Pinot Noir

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No dia seguinte à caçada, Dean voltou a cidade pela manhã para comprar o que vinha faltando no bunker. A lista do irmão ia de sabão em pó até cenouras.

Com o papel em mãos, empurrou o carrinho pelo supermercado, pegando sempre o produto mais barato disponível nas prateleiras.

Ele não costumava se importar com o preço, até porque o dinheiro que usava não vinha realmente do seu bolso. Mas ultimamente vinha mudando alguns hábitos para acostumar-se a uma vida mais... digna.

Selecionou as cenouras e legumes menos verdes, para não ter de ouvir Sam reclamar sobre a qualidade das suas escolhas, passou tudo no caixa como Dante Williams e seguiu para o carro novamente.

Uma hora (e quatro cervejas fortes no bar da estrada) mais tarde, estacionou na garagem do bunker e deixou as compras sobre a mesa, ainda nas sacolas.

Andou até o quarto e ao abrir a porta, deparou-se com Castiel de pijamas lendo um livro. A luz do abajur reforçando a lâmpada do teto.

-Voltei. -disse Dean, apoiado na parede tirando as botas com os pés.

Cas resmungou um 'aham', sem levantar os olhos do livro.

Dean empurrou a porta e percebeu que duas calças e duas camisas sociais estavam penduradas em cabides no gancho, para o jantar de mais tarde.

-Acho que vou tomar banho e depois dormir um pouco. -avisou e sumiu porta afora, o anjo entretido demais na leitura para respondê-lo.

Vinte minutos mais tarde Dean não tardou a se jogar na cama, fechando os olhos imediatamente. Sentiu que as cervejas estavam fazendo seu devido efeito, pois suas pálpebras ficavam mais pesadas a cada segundo.

-A reserva é as oito. -disse ele com um bocejo, a voz já fraquejando- Então tenho mais ou menos algu...

-Sete horas. -completou Cas com um sorriso ao largar o livro, vendo que o caçador já pegara no sono.

Como Castiel sentira o cheiro de cerveja em Dean quando ele chegou, foi até a cozinha preparar um café forte para quando o mesmo acordasse.

Desempacotou as compras que ainda estavam na mesa e guardou-as. Apesar de não admitir, o anjo gostava de poder arrumar as coisas em seus devidos lugares, a organização sistematizada lhe satisfazia internamente.

Era ele, inclusive, quem conservava o quarto em ordem, porque se dependesse de Dean, a bagunça seria completa.

Levou o cesto de roupas ensanguentadas do dia anterior do banheiro para a lavanderia, fazendo o processo que Sam havia ensinado: checar os bolsos por papéis, separar as roupas coloridas das brancas e desvirar as meias.

Durante o procedimento, encontrou dois rolos de dinheiro no bolso da jaqueta de Dean. Mesmo desconfiado, levou-os para o quarto e continuou seu tour de organização pelo bunker.

Cas ligou o abajur do seu lado da cama por volta das seis e meia, e percebeu que o sono de Dean era pacífico. O que não era comum por pelo menos três dias após uma caçada. Portanto hesitou em acordá-lo, pensando ser melhor deixar o jantar para outro dia.

Deitou-se de lado, alinhado a Dean para observar as curvas e elevações em seu rosto. Ergueu seu braço direito e acariciou a mandíbula coberta pela pele macia, fazendo a respiração do caçador pular um compasso.

Um bipe soou fraco pelo quarto, fazendo o anjo levantar a cabeça em procura do objeto responsável.

O barulho cessou em seguida, mas tornou a ecoar menos de um minuto depois. Mais alto do que da primeira vez. Dean mexeu-se na cama, se deitando de costas e suspirando antes de abrir os olhos devagar.

Building Up • DestielWhere stories live. Discover now