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CINCO DIAS ANTES

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Acordei na minha cama tapado com uma manta, ouvi a voz do meu pai e do Jack, estavam a conversar, apesar das dores fiquei calado para ouvir.

- Jack, eu estou-me a cagar se ele gosta de rapazes ou raparigas! É meu filho, sangue do meu sangue, nunca o vou abandonar. - Aquelas palavras do meu pai deixaram-me emocionado, comecei a chorar silenciosamente. - Eu quero é apanhar os cabrões que lhe fizeram isto.

- Garanto-lhe que eu também! - Ouvir o Jack a defender-me era importante. - Se eu soubesse quem foram estes filhos da puta ... Peço desculpa pela linguagem!

- Não precisas rapaz, entendo perfeitamente. Se não fosses tu a ajudar o meu filho não sei o que lhe tinha acontecido. Muito obrigado.

- O seu filho é uma grande pessoa, ele não merecia isto ... - O Jack não podia ser mais querido.

- Tu e ele, são .... - Ele ia fazer a pergunta. Tentei controlar o choro, queria ouvir a resposta. - Desculpa a pergunta, mas vocês já se envolveram?

- Não senhor, nunca! - Disse Jack rapidamente. - O seu filho é um ótimo colega e uma grande pessoa.

- Peço desculpa então. Mas gostas dele? - Ele não podia estar a fazer aquelas perguntas, ia acabar por o afugentar ou pior. Pensei mexer-me, mas a curiosidade falou mais alto e esperei.

- Eu gosto de pessoas! - Afirmou ele sendo vago.

Fingi que estava a acordar, ambos notaram e aproximaram-se da cama, o meu pai perguntou-me como estava, disse-lhe que tinha dores e que queria falar com o Jack sozinho, o meu pai compreendeu, aceitou e saiu, fechando a porta do quarto.

De pé, ao lado da cama, estava o Jack a olhar-me fixamente com a cara fechada, tinha a mesma roupa de ontem e notava-se algum cansaço. Pedi para ele se sentar na cama e contar-me tudo o que tinha acontecido depois de ter desmaiado nos braços dele.

Fiquei a saber que me vestiu com a roupa dele do treino e me levou em braços até ao hospital, depois esperou a noite toda na sala enquanto me faziam exames, como ficou com o meu telemóvel, e eu não tenho código de acesso, ligou para o meu pai e contou tudo, pediu-me desculpa se não era isso que eu queria, mas eu não me importei. Depois vim para casa e dormi quase por quinze horas, ele ficou sempre aqui.

Depois perguntou-me se tinha sido o Frank e o seu grupo a violarem-me, nesse momento fomos interrompidos pelo meu pai que queria saber se podia deixar a Amy entrar, olhei para o Jack e depois para o meu pai, disse-lhe que sim mas para não mencionar o facto do Jack estar ali, ele ficou na dúvida mas concordou, voltou a sair e fechou a porta.

- Eu entendo se não quiseres ser visto comigo ... - Falei olhando para as minhas mãos. - Mas eu ainda preciso de falar contigo. Será que podes ficar ali na casa de banho, uns minutos? Eu prometo que ela não demora.

- Não tenho problema nenhum em ser visto contigo, mas aceito. - Disse esboçando um leve sorriso. - Depois chama-me que eu volto. - Foi em direção à minha casa de banho, entrou e fechou a porta.

Dois minutos depois entrava a Amy, bastante simpática e preocupada enquanto falava com o meu pai, reparei que este olhou em volta à procura do Jack, mas não mencionou o assunto. Correu para junto de mim e abraçou-me, depois quis saber se era mesmo verdade o boato que andava a circular na escola de eu ter sido violado. O meu pai pediu licença e saiu deixando-nos sozinhos.

- Agora que já estamos sozinhos vou ser direta, estou farta de ser sonsa! - O seu tom de voz alterou, parecia uma pessoa diferente. - O Frank e o bando deixaram-te o cu muito arrombado? - Depois riu sinicamente.

Não estava a compreender o que se estava a passar e tentei perguntar-lhe, não obtendo resposta, ela estava no seu monologo previamente decorado e não ouvia o que perguntava, reparei que a porta da casa de banho se abriu discretamente, o Jack estava a ouvir.

- Pelas imagens que vi a foda foi gostosa! - Riu-se enquanto tirava do bolso um telemóvel. - Os cabrões a mim nunca me foderam assim, até tenho alguma inveja tua.

Mandei-a parar, ela riu-se ainda mais e colocou o vídeo a reproduzir, disse enquanto eu relembrava aquele momento terrível que a ideia tinha sido dela, era uma forma deles se divertirem um bocadinho, aquilo estava a dar-me vómitos.

Nesse momento tudo aconteceu muito rápido, vi o Jack a sair disparado em direção a ela, apanhou-a desprevenida, as mãos dele agarram-se ao pescoço dela enquanto a arrastou até à parede, o telemóvel caiu ao chão, estava a sufocá-la, não o podia deixar fazer isso, gritei o seu nome e ele olhou para mim, pedi-lhe para parar, os seus olhos estavam abertos, ele estava a defender-me, depois soltou-a. Esta caiu agarrada ao pescoço enquanto recuperava ar.

- O Frank ... eles ...eles vão saber disto! - Ameaçou-nos, enquanto fugia. O seu telemóvel ficou lá.

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