Capitulo 2

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       Eram aproximadamente uma hora da madrugada quando pousei na terrinha da minha tia. Ela foi me buscar dessa vez não tinha AC/DC, nem Beatles, o clima não era muito favorável. Ela tentou puxar algum assunto que não fosse a morte de meu pai, mas era impossível. Então decidi contar sobre alguns livros que gostaria comprar.

       - Adorei os livros, inclusive ótimos autores – disse ela-apenas abaixei a cabeça e falei baixinho – é verdade

     - Amanhã passamos na biblioteca da cidade e compraremos livros novos para ti

         Fiquei super feliz, por dentro, porque se fosse demonstrar minha felicidade por fora não daria muito certo, era como se estivesse travada, não conseguia demonstrar nenhum sentimento.

          No dia seguinte, ela me acorda logo cedo com uma luz em minha cara dizendo sorridente ‘’ – Acorda mocinha, hora de fazer as compras! ‘’ – Compras? Que compras? ‘’- disse a mim mesma, levantei da cama toda descabelada, e fui me arrumar para ir a tal compra, não conseguia me lembrar de que iríamos à biblioteca da cidade.

         Passamos horas comprando livros e livros, até que paramos para lanchar e minha tia insistiu em um assunto ‘’- Clarice eu não quero ser chata, mas você sabe como eu sou como dizem os seus primos: “Sou moderna demais para minha idade”. Olha acho que você deveria curtir a vida, ir a festas, fazer novos amigos, começar uma nova etapa em sua vida, repaginar o seu guarda-roupa, viajar, aprender coisas novas. ‘’ – Confesso que achei uma boa ideia, mas não tava a fim de investir nelas, o luto ainda tomava conta da minha disposição, apenas abaixei a cabeça e concordei

           Na volta, passamos no supermercado para comprar as coisas para a ceia de natal, que estava perto. Esse seria meu primeiro natal sem o meu pai, sim era triste, mas não queria ficar lembrando, apenas tentei colocar uma coisa em minha cabeça – ‘’ meu pai está no melhor lugar que uma pessoa poderia estar agora, ao lado de Deus ‘’ -  Em todo natal, era tradição a família inteira ir dormir na casa da minha tia Ana, era uma farra só com os meus outros tios. E sempre depois do ano novo íamos para praia soltar fogos.

         Chegamos à casa a noite, cansada apenas terminei de guardar as minhas coisas no meu novo quarto, enquanto minha tia arrumava o quarto para quando a família chegasse. Recebi uma mensagem da minha mãe, dizendo que não poderia ir passar o natal conosco, confesso que me senti sozinha como se não tivesse mais família, nem mãe, nem pai.

       Como faço de costume quando quero pensar, fico observando o céu. Mas nem deu muito certo, pois invadiram meu quarto, minhas tias e meus tios para apertar minhas bochechas e falar –‘’ Nossa Clarice, como você cresceu – ‘’ Típico do tio César fazer isso.

       Trouxeram-me presentes atrasados de aniversário, como sempre roupas e livros, minha tia Ana me deu o presente mais legal de todos, um disco autografado do Pink Floyd. Naquela noite, foi impossível dormir, e pela primeira vez depois de tudo que aconteceu, tia Lucia conseguiu arrancar meu primeiro sorriso. Foi como dar os primeiros passos, todos começaram a bater palmas. No momento não entendia o porquê das palmas, depois que a ficha caiu. O motivo das palmas era por ter dado um sorriso, como dizia tia Lucia '' O sorriso do recomeço ''. Descemos todos para jantar, colocar as novidades em dia, ideias de ceia para o natal, e ideias e coisinhas para a decoração da casa.

        Amanhecemos todos caídos no tapete da sala de estar, a TV ligada e papeis de presentes espalhados pela casa. Peguei os meus presentes e subi para o meu quarto e quando felizmente cai no sono novamente, sonhei com meu pai que repetirá a frase que minha mãe me disse antes de partir para o aeroporto. ‘’- Não deite com mágoas no coração, Não durma sem ao menos fazer uma pessoa feliz! E comece com você mesmo’’ – 

365 doses de como ser feliz (ou não)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora