Capítulo IX

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Amina Antunes

Eu não sei o que eu vou fazer!!

Meu pai me colocou pra fora de casa, não tenho pra onde ir, estou grávida. A minha ficha ainda não caiu. Eu serei mãe aos 17 anos. Será que eu serei uma boa mãe? Não, eu nunca vou ser uma boa mãe. Eu não tenho mais casa, meu pai me abandonou. Mesmo que minha mãe diga que ela não vai me deixar desamparada, eu não tenho condições de criar uma criança.

Eu tinha decidido em cuidar do meu filho/a mas eu não tenho condições nem psicológicas nem econômicas de fazê-lo. Eu não quero que esse bebê cresce em um ambiente inapropriado, então minha única solução será abortar. E se eu fazer isso o meu pai pode me perdoar e pedir pra eu voltar pra casa.

Termino de fechar a minha mala com a ajuda da minha irmã e desço com ela escada abaixo. Minha mãe achou melhor eu ficar um tempo longe, pelo menos até meu pai se acalmar. Então, a Amora falou com a Sophie e ela deixou eu ficar na casa dela durante esse tempo. Encontro a Dona Mel e minha mãe com caras abatidas. Eu pareço um zumbi pelo facto de eu não parar de chorar por um minuto sequer.

- Minha menina. Você vai ficar bem?- Dona Mel pergunta.

- Sim, eu acho.- digo a abraçando e chorando mais ainda.- Vou sentir a sua falta.

- Eu também.- saímos do abraço e eu saio de casa junto com a minha mãe e Amora.

Ajudo a minha mãe a colocar as malas no carro, depois ela e Ora entram enquanto eu observo cada detalhe da casa em que nasci, onde tenho todas as lembranças de tudo o que aconteceu na minha vida. Um filme passa pela minha cabeça: me lembro de todos os sorrisos, todos os choros, todos os abraços, todos os momentos em família que vivi nessa casa. Deixo algumas lagrimas escaparem com as lembranças.

Me desperto dos meus devaneios com minha mãe me chamando: - Filha, está na hora de ir.- ela diz e asinto entrando no carro. Ela começa a conduzir e vejo a minha casa ficar pra trás. Só espero que meu pai me perdoe logo, não vou aguentar ficar longe dele por muito tempo, ele é meu porto seguro.

Depois de trinta minutos, chegamos ao apartamento da Sophie. Ela mora em um prédio luxuoso na Bara. É patricinha mas é uma patricinha que dá pra aturar. A minha mãe estaciona e saímos apanhando as malas e entrando no prédio. O porteiro Nelson logo nos deixa subir porque a gente sempre está por aqui. Subo no elevador para o penúltimo andar onde fica o AP da minha pandinha - o apelido carinhoso veio porque ela ama esses animaizinhos e o quarto dela é decorado de pandas.

Toco a campainha e logo a porta é aberta por uma zumbi com os olhos vermelhos de choro e lencinhos de papel na mão. Ela me abraça apertado e choramos juntas. Ela diz algumas palavras de consolo como " Vai ficar tudo bem..." mas eu sei que não vai, ou pode ir desde que eu tome algumas decisões. Entramos todas e ela fecha a porta por ser a última a entrar. Me sento no sofá e elas se sentam do meu lado.

- Filha, eu sei que tudo está desmoronando mas vai melhorar, tenha fé.- minha mãe tenta me fazer parar de chorar.

- Não, não vai. Como que eu vou criar essa criança sabendo que eu não tenho condições para tal?- pergunto exasperada.

- A gente vai te ajudar, Maninha. Em tudo.- Amora adiciona.

- Vai sim. Se eu não ter esse filh...- minha mãe me interrompe e agarra o meu rosto com força.

- Escuta aqui, Amina Salvatore Antunes, eu não quero ouvir você falar em aborto, um filho não é um brinquedo pra tu descartar não. Você não tava gostando de cavalgar em cima do pau do outro lá?- mamãe fala entre dentes.- Tenho certeza que estava, precisa nem perguntar. Mas, você vir dizer que não quer filho, que não vai ter ele? Caralho, isso é covardia, o bebê não tem culpa se tem uma mãe e um pai irresponsáveis não. Agora pensa comigo, e se eu tivesse te abortado, eu corria risco de vida quando engravidei de tu, mas eu não abortei, prefiri morrer tentando te deixar viva do que viver com a culpa de ter me livrado de uma das coisas mais preciosas da minha vida. Pensa em tudo que eu te disse e vê se tu tá pensando direito.- ela cospe todas essas palavras na minha cara e sinto uma dor no peito por ter pensado tudo o que eu pensei.

Choro mais - eu não sei de onde vem todas essas lágrimas porque, meu Deus - e Sophie se levanta e vai pra cozinha. Ela volta com dois copos de água e açúcar entregando pra minha mãe e pra mim. Bebo e vou parando o choro.

- Mãe.- chamo e ela me olha.- Eu prometo nunca mais pensar isso, nem tentar fazê-lo. Eu poderei não ser a melhor mãe do mundo mas eu vou tentar ser uma boa mãe pro meu bebê.- digo arrependida.

- Vamos estar aqui pra te ajudar, amiga.- Sophie se intromete.

- Claro que vão.- digo e abraço ela e minha mãe e Amora se junta.- Amo vocês!

- Também te amamos!- Amora diz.

Depois de mais alguns minutos conversando, vou pro meu novo quarto junto de Amora e Sophie que arrumam as minhas roupas no closet enquanto tomo um banho de água quente pra relachar e troco de roupa, colocando um pijama de hamsters. Assim que termino de me arrumar, vou pra cozinha onde vejo as meninas me esperando pra jantar. A minha mãe fez bife com batatas fritas e salada. Me sento na cadeira e me sirvo de um pratão pois estou comendo por dois.

- Não exagera na batata frita não, desgraçada. Quer matar o meu afilhado?- Sophie briga comigo e Amora olha pra ela indignada.

- E quem disse?- pergunta a mesma.

- Amorinha, eu sou muito mais apropriada pra ser Dinda do que você. Imagina uma criança sendo madrinha de outra.- Sophie diz e eu só sei rir enquanto como e elas continuam discutindo.

- Chega vocês duas.- minha mãe ordena e elas se calam.- Marquei uma consulta pra amanhã pra saber se meu netinho/a está saudável.- ela me avisa e eu asinto pois estou com a boca cheia de carne.

- Eu vou com vocês, já que sou a Dinda.- Amora diz e logo em seguida começa a discutir com a Sophie de novo.

Isso vai dar muita merda ainda! Ah se vai!

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N/a: Eae cremosas. Turubom? Mais um cap pra vocês. Votem e comentem pra eu saber o que estão achando.

Até o próximo. Prometo não demorar muito.

One Shot, Two LovesOnde histórias criam vida. Descubra agora