Capítulo 12

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         Acordo rapidamente no meio da noite ao ouvir o som de uma pedra que atingira minha janela, provocando um grande estrondo nos meus ouvidos. Levanto-me tentando evitar o máximo de barulho possível, para poder processar o que havia acontecido ali, quando me deparo com as janelas abertas, as cortinas não conseguiam parar nas paredes de tanta ventania.

         Meus cabelos voavam como se estivesse num campo, onde ventava muito, mas estava apenas no meu quarto. Esfregando as mãos pelos meus braços para provocar algum tipo de calor que pudesse amenizar aquela ventania, que vinha trazendo uma onda de arrepios. Ao me colocar de frente a janela, algo me puxa com tanta força que mal posso me defender. Caio rolando na grama do vizinho.

       A casa que antes morava o menino do shopping (aquele que derrubei os livros no chão e que me perseguiu, praticamente) estava completamente forrada de teias de aranha e muita madeira podre provocando um cheiro horrível. Mas algo lá dentro brilhava, numa intensidade tão forte que a única coisa que passa pela minha cabeça era ir até lá.

        Vou chegando mais perto e, quanto mais perto chegava, as teias de aranha e o cheiro horrível, não existiam mais. Aquilo era perfeitamente impossível, mas algo com uma voz de veludo sussurravam em meu ouvido de forma que me provocasse ondas geladas de arrepios pelo meu corpo ‘’- Vá em frente, vá. Bata na porta, algo incrível espera por você lá dentro’’.

       Eu não conseguia olhar para trás, além de caminhar para frente. Minhas mãos inquietas bateram na porta. Até que a maçaneta faz um barulho assustador e a porta se abre.

       Há uma pessoa sentada de costas para a porta, era possível ver suas mãos nos encostos da poltrona vermelha aconchegante. Só podia se ver os seus dedos, pois a manga da blusa cobria metade de sua mão, uma respiração pesada que emitia sons pela sala, que por sua vez, parecia estar vazia.

- Você tem um novo melhor amigo, não o machuque. Ele pode ser capaz de fazer coisas incríveis por sua amizade.

        Tento ir até aquela poltrona, mas algo me impede, é como se estivesse paralisada por alguns segundos. Tento responde-lo mas nenhum som sai de minha boca, começo a me debater e meus olhos enchem de lágrimas. De alguma forma tento chamar sua atenção. Quando caio literalmente em um buraco.

- Clarice, minha filha, acorda.

        Lentamente meus olhos vão se abrindo, e quando se abrem por completo. A família inteira esta dentro do meu quarto, todos me olhando, com aquele olhar de preocupação. Quando me dei conta, estava rodeada de uma poça de suor, soava frio e meus dentes trincavam.

- Clarice, estamos preocupados com você. Acordamos com você chorando, e ao chegarmos aqui nos deparamos com você soando frio. – Disse minha mãe, de braço cruzado.

       Enquanto todos não conseguiam tirar os olhos de mim, como se estivessem esperando algum tipo de explicação, minha tia Patrícia parecia que já tinha uma explicação.

- Pessoal, acho que esta na hora de todos irem para os seus quartos, ainda são apenas cinco horas da manhã. Mais tarde teremos que preparar coisas para a virada de ano, portanto, precisamos de muita energia. Vamos lá.

        Aos poucos todos iam saindo do meu quarto, minha mãe me deu um beijo na testa e falou para que eu fosse tomar um banho e tentasse dormir de novo. Quase todos saíram menos minha tia, que cruzara os braços e ficara me olhando levantar da cama com o pijama grudado em meu corpo. Ela andava de um lado para o outro, balançando a cabeça como se já tivesse ideia do que aconteceu ali. Abri a porta do meu guarda-roupa e peguei algumas peças de roupas avulsas e uma toalha de banho, sai e fui direto ao banheiro.

      E durante todo o banho, a única coisa que pude pensar era naquele sonho esquisito e, que ele era mais um daqueles sonhos que querem te avisar de algo. Depois de uma boa hora debaixo do chuveiro, estou de volta ao meu quarto. Passo minutos encarando aquela cama e pensando, como aquilo poderia ter acontecido. Apenas peguei um novo lençol e troquei aquele que estava encharcado de suor. Naquele momento eu só queria escutar uma boa musica e colocar meus pensamentos para longe. Numa situação dessas, todos preferem cair na cama e dormir, mas meu sono foi embora junto com todo aquele suor.

       De uma coisa estava certa, tia Patrícia sabia de algo que ela teria que me explicar mais cedo ou mais tarde.

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⏰ Última atualização: Feb 02, 2014 ⏰

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