Capítulo XIV

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Larissa Drummond

Eu nunca imaginei me separar de Caio. Mesmo sabendo que o nosso amor não era recíproco da parte dele, insisti e ainda insisto nele. Eu o amo com todas as minhas forças, cada célula do meu corpo se atrai por ele. Eu me entreguei de corpo e alma a ele. Ele foi o primeiro e o único a me tocar e eu acho que será assim até a minha morte.

A gente já tinha brigado várias vezes, mas nunca desse jeito. Nunca por um motivo tão grave. Ele engravidou uma garota. Ele vai ser pai e eu não serei a mãe do filho dele. Pensei varias vezes em pedir pra adotarmos uma criança, um bebê talvez, mas eu nunca tive coragem. Meu maior desejo é ser mãe e poder gerar uma vida, mas por causa de uma doença perdi os ovários e o útero e não posso engravidar.

Mas agora ele teria um filho com outra. É isso. Saber isso foi um choque, me matou por dentro, feriu algo que pensei que não poderia ser mais ferido. Meu coração estava partido e eu preciso de tempo para repara-lo. Então aproveitei a proposta de trabalho na Itália para curar — ou tentar pelo menos — o meu coração.

(…)

Chego no meu apartamento que tenho aqui. O meu refúgio quando brigo com o Caio. Eu sempre passava um dia ou dois aqui pra aliviar a raiva e chorar um pouco. Mas eu sabia que enquanto eu estava aqui, Caio estava com outra em casa.

Entro e jogo as malas em qualquer canto da sala, me deito em posição fetal no sofá abraçando minhas pernas e choro. Choro por ser assim tão trouxa. Depois um tempo me acalmo e procuro o meu celular na minha bolsa. Assim que encontro, ligo pro único amigo verdadeiro que adquiri nesse país.

Início de ligação

Arthur: Espero que seja um assunto muito importante pra atrapalharem o meu sono!- ele reclama assim que atende.

Eu: Sou eu, Arthur. Preciso da sua ajuda.- minha voz sai rouca de tanto chorar.

Arthur: O que aconteceu, amiga?!

Eu: Vem pro meu apé, por favor. Quando chegar eu explico.

Arthur: Chego em 20 minutos.

Fim de ligação

Me acomodo no sofá e choro novamente. Nem percebo o tempo a passar, assim que ouço a campainha tocar volto pra realidade. Me levanto e vou abrir a porta encontrando um Arthur com semblante preocupado no rosto. Abraço-o e ele retribui de imediato, começo a chorar.

- Ssssh! Calma, amiga. Vai passar.- ele tenta me consolar.

- Não, não vai.- digo com um fiapo de voz.

Ele entra comigo e fecha a porta com os pés. Seguimos para o sofá e sentamo-nos. Eu deitei a minha cabeça no seu colo e ele faz carinho nos meus cabelos enquanto me acalmo.

- Ele engravidou outra.- sussurro.

- O que disse?- Arthur pergunta.

- Ele engravidou outra. Uma menininha...- digo e sinto um nó na garganta.

- O QUÊ?!- ele grita e eu me levanto assustada.

- Isso que você ouviu. Ele vai ser pai e eu não vou ser a mãe do filho dele.

- Ele passou de todos os limites. Aquele idiota, babaca, gostoso mas burro! Muito burro!- ele vociféra.- Ele te traiu e ainda por cima colocou um filho no mundo com outra? Inacreditável! Mas sabe o que acontece? Ele te perdeu quando fez isso. Perdeu a mulher maravilhosa que você é. Essa mulher gostosa e linda, inteligente... Tudo isso por um capricho. Você não vai reatar com ele, não é?

- Eu...eu não sei.- digo.- Eu não sei se depois de tudo que passamos juntos vou conseguir deixá-lo.- respondo depois de refletir.

- É o que? Você vai voltar pra ele?- ele pergunta exasperado.

- Não sei, eu pedi um tempo a ele. Vou deixar o tempo decidir...

Mesmo depois de tudo, eu o amo...

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Amora Antunes

Assim que aquele babaca sai, minha irmã desaba nos meus braços. Ela se encolhe como uma lagarta e chora compulsivamente. Eu queria muito que toda a dor que ela está passando se teletransportasse pra mim. Não gosto de vê-la assim. Eu me sinto no dever de proteger ela, defendê-lá em qualquer que seja a situação.

Ainda me lembro como se fosse hoje, o dia em que prometemos nunca abandonar uma a outra a 6 anos atrás. A gente tinha brigada por bobagem e, assim que nos conciliamos, juramos nunca se afastar e sempre cuidar uma da outra. Ela se acalma aos poucos enquanto a tenho em um abraço. Ela cessa o choro e levanta a cara, me encarando.


- Eu te amo, Maninha. Sempre vou estar do seu lada.- digo à mesma.

- Obrigada, Ora. Eu devo estar parecendo um tomate bem vermelho né.- ela diz e eu ri.

- Veja por sí mesma.- aponto para o espelho à nossa frente. Ela dá um grito quando vê a sua cara toda inchada e vermelha. Caio na gargalhada.- Lava a cara e vamos pra mesa. Mamãe deve estar preocupada.- aconcelho.

- Não conta nada pra ela tá, pelo menos por enquanto.- ela pede. Assinto.

- Claro, mas o que diremos?

- Ah! Mente pra ela com qualquer coisa. Você é boa nisso mesmo.- dá de ombros e sai na frente.

Haja paciência!!

Chego na mesa e vejo a mãe bombardear Min com perguntas.

- Deixa ela, mamãe. A gente tava falando sobre engordar e ficar feia durante a gravidez e ela acabou chorando, vai perder o corpinho de boneca, maninha.- minto na cara dura e minha mãe me encara desconfiada.

- Tá bom então. A comida chegou, comam antes que esfie.- ela manda e só agora reparo no comida à minha frente. Começamos a comer e a conversar sobre assuntos aleatórios. O clima tenso tinha passado, e era tão bom ver a minha irmãzinha sorrir, mesmo que seja por um momento.

- E o papai? Como ele está?- Amina pergunta com um semblante triste.

- Irredutível. Já tentei falar com ele sobre tu mas ele ignora e foge sempre. Mas ontem quando cheguei em casa ele estava no quarto chorando agarrado numa foto sua, filha.- mamãe responde e uma lágrima escorre dos seus olhos.

- Ele vai perdua-la, tenha fé!- comento.

É o que eu espero.

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One Shot, Two LovesOnde histórias criam vida. Descubra agora