A alma que vaga pelas horas
Como um andarilho
Pertencente a si mesma
Se entrega
Para os prazeres da vida
E o podre da carne
A alma que vaga pelas nuvens
Como uma baleia
Pertencente a si mesma
Se entrega
Para os presentes do mundo
E a fartura do ser
E a calada da madrugada fria
De um dia sujo
Como uma puta
Se liberta dentro daqueles
Que quebram as horas
E se alimentam de sua sujeira
Sujeira jogada aos porcos
Aos imundos
Aos puros
Aos santos
Bem aventurados aqueles
Que sentem o gosto da carne podre da vida
E agradecem por terem o que comer
Enquanto se banham em um mar de porra da Terra
E suas raízes então crescem
Em meio a toda a sujeira
É que de fato se nasce
E de fato se pode dizer
Que se existe.
