E ela se estendeu na ponta do parapeito de sua janela e se jogou. Pobre garota, sua frágil linha de vida se rompeu. Como todas as outras quatro garotas que a antecederam.
Olhei para o corpo e o vi - o homem cruel, com o mesmo destino cruel em suas mãos - debruçado sobre a garota, levando consigo a vida daquele pobre ser que jamais voltaria a sonhar outra vez. Eu vi sua vida se esvaindo lentamente de todo seu corpo, até que o brilho no olhar daquela garota se apagou para sempre.
E quando aquela criatura olhou para mim mostrando seus dentes pontudos marcados pela corrupção, ele sorriu, olhando nos fundos dos meus olhos, eu entendi: Eu era a próxima.
~~Três meses atrás~~
Pi, Pi, Pi.
Bati com todas as minhas forças no despertador, seis horas da manhã como sempre, eu acordava esse horário para ir trabalhar. Eu era estagiária de perito criminal na pequena delegacia da minha cidade: Bauru. Eu havia iniciado o estágio junto com a minha melhor amiga: Sophie. Nós fizemos faculdade juntas e meio que nos entendemos desde então.
Acho que nem no meu aniversário de dezoito anos, eu poderia faltar ao estágio, visto que estava tudo muito corrido e em breve, eu teria que fazer as provas do concurso público.
Dei um pulo da cama, andando depressa até o banheiro. Fiz minha rotina matinal e fui para mais um dia monótono de trabalho. Nunca acontecia alguma coisa por ali, realmente.
Bem, eu nunca estive tão enganada.
~❤~
Fui andando para o trabalho, o preço de um táxi estava um absurdo!
A rua central estava lotada, o que não era comum. Olhei para onde todos aparentavam olhar e vi o motivo. Uma garota se debruçava da sua janela. Meus olhos ganharam foco e, como se fossem uma câmera, deram zoom. Eu podia ver a menina como se eu estivesse na sua frente. Vi ela colocando um pé no ar se equilibrando apenas pelo outro. Era como se meu espírito estivesse fora do meu corpo, eu via tudo, mas não conseguia controlar meus sentidos. Ela pareceu hesitar por um milésimo, respirando fundo finalmente se jogou. Então, eu estava de volta no meu corpo, no momento de ver seu corpo caindo. A gravidade não foi gentil, a menina despencou com força do quinto andar, bateu com um baque surdo na calçada.
- NÃO - Gritei, depois de finalmente recobrar meus sentidos. Corri em direção à garota, aonde já havia uma roda de pessoas curiosas. Não com pena, nem nada do tipo. Só para serem os primeiros a contarem essa grande notícia nessa cidade pacata.
Meu corpo paralisou no caminho quando eu o vi. Um homem no meio da roda. Um sentimento ruim preencheu meu peito, um sentimento que eu conhecia, mas não saberia dizer o que era. Ele vestia uma roupa preta com um capuz que cobria quase toda a sua face. Com passos lentos ele se aproximou da menina. As pessoas cochichavam entre si, nem ligando para o que ocorria na frente delas. O homem se agachou do lado da menina e ainda estancada no meu lugar eu presenciei a pior cena da minha vida: Ele retirou o capuz e seus olhos eram cobertos por sua íris preta, deixando todo o seu olho negro. A sua boca parecia rasgada e quando ele a abriu, vi que era cheia de dentes pontudos e amarelos. Ele foi se aproximando do rosto da menina, chegando perto da sua boca entreaberta, ele arreganhou sua boca deixando seus dentes mais a amostra, uma luz - meio desbotada, parecia contaminada ficando da cor cinza - foi se esvaindo de dentro da boca da menina para a boca desse ser.
O corpo dela instantaneamente, foi se apagando, perdendo todo a sua cor, suas bochechas rosadas ficaram brancas como papel e por último, o brilho dos seus olhos se apagaram, a pupila se dilatou deixando o seu olho todo branco. Ela estava, completamente, sem vida.
- O quê você fez?! - As palavras saíram da minha boca sem que eu pudesse impedi-las.
O homem, que já ia embora, olhou para trás. Mas especificamente para mim, com um olhar surpreso, eu diria. Depois que a surpresa desapareceu, ele deu um sorriso travesso - quase maligno - e sumiu. Simplesmente se foi. Olhei em volta e ninguém parecia ter presenciado a cena, eles continuavam fofocando sobre a menina.
Mas não foi só isso que me deixou preocupada. Todas as pessoas ao meu redor estavam diferentes. Eu podia ver o interior delas, mas em vez de órgãos, elas tinham um sistema estranho. Todas com uma linha, espécie um elástico, dentro de si. Algumas linhas mais finas, outras mais grossas. Algumas eram tão finas que pareciam que iam arrebentar a qualquer momento. Mas não era só isso, a mesma luz cinza que se esvaiu da menina, todas essas pessoas tinham. Algumas cinzas, outras brancas, e a, minoria, luzes negras. Isso me deu calafrios. Eu estava ficando louca?
Sentindo minhas pernas tremerem, senti o pânico preenchendo todo o meu ser, deixando minha respiração irregular.
Sem pensar me virei e comecei a correr, empurrava as pessoas na multidão, algumas reclamavam, outras me xingavam. Mas não importava, eu só queria que elas calassem a boca, as vozes delas estavam na minha cabeça, repetindo de novo e de novo.
Calem a boca, por favor. - Eu queria gritar, mas a minha voz parecia presa na minha garganta.
Com algum esforço, finalmente, consegui sair da multidão, mas o pânico continuava me impedindo de pensar, eu sentia que eu ia surtar a qualquer minuto.
Comecei a correr pelas ruas da cidade, não me importando em ser atropelada, eu só precisava correr. Correr até que isso passasse.
Depois que as minhas pernas já estavam doendo e eu não enxergava mais nada pela minha visão embaçada, eu percebi que já estava correndo há um bom tempo.
Eu sentia frio e aquele sentimento continuava desde a boca do meu estômago até a minha garganta, parecia preso.
Meus pulmões estavam implorando por ar, então, eu finalmente parei de correr, me curvando sobre meu corpo com a respiração acelerada.
Olhei em volta, sentindo a realidade cair em mim novamente e percebi que eu estava em uma densa floresta. Em Bauru não havia florestas, havia?
Eu duvidava que eu tivesse corrido o suficiente a ponto de parar em outra cidade, eu era bem sedentária.
Bichos já picavam o meu corpo e olhando para o céu, constatei que o Sol estava se pondo.
Isso era impossível, ainda devia ser de manhã!
Onde, diabos, eu havia ido parar?
~~to be continued
Heey, obrigada por ler até aqui! Fico feliz ❤
Bom, se gostaram não esqueçam da estrelinha e de comentar.
Não seja um leitor fantasma, até a próxima, beijos!
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No abismo da loucura (Reescrevendo)
FantasíaEmma acorda em mais um dia monótono de sua tediosa vida. No entanto, depois de presenciar um suicídio ela descobre que não vive em um mundo normal e que seu passado lhe esconde muita coisa. Só ela é capaz de quebrar a maldição deixada por um inimigo...
