05.

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- O que está fazendo?

Ligeiramente, me lembro de um rapaz loiro de olhos azuis, gemendo coisas sujas no meu ouvido, o que me faz estremecer de dor e de nojo. O mesmo rapaz, esta a poucos passos de me, com uma toalha enrolada a baixo do seu tronco, de cabelos molhados. Fixo meus olhos no chão, agarrando o lençol bem firme ao meu corpo. Estremeço de nervosa.

- Estou perguntando. - Ele vocifera.

- Estava procurando meu sutiã. - digo em um sussurro, e me arrependo um segundo depois de que vai me dar uma bronca de novo, por não ter respondido mais alto para que ele possa ouvir.

- Esta aqui.

Ergo meu olhar, e vejo tirando de cima da instante de vidro e jogando pra me, que pego com rapidez no ar.
Ele se vira, e entra dentro de um cortina dando entrada para outro cômodo que não tinha visto dentro do quarto. Na velocidade da luz, aproveito sua saída temporária, para vestir o sutiã vermelho. Pego o roupão que está caído no chão, e me envolvo nele, atirando o lençol para o chão.

Ele volta, e agora está usando um terno preto, sem a gravata e com as bordas de sua blusa branca social pra fora da calça bem passada.

- Você precisa de umas roupas. - Ele finalmente comenta. O que ele está querendo dizer?

Tenho medo de requisitar sobre o que falou, e me mantenho calada e esperta para qualquer perigo.

- O vôo vai chegar a dez minutos. Precisamos está lá menos de cinco.

Precisamos?
Não estou entendendo nada.

- Vamos. - sua voz soa normal, como se tivesse em uma reunião de trabalho.

Ele sai do quarto e meu instinto é de segui-lo.

Minha expressão é de confusão. O que está acontecendo? Meu coração acelera com medo, de que algo errado possa acontecer.

A sala de esta transpira clareza e design. A bancada da cozinha está repleta de frutas e pães. O som do trânsito é abafado do lado de fora. As cortinas são poucas. O terraço é preenchido por uma mesa de dois lugares com estilo casual, e algumas vegetações em potes médios, pequenos e grandes enfeitam o ambiente. Parece aqueles apartamentos de revista.

O homem loiro, de sapato social caminha até ao pé do terraço, presumo que está fazendo uma ligação.

- Quero vocês aqui, agora, para levar a garota. Não posso demorar. Tenho muitos trabalhos para fazer na Irlanda. -

Em um clique, ele desliga o telefone. Ele se vira pra me, que estou de pé na beira da bancada, e depois vira de costas, como se não tivesse me visto.

Enquanto anda pra lá e pra cá, como se tivesse concentrado em alguma coisa, um bater na porta soa, e algo dentro de me palpita. Eu vou pra casa, por isso esses guardas estão aqui. Digo mentalmente. Daqui algumas horas, vou estar com meu pai.

Os guardas entram, e estou a espera de que me arrastam pra fora desse prédio, onde eu nunca entrarei de novo. Angústias se unem no meu peito, e só de pensar que deixei tal ato acontecer ontem a noite, começo a me sentir suja e imunda. Mais eu fiz isso para o bem do meu pai, eu não sou importante.

- Levam a para o avião. - Ele ordena para seus homens.

Que avião? - O que? Que avião?

Soltos os meus punhos abaixo. O que eu não estou sabendo?
Ele se vira com uma cara indiferente, como me ousasse ao questionar lo.

- Você vai comigo. - Ele diz, com uma voz tranquila e ao mesmo tempo ríspido.

- Eu não vou pra nenhum lugar, eu vou embora. - cerro meus punhos, e reforço minha voz com mais clareza.

Ele se aproxima, e chega mais perto de onde estou, me deixando nervosa, com medo de que ele vá fazer alguma coisa. Eu coloco meus braços de volta ao redor do meu corpo. Ele olha fixamente para os meus olhos, arrancando uma lágrima dos meus olhos.

- Eu te comprei por um milhão de dólares. Acha mesmo que eu gastaria isso por uma noite com uma virgenzinha de merda? - Ele cospe na minha cara.

