Ao acordar, vou indo ao banheiro, quase sem conseguir conter minhas lágrimas que eu não permitia que caíssem, levanto antes de todas as outras garotas.
Tranco a porta, sem bate-la com força. Vejo minha imagem refletida no espelho e penso:
'O que fiz pra merecer tanta dor? O que fiz pra sofrer tanto? Por que fui abandonada?'Deixo as lágrimas caírem, sento ao lado da pia e apenas fico quieta, sussurrando maldições a mim mesma:
'Por favor, não aguento mais! Desisto dessa vida, por favor! Me leve agora, Deus!'E sim, eu realmente desisti. Não tinha mais sentido, era impossível ser feliz naquele lugar, quem adotaria uma garota de 14 anos?
Eu era uma gota em um oceano imenso, ninguém notaria se eu simplesmente... sumisse!
Dês daquele abandono, 10 anos atrás, a luz que iluminava meu deserto e espantava minhas tristezas desapareceu.E eu estava sozinha, em lágrimas tive a decisão que fugiria e tentaria viver as minhas próprias custas. Mas como uma pirralha de 14 anos conseguiria? Eu não posso mais ficar aqui, com essas péssimas lembranças que fazem cada dia parecer pior que o anterior.
E eu estava pronta, pronta pra correr o risco, pronta para ser jogada no mundo e viver à própria sorte e esquecer de vez a mulher que me abandonou a tanto tempo.
Eu nem sabia se ela estava viva ainda...
Certo, está decidido, este seria o último dia em que eu vou ficar aqui.
Na escuridão da noite, me encontrei caminhando em direção a porta.
Nunca tentei fugir antes, seria a primeira vez, como ninguém estava dormindo no sofá era a hora perfeita.Consegui tomar coragem, abri a porta e pude ouvir latidos, e alguns grilos cantando. A rua estava deserta, isso me deu um pouco de medo, mas não era hora de mudar de idéia, dei um passo a frente e fechei a porta.
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