Capítulo 2: Antigos hábitos

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Peter Parker

Não sou esse cara cheio de conflitos internos no qual estou sendo hoje. Sempre fui o mais piadista, engraçado, bem humorado.

Todo esse lance de definir o que é certo e errado, quando se é herói, acaba sendo um saco. Suas opiniões e gestos são julgados por todos, caso estejam errados. Pela primeira vez eu não sei se devo escolher continuar mantendo o contato com os vingadores ou se escolho fingir não os conhecer.

Fico minutos, talvez horas, pensando no que fazer. Eu estava sentado na varanda do Clarim Diário quando tive que cortar os devaneios para apresentar o serviço a uma nova garota que irá trabalhar aqui. Seu nome era Suzan Quill.

Não prestei muita atenção em suas falas mas, no fim, acho que pude explicar bastante coisa para ela.

Agora estou sentado no sofá da minha casa, trocando de canal a todo momento. Não passa nada muito útil nos noticiários.

Quando eu ainda era da Shield, me lembro muito bem de dizerem algo sobre uma quadrilha que mora aqui perto de casa, escondidos em um restaurante ou algo assim. Nunca os procurei porquê estava muito ocupado com os fazeres da guerra civil. Aproveitarei hoje para ir até lá.

De volta aos antigos hábitos, visto o uniforme e como alguns biscoitos antes de ir. Coloco a touca e começo a vagar pelas ruas não tão movimentadas.

Entro no restaurante vazio e passo a perguntar se já assistiram o poderoso chefão, pois certamente isto aqui é igual ao do filme. O atendente não ri e, sem motivo algum, mostra uma arma. Ele não a aponta, apenas mostra. Não entendo a burrice de fazer isso, pois em dois segundos eu tirei sua arma da mão e a joguei no outro canto do chão. Pulo para o lado de dentro do balcão e o imobilizo.

— Onde está os outros? — pergunto.

— Sabíamos que você viria. — se esforça para dizer algo. — Seus movimentos são previsíveis, rapaz. Seu avô já fez isso uma vez.

Respiro fundo e aperto ainda mais os braços, jogando-o no chão e deixando ele por lá. Pego a arma que havia jogado e descarrego as balas. Caminho para os fundos do restaurante e não vejo ninguém, a não ser uma mulher. Ela estava sentada na sala que até então seria uma cozinha. Sua vestimenta era preta e justa, acompanhada de uma máscara.

— Sabe, eu estou um pouco confuso se você também é heroína ou vilã, afinal... — paro na entrada de onde ela está sentada.

Finalmente levanta de onde estava e vem até mim. Acho sexy e assustador também. Devo bater nela?

Por questões de ética eu não posso bater nela, mas e se ela querer matar a humanidade?

— Quem é você? — ela tateia minha máscara e, ainda parado, seguro seu pulso, a impedindo.

— Quem é você? — repito a pergunta.

— Heil Hidra. — a moça sussurra e, com movimentos inesperados, começa a me bater. Tento usar seus próprios braços para ela mesmo se auto machucar, porém ainda é muito rápida.

Assim que percebo sua possível vitória diante esse pequeno confronto, lanço uma teia, prendendo-a na parede. Vejo seus braços tentarem escapar.

— Ah, qual é? Viu que iria perder e começou a apelar? — fala em um tom alterado, nervosa.

— Eu poderia muito bem te prender agora mesmo. — me aproximo. — Você não fala italiano como os mafiosos, isso é decepcionante. — me refiro ao filme.

— Vai tirar a minha máscara? — pergunta. Algo em mim não me deixa realizar isso. Tento a desmascarar, mas sinto que também estou preso, como se não conseguisse me mover para esse ato.

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