arcanjo esteja com eles, não dar pra eu confiar neles.
Por fim ele estava apenas trajando uma espécie de manto e sua espada.
- Que o nosso Pai esteja convosco Uriel. – Desejou Balberith.
- Desejo o mesmo a vocês todos meus irmãos. – Falou Uriel.
Gabriel se achegou até ele e segurou no seu ombro.
- Fique firme criança. – Uriel olhou com uma cara de surpresa e ao mesmo tempo desprezo. -
- Tudo bem. - Uriel se chegou perto do elmo do arcanjo e falou baixinho para que ninguém pudesse ouvir. – Um dia eu voltarei aos céus meu irmão, ou melhor, arcanjo.
Assim Uriel voou até o portal mais próximo dali; chegando lá, ele estava sem nenhuma segurança, talvez por causa do chamado do Arcanjo Miguel para o grande combate; O que lhe assustou no começo, ele pensou ser uma armadilha, mas logo percebeu que ele podia seguir em frente. O portal era uma espécie de caverna, pela qual parecia sugar até a luz para dentro de si. Ele entrou no portal, seu corpo sentiu uma dor que nunca ele sentira antes, um brilho cósmico cobriu seu corpo, ele lutou para não ser vencido pelo cansaço que também era algo novo para ele, mas sem vitória ele adormeceu; Ao acordar ele estava deitado na grama alta na beira de um lago em uma região montanhosa com um vale extenso a sua frente, era amanhece, o sol resplandecente por detrás das nuvens se mostrava como o rei da criação, uma dor de cabeça começou a preocupa-lho, mesmo assim ele se levantou e olhou a seu redor o extenso vale, alguns animais estavam na beirada do lago bebendo água, outros corria de um lado para outro, ele decidiu ir até o lago, seu instinto o falava para beber um pouco de água, isso seria mais uma das coisa que ele nunca precisara fazer antes de ser expulso do céu.
- Tenho que me esconder o máximo possível, isso significa que terei que me tornar um mortal... Mas primeiro eu preciso procurar por roupas. – Logo pensou, enquanto bebia um pouco de água.
Por mais que suas asas fossem magníficas ele teria que as esconde por dentro da pele, um truque que os celestiais usam quando vem ao plano físico, mas dessa vez foi dolorido esconde-las. Algo o chamou atenção na água, um reflexo de um ser que ele nunca vira antes, mas ele estava sozinho ali, ele podia sentir quando um ser vivo racional ou não estava por perto, mas aquilo na água era um reflexo dele mesmo.
- GABRIEL! – Uriel gritou, e se lembrou que o último a tocá-lo foi o arcanjo e o único com poder suficiente para tal coisa. – Prometo a mim mesmo que você me pagará.... Ou melhor, deixarei que o Criador faça isso por mim.
Ele estava mais calmo, parecia que olhar para o céu o fazia lembrar-se dos dias com o Criador, e isso o acalmava quase que instantaneamente. Ao olhar novamente para água a busca do reflexo do ser e o que encontrou fora apenas a imagem do Uriel celestial, ou melhor, Uriel terreno agora.
- Como pode eu ter duas aparências, talvez seja uma consequência de ter sido expulso do céu... O que me levar a pensar que meus irmãos mandados para o inferno também tenham essa aparência. – Pensou ele.
Neste momento ele sentiu uma espécie de sentimento, algo que dizia que alguém ou algo se aproximara dele por trás, ele aproximou a mão devagar da espada posta ao seu lado e esperou o momento certo de atacar. Ele virou o corpo pronto a acertar um golpe perfeito, mas algo o fez parar antes de acertar sua vítima. Ele olhou fixado e com um olhar de espanto para aquele ser.
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The four renegades
AventuraEm um mundo onde as pessoas estão deixando de acreditar no lado espiritual da vida, a ameaça da guerra entre o céu e o inferno só cresce com o fim do sétimo dia da criação, quatro guerreiros se juntam numa aventura para tentar desvenda quem está por...