Como é que é? Fico horrorizada com as palavras que usa para me ofender.
O que ele pensa que é? Para falar comigo desse jeito? Minha expressão muda para uma carrancuda, e sinto meu sangue subir.

- Você não tem direito de falar assim comigo!

- Você é minha agora. Eu faço o que eu quiser com você. - fala friamente, como se já repetisse isso muitas vezes.

Sinto mãos nos meus braços. Olho para os lados assustada, e noto que os guardas estão me arrastando para frente da sala seguindo para a porta.

- Não! Você não pode fazer isso comigo! - começo a chorar desesperadamente. Meus joelhos vão ao chão, porém os guardas tem força o suficiente pra me erguer. - Não! Não! - grito com lágrimas nas bochechas. O desespero e a angústia invade meu corpo sem permissão. Não, isso não pode está acontecendo. Meu Deus me ajuda!

- ME SOLTA! ME SOLTA! - grito com aflição. - NÃO! NÃO! - grito mais alto que eu posso.

Deus porquê? Porquê me abondonou? Por que? Isso não pode está acontecendo. Socorro! Socorro! Não! Não!

Meus olhos estão ardendo em chamas, jorram como se fosse o último dilúvio me impedindo de enxergar o que está havendo. Meus olhos gritam a mais que minha boca. Ódio, raiva, arrempedimento e angústia se misturam formando um sabor ruim da infelicidade.
Sou arrastada aos gritos para fora do prédio, e tento fugir dos apertos dos homens e perdo a cada escapada. Quero correr, correr para bem longe dali. Não percebo o que os guardas estão planejando, até sentir uma agulhada no meu pescoço, que faz eu parar de me debater. E a última coisa que escuto, são os dois guardas murmurando.

- Pronto. Nada de gritos e choro.

[...]

- Luna? - escuto a suave voz da minha mãe chamando.

Abro meus olhos lentamente e vejo minha mãe sentada do lado da cama com um sorriso caloroso. Sorrio contra o travesseiro e levanto devagar me espreguiçando.

- Vamos meu amor, o cadê da manhã já está na mesa. - Ela beija o topo da minha testa, levanta e vai embora.

De repente, um zumbido agudo toma conta dos meus ouvidos, rapidamente pressiono minhas mãos contra minhas orelhas numa tentativa de fazer aquilo parar. O interior do quarto rosa muda, e uma pequena janela aparece. A realidade volta a tona, quando meu consciente avisa que tudo aquilo era um sonho.

Sinto minha cabeça latejar quando recupero minha consciência. Do conta que estou enrolada e encolhida em uma poltrona com a cabeça do lado da janelinha que tinha visto no sonho. Com a visão ainda turva do sono imprevisto, um homem de smoking ronca, quase praticamente deitado em cima da poltrona ao meu lado. Duas poltronas fofas estão a nossa frente. Não dar pra ver quem estão sentados neles, até alguém se mexer e levantar arrancado barulhos silenciosos. Me assusto ao vê o homem de cabelo loiro caminhar até uma porta pequena. O banheiro. Fecho os olhos para não perceber que estou acordada. Passa poucos minutos, ele sai e volta para seu lugar. Um suspiro tremoso escapa dos meus lábios, e sinto meu corpo relaxar e volto a dormir.

O zumbido do motor do avião se torna risível de ouvir, até notar que não há volta.

[...]

Abro os olhos, e parece que estou carregando dois tijolos nas pálpebras. sobras e vozes passam apercebidos. Sinto meu corpo relaxado e descansado. Recupero minhas forças aos poucos.

- A garota acordou. - um dos guardas avisa.

- Ótimo.

Ótimo.

- Faltam 10 minutos pra pousar.

A quanto tempo estou desacordada?
O céu está cheio de nuvens, até aparecer um campo verde pela janelinha. O avião pousa em uma espécie de pista privada.

- O que fazemos com ela?

- Levam-la pra minha casa. O resto, deixa comigo. - o loiro leva os óculos escuros até o rosto e sai do avião.

NinfomaníacoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora