Capítulo 15

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Não vi Jason ou a ruiva quando voltei para a mesa, não bebi nada além de água depois da cena que se desenrolou do lado de fora. Por volta das duas da manhã Mags começou a ficar chorosa e triste como eu sabia que ficaria, Anna e Júlia se despediram e foram embora por volta das três alegando ter prova na segunda-feira. Maggie me olha e posso ver as lágrimas quase transbordando de seus olhos novamente, suspiro e abro os braços, ela não hesita, encosta a cabeça no meu peito e chora até seu corpo inteiro estar tremendo com a força dos soluços. Não digo nada no tempo em que ela desaba, apenas acaricio seus cabelos e a deixo ter o luto que ela tanto precisa. Quando ela enfim se acalma, me olha enxugando as lágrimas e lança um sorriso amarelo, sorrio de volta porque eu sei que essa garota forte que perdeu o amor da sua vida vai passar por isso e ser uma mãe maravilhosa e ela também sabe disso.

❤❤❤

Meu Deus, tem uma banda de escola tocando dentro da minha cabeça, sequer consigo abrir os olhos devido aos latejamentos intensos e tem alguém na minha porta, quem diabos está na minha porta às, abro um olho para enxergar o horário no relógio em meu criado-mudo, 07:32 da manhã de uma quinta-feira?

O fato de ser tão cedo explica porque parece que quase não dormi, eu REALMENTE quase não dormi, sento na beirada da cama tomando coragem para levantar, olho para o outro lado da cama de casal e vejo Maggie ainda adormecida, preciso atender a porta antes que o barulho a faça acordar. Felizmente minha amiga dorme igual uma pedra.

Caminho sonolenta até o banheiro, penteio os cabelos com os dedos e faço um coque frouxo, retiro a maquiagem borrada com um removedor e escovo os dentes rapidamente, um pouco mais acordada dou passadas grandes até a porta, a campainha toca mais uma vez me deixando mal humorada.

- Já vai, pelo amor de Deus, para de apertar essa coisa. - Grito quando entro na sala, destranco a porta e vejo um Jason bêbado do outro lado. - Ah, é você. - Reviro os olhos cruzando os braços. - O que quer?

Ele não me responde, mas me olha e pelos olhos vermelhos deduzo que ou está drogado ou cansado ou esteve chorando, ele apoia a lateral do seu corpo na parede e baixa a cabeça murmurando algo ininteligível.

- Não entendi, Jason.

- Eu disse que sinto muito por ser um babaca. - Apesar da língua enrolada consigo entender, solto um suspiro pesado nenhum pouco pronta para essa conversa sem café.

- Tudo bem, as pessoas são o que elas são, aceito isso.

- Que bom.

Ele me encara e ficamos em silêncio por alguns minutos apenas nos olhando, parece que conseguimos falar mais com uma simples troca de olhares do que com as próprias palavras, porque antes que eu consiga dizer qualquer coisa para ele ir embora, sua boca já está na minha.

Seu beijo é urgente e intenso, como se precisasse de mim para sobreviver, o beijo na mesma intensidade, sua mão em minha nuca controla os movimentos enquanto a outra mão puxa meu corpo para perto do seu, minhas mãos agarram seus ombros para que eu consiga ficar na ponta dos pés sem me desequilibrar. Não nos desgrudamos até que estejamos completamente sem fôlego, achei que ele fosse fugir quando o beijo acabasse, mas ele sequer se afasta quando finalizamos o beijo com um selinho, ele abre os olhos e olha dentro dos meus.

- Adorei seu pijama de ursinho. - Seu tom brincalhão desencadeia uma crise de risos em nós dois, ele está me olhando com tanto afeto que me assusta um pouco.

- O que faz aqui, Jason? - Apoio minha testa em seu queixo e suspiro após perguntar, preciso saber o porquê de ele ter vindo apesar de quebrar totalmente o clima.

- Precisava me desculpar, sou um covarde, insensível, babaca e todas as coisas ruins quando você está por perto. Você me deixa assustado, eu não gosto de ser nenhuma dessas coisas, ainda mais com você.

Sua resposta sincera me surpreende e a ele também, pois logo depois se cala e solta um riso pelo nariz, me abraça mais forte e beija o topo da minha cabeça.

- Você é um tesouro, mas não pode ser minha.

- E se eu quiser ser? - Sussurro fechando os olhos e aproveitando o calor que emanam de seu corpo diretamente para o meu.

- Acredite, você não iria querer se soubesse o que eu sou. - Sua voz é embargada e rouca, cheia de dor e tristeza, sinto uma necessidade de fazê-lo se sentir melhor.

- O que você é?

- Pecador. Pecadores não merecem anjos.

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