Capítulo 03

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Acordo e o relógio analógico ao meu lado diz que são 13:17, sinto minha garganta seca e a dor de cabeça pós-bebedeira. Acho que eu estava mais bêbada do que acreditava estar na noite passada, minha última lembrança se consiste em alguns borrões e o sexto copo de whisky.

Esfrego meus olhos para que eles se acostumem com a luminosidade do quarto, me sento na cama e respiro fundo algumas vezes, me levanto da cama jogando o edredom para o lado e divago preguiçosamente até o banheiro.

❤❤❤

Saio do chuveiro, me seco com a toalha rosa felpuda e enrolo a mesma nos cabelos, visto o roupão branco de seda que guardo atrás da porta e encaro meu reflexo no espelho: meus olhos verdes estão avermelhados e tristes, tenho olheiras arroxeadas e profundas abaixo dos olhos, em resumo, aparento e me sinto péssima em todos os aspectos, até minha pele está pálida e sem vida. Respiro fundo e fecho os olhos para dominar o pulsar em minha cabeça, eu oficialmente odeio ressaca e sinto que essa foi a primeira de muitas, escovo os dentes e engulo o analgésico que guardo no armário do banheiro.

Vou até a cozinha e opto por comer algumas torradas com requeijão e suco de laranja, verifico as mensagens no celular e decido que não há nenhuma que precise de resposta, meu humor está um pouco pesado hoje e eu tenho apenas quarenta e cinco minutos para me vestir, passar alguma dignidade (maquiagem, mas neste caso o outro tipo de dignidade também se aplica) no rosto e chegar para a aula sem atrasos. Solto uma risada sem humor para mim mesma e suspiro. Ok! Hora de ativar o modo missão impossível.

Caminho até o closet, retiro meu roupão e visto um conjunto de lingerie rendada rosa bebê, uma calça jeans de cintura alta preta, uma blusa de cetim branca, um blazer rosa-chá e finalizo com minha sapatilha nude. Me viro para buscar o secador e um montinho no chão me chama a atenção, eu nunca deixo roupas largadas por ai. 

Dou alguns passos até parar de frente para o objeto preto não-identificado que concluo ser um casaco de couro, me abaixo para verificar a peça e o perfume masculino invade minhas narinas, eu com certeza não me lembro desse perfume, do dono dessa jaqueta ou de como ela veio parar aqui... merda! 

Não lembro de ter estado com nenhum cara na noite anterior, nem de ter trago alguém para casa. Como diabos isso veio parar aqui? Será que eu roubei? Como roubei o casaco de um homem? Solto a jaqueta no chão e me levanto depressa, como se algo tivesse me queimado.

❤❤❤

As aulas e o grupo de estudos para a prova do dia seguinte terminam depressa, dei meu melhor para deixar minha mente focada no que estava fazendo e não no montinho preto no chão do meu guarda-roupas... ainda que eu tenha falhado algumas vezes.

Resta apenas eu e Preston em nossa mesa, recolho meus livros e me levanto, me despeço com um aceno rápido e deixo o prédio da biblioteca por volta das 20:50. Caminho em passos rápidos, o trajeto até meu apartamento é um pouco perigoso e está muito escuro e frio, estamos cada vez mais perto do inverno.

A ponta dos meus dedos estão dormentes quando enfim destranco a porta de casa, jogo a bolsa, a chave e os livros em cima da mesa da cozinha e vou direto para o chuveiro, preciso relaxar.

Me dispo e jogo a roupa no cesto de roupas-sujas, faço um coque frouxo e entro no chuveiro. Após uma ducha rápida e quente, coloco apenas uma calcinha preta, meus pijamas rosa de flanela, minhas pantufas de unicórnio e vou até a cozinha preparar o jantar, estou em jejum desde o café da "manhã", meu estômago clama por alimento.

Como e limpo minha bagunça, espalho meus livros pela mesa de jantar para revisar a matéria antes da prova, preparo uma jarra de café na cafeteira e decido colocar a roupa suja para lavar antes de começar a me torturar com os estudos.

A máquina de lavar comunitária do prédio fica no subsolo, estou prestes a chamar o elevador com o cesto embaixo do braço quando me lembro da jaqueta no chão. Volto para casa e vou até o armário pegar a jaqueta, já que a roubei, eu deveria ao menos deixá-la limpa antes de começar a procurar o dono; jogo a mesma no cesto e sinto aquele perfume maravilhoso novamente, respiro fundo e saio de casa para lavar roupa.

❤❤❤

Separo as roupas em pilhas por cor: pretas, brancas e coloridas. Ocupo as três máquinas, coloco um pouco de sabão em pó no recipiente indicado, seleciono o tipo de lavagem e pouco antes de apertar o botão para iniciar, concluo que talvez haja alguma coisa nos bolsos do casaco que me leve até seu possuidor de origem.

Puxo a jaqueta de couro da máquina e a examino de perto, tamanho G, o dono deve estar acima do peso ou tem muitos músculos, a jaqueta parece quente o que significa que eu provavelmente deixei algum cara com frio, levo-a para perto do nariz e inspiro profundamente, adoro aquele cheiro de colônia e sabonete. Verifico os bolsos e acho um guardanapo dobrado no bolso direito, o cara deve ser destro, desdobro o mesmo e vejo um telefone escrito as pressas numa caligrafia mais parecida com um garrancho. Esse telefone pode pertencer ao possuinte ou será que é de uma de suas conquistas? De quem quer que seja, pode me ajudar a achar a pessoa de quem roubei essa coisa... Guardo o telefone no bolso da calça de flanela, jogo o casaco de volta na máquina, fecho e aperto o botão de ligar.

As Escolhas de AliceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora