Passei o dia anterior num dilema entre ligar ou não ao Jack, optei por não o fazer, ele também não me disse nada, não queria acreditar que tudo não passara de uma brilhante manipulação, ele era igual ou pior que o Frank, chorei muito.
Estava sentado na minha cama, com as pernas cruzadas, a pensar em tudo o que me acontecera nestes últimos dias, tinha chegado à conclusão que se o Frank e os amigos me fizeram aquilo é porque eu tinha merecido, era um falhado, um lixo, um monte de merda que só merecia sofrer.
Estava sozinho, sem amigos, seria a vergonha do meu pai caso soubessem que eu gostava de rapazes, era a primeira vez que me sentia realmente perdido, não fazia sentido continuar por aqui, não faria falta a ninguém, então tomei uma decisão.
Levantei-me, fui até à secretária, peguei numa folha e escrevi uma carta de despedida ao meu pai, "Olá papá, lembras-te quando te chamava assim? Desculpa não ter aguentado, não ter sido um orgulho para ti, fui a vergonha desta família, a mãe morreu e tu foste o meu pilar durante todo este tempo, sei que não foi fácil para ti aguentar, mas ficaste sempre de cabeça erguida ao meu lado, eu sim tenho orgulho em ti. Por favor sê forte, pensa que agora estou finalmente em paz, agora estou em descanso. E por favor desculpa-me. Estarei sempre aqui a olhar por ti. És um grande homem, nunca te esqueças disso. Não procures vinganças ou ajustes de contas, a vida é assim, o meu destino já estava traçado. Obrigado por tudo, agora vou ter com a mãe, prometo que ficaremos os dois lá em cima a olhar por ti. Perdoa-me, por favor ... Um beijinho.", dobrei a folha e fui colocá-la em cima da cama do meu pai.
Deambulei pela casa despedindo-me e recordando tudo o que ali vivera, os natais ainda com a minha mãe, as festas de aniversário, as partidas e chegadas das viagens, as lágrimas ameaçavam cair novamente.
Por morar num prédio a minha fuga para a morte seria atirar-me pela janela, abri-a, o vento bateu-me no rosto, olhei para baixo, não tinha vertigens, mas ao lembrar-me o que ia fazer fez o meu coração bater mais rápido, eram cinco andares, não sabia se iria doer ou não, mas a dor era algo que eu já estava habituado. Coloquei um pé no parapeito e quando me ia içar a campainha tocou insistentemente, assustei-me, voltei atrás e fechei a janela, quando abri a porta vi-a ali, era a Beth. Estava confuso, de repente ela empurra-me para dentro e beija-me, deixei-me levar apesar de não sentir nada.
Arrancou-me a camisola, tocou-me na barriga, eu percorria as mãos pelo seu corpo, puxei-lhe também a camisola de alças, mordeu-me o pescoço, arrepiei-me, ela afastou-se e perguntou-me onde era o meu quarto, apontei e ela voltou-me a beijar, apesar de não sentir nada, não a parei, agarrou-me e empurrou-me até ao quarto, abri a porta entre alguns amassos, caímos sobre a cama, rebolámos e ela ficou por cima de mim, olhei-a nos olhos, mordeu o lábio, devia sentir alguma tesão mas nada, levou as mãos até às minhas calças e puxou-as, estava apenas de boxers, deu-me outro beijo enquanto eu pensava no que fazer a seguir, achei que lhe devia tirar o soutien, apesar de não sentir qualquer atração não podia negar que era uma rapariga bonita.
Depois de acontecer aquilo que todos os jovens querem nesta idade, uma foda, ficámos deitados lado a lado, sentia-me um cabrão por a estar a usar, no entanto deixei-me ficar, ela sorria com os olhos, quando olhou para o relógio que tenho na mesa de cabeceira, levantou-se rapidamente, estava atrasada para algo, vestiu-se, beijou-me novamente e saiu.
Tinha acabado de estar pela primeira vez com uma rapariga, já não era virgem, vários pensamentos ocupavam-me a cabeça, de repente surgiu o Jack, aquela pessoa que eu verdadeiramente desejava, mas não podia ter, o rapaz que me tinha usado e ferido muito mais que todos os outros. Antes te partir ainda tinha assuntos para esclarecer, vesti-me, fui ao quarto do meu pai buscar a carta e depois guardei-a.
Estava a lanchar, na sala, quando recebi uma chamada do meu pai para saber como estava e se precisava de alguma coisa, quando lhe disse que não, revelou-me que tinha de fazer uma viagem urgente e que ficaria fora três dias, desejei-lhe boa viagem, prometeu que ficaria em contacto, mas que ainda passaria por casa para se despedir e arranjar a mala.
Eram onze da noite, o meu pai já se tinha ido embora, quando a campainha tocou, não havia ninguém lá em baixo, espreitei pela porta e imediatamente reconheci aquele cabelo ruivo, era o Jack. Ponderei se abria ou não a porta, a emoção falou mais alto que a razão.
Abri a porta, ele levantou a cabeça e eu fiquei em choque com o que vi, a sua cara estava coberta de sangue, tinha alguns golpes nos braços, no pescoço havia uma pequena cicatriz que agoniava, ele estava quase a desmaiar, aproximei-me dele e levei-o para o meu quarto, ele precisava de ajuda.
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Russian Roulette
Fiksi RemajaDavid é vítima de violência física e psicológica na escola, não tem amigos e a única coisa que o preenche é o grupo de leitura. Jack é o rapaz por quem ele está interessado, é uma das poucas pessoas que é genuinamente simpática com David mas é popul...
