Capítulo 07

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Estou há exatos 32 minutos olhando para a ficha de rematrícula em minhas mãos, preciso entregá-la ao chefe de departamento para que a rematrícula seja processada e concluída, acontece que me falta coragem para isso.

A secretaria está estourando bolas de chiclete enquanto lixa a unha, a total falta de profissionalismo me deixa levemente irritada, ela tira os olhos das unhas e me encara.

- Já terminou? A gente fecha em 14 minutos. - Ela diz mastigando o chiclete de boca aberta, Deus me perdoe, mas ela parece uma vaca mastigando capim.

- Já sim... - Sorrio sem mostrar os dentes e deixo a ficha em sua mesa. - Obrigada, Ellena.

A loira arregala os olhos, acho que surpresa pela simpátia, pega a ficha de inscrição e some dentro da sala de arquivos do departamento. Me viro e sigo no caminho contrário, em direção ao meu amado apartamento.

❤❤❤  

Estou quase terminando jantar, usando meu pijama de malha cinza com rosa bebê, minhas pantufas e meu roupão quando a campainha toca. Largo a colher na bancada e me arrasto pela porta contrariada, não estou esperando ninguém e o porteiro não avisou, o que deve significar que é algum vizinho ou uma das meninas. Abro a porta e não poderia desejar mais estar errada, Maggie está com o rosto inchado e manchado de lágrimas. Fico sem reação segurando a porta aberta, nunca a vi chorar... Maggie é a pessoa mais forte que conheço.

- Pposso ddormir aaqui? - Ela cruza os braços e inclina a cabeça, os olhos marejando outra vez. Abro mais a porta e abro os braços. Ela se encaixa instantaneamente com o corpo inteiro tremendo pelo choro contido.

- O que houve, Mags? - Aliso seu cabelo enquanto ela me aperta.

- Hector... - Soluços escapam de seus lábios, ela se afasta e corre para o meu quarto... Ela sabe que tem essa liberdade.

Tranco a porta, apago as luzes e desligo o fogão tapando as panelas, entro no quarto e vejo Maggie encolhida do lado esquerdo da minha cama, uma poça de lágrimas no travesseiro sob ela. Apago a luz do quarto, conseguindo enxergar bem devido ao abajur ligado. Deito do lado desocupado e puxo Maggie em minha direção, ela se enrola com a cabeça em meu ombro e desaba. Ficamos assim por trinta minutos, quando a sinto mais calma decido que é hora de conversar.

- Mags, preciso saber o que está errado para poder te ajudar... O que Hector fez? - Tento soar tranquila apesar de estar preocupada.

- E-ele... - Ela limpa a garganta antes de continuar - Ele sofreu um acidente em Washington, Lice... F-foi f-fatal.

Meus olhos se inundam com lágrimas e aperto o corpo trêmulo de Maggie.

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Estou quase dormindo, Maggie se acalmou a alguns minutos, posso senti-la inquieta e por isso sei que está acordada, minhas pálpebras estão pesadas demais.

- Eu estou grávida... E-eu ia contar para ele no próximo fim de semana. - Escuto Maggie murmurar antes de apagar as luzes e se aconchegar em mim, ela não quer uma resposta, ela só desabafou porque achou que eu não escutaria por estar dormindo, então permaneço em silêncio até afundar num sono sem sonhos. 

❤❤❤  

Acordo e Maggie não está mais na cama, procuro pelo apartamento, mas também não há sinais dela. Procuro meu celular e tento ligar, vai direto para a caixa de mensagens, deixo um recado e vou preparar meu café da manhã.

Depois que vovô e vovó faleceram, aprendi que a morte não é o estágio final, então meu coração está doendo por Maggie e pela morte de Hector, mas sei que vamos nos ver novamente em breve e logo teremos um presente dele, o bebê que seria seu filho. Um filme com todas as piadinhas infames de Hector passam em minha cabeça, lembro de como minha amiga mudava perto dele, de como ela se tornava descontraída e alegre... Um medo de nunca mais ver Maggie assim inunda meu coração, perco o apetite e volto para a cama me deitando em posição fetal, deixo que toda a dor e o medo me inundem e transbordem, soluço e choro alto até dormir novamente.

Acordo com uma mensagem no whatsapp.

Maggie: Estou bem, só quero ficar sozinha.

Maggie: Obrigada pela outra noite.

Alice: Estou aqui se precisar de mim, sempre, Mags.

Maggie: Eu sei.

Deixo o celular na cama e vou até o closet, colocou minhas roupas de corrida, calço o tênis, prendo os cabelos. Tranco a porta do apartamento, desço pelo elevador e corro o mais rápido possível, para o mais longe possível, preciso me afastar de tudo. Mais lágrimas caem, meu peito dói tanto, Hector merecia ter uma vida longa e feliz, com seu filho, com Maggie... Não sei como melhorar isso para ela, não sei como mudar isso. Estou ofegante e minhas pernas queimam, olho ao redor e não reconheço o bairro, não sei quanto tempo corri ou quão longe estou de casa. Escuto alguém gritar meu nome, procuro ao redor mas não vejo ninguém conhecido, uma mão aperta meu ombro por trás de mim, congelo.

XX: Alice?

As Escolhas de AliceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora