O ENCONTRO (parte 02)

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          —Não, não pode ser! Como ele está aqui também? – diz ela, ao perceber que quem estava ali era Walter, dentro do corpo de Gregório, que era quem ela estava pensando estar naquele corpo.

Gustavo também estava lá, mantendo em vigia o corpo antigo de Walter.

Mas Júlia não aceita o que vê e segue de forma violenta para atacá-lo, já que em sua cabeça, tratava-se de Gregório. Porém, é segurada por Jonas.

— Você, seu desgraçado? Que lugar é esse e como eu vim parar aqui? – diz Júlia, na beira do círculo.

— Como ousa falar assim comigo, sua insolente? – disse Walter que, pensando que ela era apenas uma pessoa desconhecida no meio da multidão não lhe dá muita atenção.

Júlia, vendo que não conseguiu o que queria, pega do chão uma pedra e o acerta, fazendo sua testa sangrar. Walter a olha e ergue sua mão, atirando Júlia, junto com Jonas, para longe da multidão.

— Ei! Você não pode fazer isso, rapaz! Ela é uma moça! – disse um senhor que estava no meio do tumulto.

— Vejo que não. É, o povo dessa merda perdeu todo o respeito por quem já governou isso tudo aqui. Não tenho mais opção de como agir com vocês – disse Walter que.

Em seguida, Walter aproximou-se do velho, pegou pelo braço e o jogou no meio da multidão, numa parte onde não havia ninguém. O velho caiu no chão e Walter aproximou-se dele, com a intenção de matá-lo.

— Pai, o que o senhor vai fazer com este homem? Ele não tem nada a ver com isso. Deixe-o ir, por favor! – disse Gustavo.

Walter, porém, não dá a mínima importância para o que Gustavo disse. Júlia, ao ver a covardia, levanta-se e corre para atacá-lo, mas Walter, mais esperto, a segura pelo pescoço.

— Eu te mato, seu desgraçado! – dizia Júlia sem parar, fazendo com que Walter caísse na gargalhada.

— Do mesmo jeito que eu ia acabar com a vida daquele idiota, vou acabar com a sua neste exato momento! – disse Walter, enquanto enforcava Júlia, que já ficava quase inconsciente.

O velho também não aguentava levantar-se. Jonas, completamente assustado, não conseguia agir. Gustavo já estava quase perdendo sua voz, de tanto pedir para que Walter parasse de enforcar Júlia.

De longe, apareciam dois anjos a fim de ajudar Júlia. Eram duas crianças bem pequenas. Elas possuíam asas e voavam em círculo. Aproximaram-se de Walter e o atacaram, fazendo com que ele soltasse a enfermeira. Júlia, surpresa, desmaiou, e uma das crianças a pegou e a carregou de forma estranha devido a seu peso, já que estava sendo carregada por uma criança.

Todos viam aquela cena e se admiravam, pelo fato de ser uma cena comovente.

Mas Walter não se conformou e, ao ver a criança carregar Júlia, ergue sua mão e a faz parar no ar. A criança já não conseguia mais seguir seu voo, pois uma força a puxava para baixo. A outra criança, que estava mais distante, ao ver aquilo, desce e acerta Walter na coluna. Ela voa aproximadamente três metros e volta, tentando tirar o cordão com o pingente especial, que estava no pescoço de Walter.

Walter, observando a atitude da criança, resolve atacá-la com uma braçada, o que a faz cair. Enquanto esta cai, Walter ergue sua outra mão para a criança que já estava caída e a faz ficar paralisada no chão. O velho, que sofria de dor, levanta-se e abraça a criança, com a intenção de protegê-la. Com a mão erguida, Walter pega o homem pela cabeça. Ele grita de dor.

— Pai! Não! –gritou Gustavo, assustado com o que presenciava.

Walter, então, levanta sua mão, a fim de dar-lhe um tapa.

Mas, naquele exato momento, Gregório volta por pouco tempo ao controle de seu corpo e faz com que Walter sinta uma dor intensa, que começava em seu pé e acabava na cabeça.

— Nunca mais ouse encostar a mão em meu filho! Nunca mais tente fazer isso! – disse Gregório, durante o pouco tempo que teve no comando de seu corpo novamente.

"Que dor intensa é essa que estou sentindo? Não consigo nem levantar. Como posso estar tão vulnerável assim?" – pensava Walter, caído no chão por causa da terrível dor.

— O que é? O que todos vocês, seus insolentes, estão olhando? Eu já governei todos vocês, seus inúteis! Vão embora para suas casas, idiotas! – gritava Walter, revoltado e sentindo-se fracassado.

Naquele momento, os meninos alados, aproveitando a oportunidade, saíram voando, deixando Walter ali, sofrendo.

Gustavo, notando tal sofrimento, pega-o pelo braço e tenta levantá-lo.

— Vamos, pai! Desculpa por isso ou por qualquer outra coisa, mas é que não é certo bater em crianças e muito menos em idosos... – disse Gustavo.

— Mas quem é você, menino, para falar que qualquer um aqui nesse mundo e também no outro não merece levar uma surra? Ninguém merece ter glórias na vida. Todos são cruéis, meu jovem. Todos, inclusive aqueles que sempre passam para os outros a impressão de que são pessoas boas. Mas, na realidade, são mais malignas do que as outras, apenas conseguem disfarçar melhor... Então, não venha me dizer que a pessoa não é digna de sofrimento, porque todos são sim! – disse Walter, olhando nos olhos de Gustavo, que, enfim, consegue erguê-lo e ajudá-lo a sair do meio da multidão.

— Vocês todos irão sofrer novamente, seus insolentes! – gritava Walter.

O velho, que ainda se encontrava no chão, segura no pé de Gustavo e diz:

— Obrigado, menino. Fico grato por ter salvado minha vida. As pessoas não são perfeitas, mas não são dignas de sofrimentos...

— Ande, garoto! Não quero mais ficar perto dessa gente inútil! – gritou Walter, em tom autoritário.

O senhor olha para Gustavo e sorri, como forma de agradecimento.

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⏰ Última atualização: Aug 26, 2017 ⏰

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