A sentença

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– Então, senhor Deroiam! Você está nos dizendo que o finado detetive, o Xavier, foi o culpado daqueles assassinatos na casa na rua Rellmer...

DOIS MESES DEPOIS

Tribunal do Júri da cidade Monte da Serra

...e conseguiste detê-lo antes que ele puxasse o gatilho em sua própria casa há dois meses...

– Sim, senhor! – Dero não esbouça um pingo de rancor na frente de todos no tribunal, principalmente para os júris. Suas mãos estão livres sobre o balcão e suas pernas não tremem mais, ele não soa e nem tropeça nas palavras frias e diretas ao falar com o advogado de defesa da família do Xavier.

– Mas seu sêmen foi encontrado, 100% nas partes íntimas da Vanessa. Suas digitais estavam por toda a casa, principalmente no copo de dose de whisky... Você assume isso, senhor Deroiam?

– Sim, senhor! – mais frieza nas respostas.

– Como conseguiu uma arma, assim, de imediato, senhor Deroiam? – o advogado vem se aproximando de Dero.

–Todos nós deveríamos ter uma arma em nossa casa. Eu tinha a minha e eu sei que você deve ter a sua... Sempre a guardava no sofá, entre o braço e onde me sento, a ponto de disparo; nunca se sabe quando poderemos usar. O Xavier se levantou com sua arma em punho e veio em minha direção... foi aí que eu olhei para ele, olhei para a minha janela e gritei: “Vanessa! Você está viva!”. Não deu outra... O Xavier, que era louco por ela, acreditou e olhou para a janela, foi quando eu peguei a minha arma e lhe dei um tiro certeiro na fronte...

– Hã! – todos no tribunal ficaram com ar de espanto e as conversas surgiram de imediato...

– Silêncio! Silêncio! – o Juiz bate o malhete em alerta até que todos se calem perante a Ele.

Dero não se limita mais em suas mágoas, não se desaba em choros, não se corrói por dentro e não dá chance as suas tristezas perante a todos naquela enorme sala onde todos te olham com um ar de raiva, de angustia...

– Não tenho mais nada a dizer! – o advogado volta para o seu banco enquanto Dero paralisa seu olhar para o horizonte da sala...

DIAS DEPOIS

A sentença

Após o encerramento da votação na sala secreta, o Juiz traz a sentença. Os jurados tornam para seus lugares e, com todos presentes, o Juiz, após ter pedido a todos que fiquem de pé, ler a sentença:

– Reconhecendo a materialidade e a mentalidade ao julgarem os requisitos de cada série, tendo o sigilo de votação; os jurados responderam da seguinte forma: que o réu, Deroiam Martins, não concorreu para a prática do crime, absolvendo, assim, o acusado da prática do crime...

Naquela hora, antes os gritos e conversa de todos no tribunal do júri, o silêncio reinou e tomou conta por alguns minutos. Era um silêncio inconfundível. O advogado de Dero o abraça, mas Dero não retribuiu o afeto. Ele está paralisado perante tudo em sua volta: “Ganhamos, Dero!”, o advogado dele sussurra em seus ouvidos, “Ganhamos, amigo!”, diz ele sem parar enquanto Dero sorrir ironicamente encarando o nada...

DesconhecidaOnde histórias criam vida. Descubra agora