2 de setembro de 1742
Axl sentava-se no seu trono, aborrecido, e brincando com a sua coroa de prata. Estava inclinado para um dos braços da cátedra, admirando as pedras preciosas azuis que foram incrustadas no valioso metal.
Maravilhava-se com a importância que um simples objeto poderia adquirir. O seu preço inestimável quando, na verdade, não tinha nenhum uso, além de ser posto na cabeça e de que quem o possuísse fosse denominado de "Rei".
Pousou a coroa numa pequena mesa ao lado. Em tempos negros, o ouro descia ao valor do pó. Por outras palavras, era inútil. Mas os seres humanos têm tendência a amar futilidades. Gostam das suas pequenas organizações, esquemazinhos frívolos do dia a dia que lhes dão prazer mas, na prática, basta um pequeno abalo para destruir tudo, para que percebam que nada vale realmente a pena.
Um escrivão entrou na sala, ganhando a atenção de Axl, que se recompôs rapidamente no seu trono. Fez uma vénia, proferindo:
-Vossa excelência, o jovem Saul Hudson já se encontra no castelo à espera da reunião. Devo anunciá-lo?
Assim que Axl assentiu, apareceram dois guardas, que se puseram ao lado das portas da sala. O escrivão abriu um pergaminho, anunciando o nome do jovem enquanto os homens abriram as portas, deixando Slash entrar. Ele deu alguns passos, cabisbaixo, e Axl fez sinal para que os guardas os deixassem a sós. Ele tinha pedido explicitamente que o encontro fosse particular.
Axl julgava que Slash seria apenas um jovem ingénuo, e por isso queria conhecê-lo de outra maneira, deixá-lo mais à vontade para conseguir obter o que queria facilmente. E isso passava por tentar perceber como é que Slash o poderia ajudar na guerra e na sua estratégia atual, mas também por tentar descobrir as possíveis intenções ocultas da sua família.
Slash encontrava-se parado, encarando o tapete longo e de um veludo azul escuro, estendido no chão de xisto negro e conduzindo-o até a um pequeno altar, onde Axl estaria sentado.
-Aproximai-vos-Axl ordenou, imponentemente. Slash estremeceu ao ouvir a sua voz. Era um pouco grave, mas ao mesmo tempo suave. Tinha o vigor de um jovem, de um adulto, não parecia ter a debilidade e rouquidão ríspida de um idoso resmungão. Aliás, essa única palavra, da maneira como fora dita, acabara de lhe atribuir um poder tremendo e inexplicável aos olhos de Slash.
Obedeceu-lhe, avançando, ainda sem conseguir levantar a cara. Observava a sua sombra no chão, que se aproximou posteriormente da de Axl. O príncipe levantou-se, ajeitando a sua capa negra com elegância, e desceu do trono devagar, ficando parado nos degraus. Embasbacado, e percebendo que estava a falhar todas as regras de cortesia que tinha aprendido com a sua mãe, Slash conseguiu finalmente dirigir uma vénia desajeitada a Axl.
-S-Saul Hudson, meu senhor-o jovem apresentou-se, gaguejando levemente-Creio que o meu pai lhe enviou uma carta...
-Sim, sim, eu sei-Axl interrompeu-o, fazendo-o sentir-se algo insignificante, idiota-Podeis levantar-vos.
Slash voltou à sua posição inicial, ganhando finalmente coragem para encarar Axl. Ele erguia-se à frente dele, mais alto devido aos degraus. Usava uma camisa com alguns folhos na zona do pescoço, branca, e que culminava num broche de serendibite, que lhe apertava o tecido no colarinho subido. Por cima da camisa, compunha-se um colete comprido, preto e bordado com fios finos de prata, e uma casaca da mesma cor de um tecido liso, simples, com botões prateados. Na parte de baixo, usava calças, pretas e justas, complementadas com botas altas e de salto, feitas de couro negro. Slash não pode deixar de reparar no colar que balançava no seu peito, um belo crucifixo prateado, e também nos vários anéis que lhe adornavam as mãos finas. Em vez de usar uma peruca, Axl mantinha os seus cabelos naturais, compridos e bonitos, que lhe caíam harmoniosamente pelas costas, e que realçavam os seus olhos demasiado verdes para serem reais. Slash perdeu-se momentaneamente, e o seu olhar cruzou-se com o dele. Rapidamente, percebendo que era incapaz de encará-lo dessa maneira, Slash voltou a desviar a cara, bom, para qualquer canto da divisão menos para Axl. Ele simplesmente não conseguia. Estava surpreendido por perceber que Axl era tão jovem quanto ele, porém assustado com o que tinha acabado de experienciar quando viu tal semblante. Ele sentiu-se simultaneamente atraído, embora perdido porque sentiu-se como se não se conseguisse controlar assim mesmo. Essa atração não se tratava de uma atração de caráter amoroso ou inocente, como o que ele sentia quando namorava com algumas damas na vila, não. Esta atração era demasiado intensa. Slash queria-se aproximar dele. Obedecer-lhe, como se estivesse hipnotizado, ficar obcecado. E era essa a sensação que o perturbava, que lhe mexera com a cabeça e o parecia puxar, tanto como as correntes num dia de mar bravo.
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Vampiro
VampirAxl Rose, Izzy Stradlin e Duff McKagan são filhos de Vlad III, Príncipe da Valáquia, a quem é atribuída a lenda do Drácula. Pertencentes a uma família de vampiros assolada por uma antiga maldição lançada por uma bruxa otomana, são forçados a viajare...
