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Não pude de deixar de analisar Suzanne durante o caminho todo , até onde minha moto está . Eu queria entender ela , saber mais dela e distinguir o que tanto me instiga nela , o por que todas as dúvidas parecem aumentar ao seu lado . Ela não tinha obrigação nenhuma em ajudar um bêbado babaca e egoísta , que até mesmo quando ela estava sob a lápide de seu noivo , não soube respeitar sua perda .Ela não tinha obrigação nenhuma em me levar para sua casa , me ajudar no banho e me colocar para dormir , ela não tinha obrigação nenhuma de ter feito nada do que fez , mas ainda sim fez , sem se preocupar com os riscos . Isso me enchia de dúvidas , a maneira como ela conseguia tornar o pesadelo em um sonho , como ela manuseia o medo e sensibilidade um ao lado do outro sem ao menos se preocupar com a colisão desses sentimentos .
— Você ofendeu ele ontem a noite ,sabia? — ela disse saindo do carro e tocando no mesmo .
—Sou mestre em fazer isso — confessei — Afinal, o que eu disse para ele ?
— Chamou ele de carro da Polly .
— Desculpa— pedi tocando no carro — Espero que ele não guarde rancor .
— Não mesmo , ele é um amorzinho igual a dona dele .
— Claro que é — sorri — Queria pedir desculpas pelas minhas atitudes de ontem , não deveria ter dito o que disse e a tratado de uma forma tão desrespeitosa . Fui um completo babaca.
— Não foi nada — ela andou mais rápido para conseguir me alcançar — Não sou nada rancorosa , para sua sorte .
— Por que me ajudou ?
— Como ?
— Por que me ajudou ontem ? — ela continuou me olhando confusa — Me levou para sua casa e tentou amenizar a ressaca?
—Porque você estava bêbado . — ela respondeu tranquilamente
— Ajuda todos os bêbados que acha na rua ?
— Só os completas babacas .
— Certo — sorri com sua fala.
— Se eu tivesse deixado você lá na lápide do seu irmão , você não estaria nada bem — ela continuou — De qualquer forma , qualquer possibilidade de como poderia ter sido não seria nada boa , caso não tivesse ajudado você ontem . Além do mais , você é irmão do meu falecido noivo .
— É , mas você não sabia disso ontem . — confessei sentindo esse fato me ferir por dentro — Correu um grande perigo .
— Sabe do que sabia ontem ? — neguei com a cabeça — Que uma hora dessas você estaria morto ao tentar voltar para casa na sua moto , ou que estaria com uma baita hipotermia caso resolvesse ficar no cemitério . O único perigo que corri foi pensar como eu poderia contribuir para uma tragédia.