Chegadas e Partidas

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"Hoje não será o pior dia da sua vida. Hoje e amanhã será fácil. Haverá gente com você o tempo todo, com medo de deixa-la sozinha. O pior dia? Será na semana que vem. Quando haverá o silêncio."

(Damon Salvatore - 6x15 Let Her Go)

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Damon

Eu vi novamente mais um ente querido partir para uma viagem sem volta, mas provavelmente Liz deveria encontrar a sua paz, pois ela era um alguém incrível, que eu ao longo da minha imortalidade, tive o privilégio de conhecer e admirar.

Uma melancolia se instalou sobre nós. Mais uma vez a gangue de Mystic Falls sentiu mais uma perda se esvair entre nós sem chance de ser salvo. Uma perda injusta.

O amanhecer chegou tristonho, frio e nublado trazendo consigo a despedida dura e agoniante.

Pobre Caroline, não teve muito tempo pra se despedir da mãe e novamente era como se eu pudesse me ver naquela jovem vampira que chorava como uma criança nos braços de Stefan.

Parecia que Damon Salvatore estava confrontando novamente seus fantasmas do passado. Fantasmas que eu achei que pudesse enterrar, mas que parecem viver apenas adormecidos dentre de mim.

"E agora como vai ser?" Vejo o reflexo de Stefan no espelho enquanto eu me preparo para o enterro de Liz Forbes. Stefan parecia com o semblante tenso.

"Bom, vamos continuar como sempre fazemos. Vamos continuar sobrevivendo." Eu disse tentando ser ao máximo indiferente.

"Você diz como se fosse fácil seguir em frente."

"Nunca é Stefan. Mas a vida é assim cheia de incertezas, caminhos tortuosos e muita crueldade!"

"Estou preocupado com Caroline, ela... Eu não sei ela parece estar dentro de uma concha tentando se esconder. Eu acho isso muito perigoso."

"É o jeito dela de enfrentar a morte da mãe. É uma forma de se proteger de tudo que possa torna-la fraca."

"Torna-la fraca? Você diz como se isso fosse um pecado." Stefan estava dando volta ao invés de ir direto ao ponto, mas lá no fundo eu senti que sua preocupação não era focada totalmente em Caroline. "Não é uma fraqueza sentir dor, chorar ou até sentir muito ódio." Após terminar de ajeitar a gravata decido fixar minha atenção diretamente ao olhar de Stefan que naquele momento mostrava uma fragilidade me fazendo lembrar-se de um pequeno menino que sempre questionava tudo e que às vezes parecia se comportar com uma maturidade anormal pra sua idade naquela época.

O pequeno Stefan, às vezes, agia como Giuseppe. Nosso pai que havia se tornado um homem frio, apático apenas focado em seus próprios interesses e em fazer de Stefan uma copia de si, sem demonstrar sentimento as quais ele dizia ser apenas para os fracos e covardes de coração.

"Aqui nesse mesmo quarto eu encontrei um menino de 10 anos tentando arrumar a sua gravata, tentando se mostrar muito forte e independente, quando na verdade ele ainda era apenas um menino mimado e bobo com a ilusão que seu pai era seu herói." Eu disse petulante achando graça quando meu irmão franziu sua testa em sinal de desgosto. "E parece que as coisas nunca vão mudar." Eu digo me aproximando e dando uma ajeitada em sua gravata torta.

"Você sabe eu sempre odiei gravatas. E isso é tudo culpa de Giuseppe." Nós dois rimos cúmplices até que seu semblante ficou serio de novo. "Sonhei com a mamãe essa noite. Eu não pude ver seu rosto, mas ouvia a sua voz aveludada ela disse que eu deveria chorar com você que a dor ia passar. Isso é tão engraçado porque eu nem a conhecia, mas ela era tão real." Sua voz ficou embargada e seu olhar lacrimejado, mas ele não chorou apenas fechou seus olhos tentando se conte e depois sua face suavizou.

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