E se, na verdade, Bela não fosse uma mulher? Como seria possível que a maldição da Fera fosse quebrada? Estaria ele fadado a viver como um monstro para o resto de sua vida?
Contando com vários elementos das versões do conto, desde as da Disney até a...
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Quando chegamos, os empregados ficaram em polvorosa. Porém, o problema mais difícil de resolver era levar aquela criatura imensa até seu quarto andares acima. Com a ajuda de dois empregados em forma de cabide conseguimos chegá-lo até lá, eu já estava ofegante de arrastar tamanho peso por tanto tempo. O largamos de bruços na cama e os servos providenciaram água morna e panos. Mesmo que não houvessem me pedido, tomei a iniciativa de limpar todo aquele sangue e de cuidar dos ferimentos.
Os objetos ficaram em silêncio, nos observando. Fitavam-me surpreso por estar ainda ali, e ajudando. Pouco depois o médico em forma de valise foi levado até os aposentos e me instruiu sobre o que eu deveria fazer. Por sorte, ainda havia um pouco dos remédios que a besta fizera enquanto cuidava de mim. Após tê-lo limpado, aplicado os ungüentos e enfaixado, o cobri e deixei a besta descansar.
Olhei nauseado para mim mesmo, eu também estava coberto de sangue após ter carregado o monstro até ali. Os servos repararam e gentilmente me prepararam um banho em meu quarto. Tirei todo aquele sangue e lama de mim e fiquei ainda um tempo na banheira para digerir tudo o que havia ocorrido. O que eu havia feito? Como eu podia ter abandonado minha chance de fugir? Aliás, porque é que eu não o fazia agora que a besta já estava em seu castelo? Seria por medo de que se eu fugisse ele nos perseguisse? Eu podia retornar ao meu lar, avisar minha família e fugirmos para longe e ele nunca mais nos veria... Mas e os camponeses? Certamente muitos deles morreriam até que aquela fera fosse morta... Morta... Seria muita hipocrisia minha salvá-lo para depois deixá-lo para morrer nas mãos de caçadores. Mas aí seria culpa das próprias ações dele, não seria? Aquilo não era problema meu, certo?
Gemi e pousei os pulsos sobre os olhos fechados. Minha cabeça doía enquanto aquelas considerações fervilhavam em minha mente.
— Está tudo bem, querido? — Ouvi a voz de madame Garderobe do outro lado do biombo.
— Sim... — murmurei.
— Pois não parece... — ela disse gentilmente e ficou em silêncio por um momento. — Por que voltou, meu jovem?