Capitulo 11

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         Sentei na cama enquanto as cortinas balançavam com os ventos intermináveis daquela noite fria. Fiquei pensando nas palavras que minha tia havia me dito á minutos atrás e, talvez ela tenha razão. Comecei a me recordar de momentos da minha infância.

        Sem querer me recordo do dia em que ganhei uma pulseirinha, ela era azul marinho cheia de pedrinhas brilhantes. Havia ganhado do meu pai, naquela época eu não tinha muito contato com meu pai, eu não conseguia conversar com ele, ter aquelas conversas que pai e filha costumam ter.

         Ele estava com o uniforme do trabalho e, por incrível que pareça me recordo até hoje do horário daquele dia, eram exatamente onze horas da noite, ele havia chegado do seu primeiro dia no novo emprego. Ele se sentou na beira da minha cama e, levemente pegou no meu pulso e falou ‘’- Clarice, eu estava no horário de almoço na empresa, quando vi essa pulseirinha numa loja que havia ali perto. E eu me lembrei de você ao ver a delicadeza da pulseira e... Eu quero que você a carregue para sempre com você ‘’. Olhei pra ele com um sorriso estampado no meu rosto, encantada com a beleza daquela pulseirinha e falei ‘’ – Papai, essa pulseirinha é da sorte?’’- E, ele acenou com a cabeça dizendo ‘’-Faça seus pedidos, você tem direito a quatro pedidos. Vamos fazer assim, você pensa em algo que quer muito e eu dou um nó, até formar os quatro nós da sorte’’. A cada desejo que pensava era um nó.

       Até que fui crescendo cada dia mais. E me deparei com as dificuldades da vida, as dificuldades que alguns adolescentes costumam ter. Em um momento de raiva estourei a pulseirinha, nem eu mesmo acreditei que tivera cometido àquela maldade, ou melhor, aquela crueldade, foi meu pai que havia me dado ela. Naquela noite eu fiquei muito triste e até cheguei a chorar a noite inteira. Até que meu pai chegou e, percebeu que estava chorando, sentou-se ao meu lado e, secando as lágrimas que escorriam pelo meu rosto com um pedaço de sua manga disse ‘’-Filha, não precisa ficar assim. Uma hora isso havia de acontecer, não se preocupe Clarice. Apenas tenha fé’’.

       Quando chego no dia seguinte à escola, vejo Ástacia aos beijos com o menino que estava gostando. Foi a pior cena que eu poderia ver. Não faz muito tempo, mas ficou marcado na minha memória sem que pudesse me esquecer daquela cena. Pois no mesmo dia perdi a pessoa mais importante da minha vida, meu pai. É difícil perder duas pessoas que você gostava muito, não há nada que se compare com tamanha dor.

        Mas me recordei da pulseirinha que havia ganhado e, que no pior momento, por uma bobagem a estourei. E sim, aquele momento eu sabia que aquela era a pulseirinha da sorte. Todos costumavam dizer que se você a estoura antes do tempo acontece tudo ao contrário e, realmente aconteceu.

     Acho que tudo que vem acontecendo na minha vida tem um propósito, só eu que não consigo enxergar isso. Talvez minha tia tenha razão, está na hora deu ser feliz, curtir a vida e como meu pai mesmo dizia ‘’- A vida é uma só, viva cada dia como se fosse o ultimo ‘’. Esta na hora de começar a viver, feito uma adolescente. As histórias de minha avó são um grande exemplo de vida, acho que é assim que uma vida tem que ser feita de momentos incríveis. É claro que sempre haverá momentos ruins, que importância as pessoas dariam para os dias ensolarados se não houvesse os dias de chuvosos?

       Com a cabeça aliviada, encostei-me no travesseiro e, em frações de segundos meus olhos fechavam devagarzinho, até eu entrar em um sono profundo.

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