XXIV

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Suzanne estava em pé na minha porta, e eu só conseguia pensar o que a levou até ali? Será que algo teria acontecido a Alex, meu coração palpitou só de imaginar. Ela mantinha seu olhar ainda frio sobre mim, e eu tentei ser a mais receptiva possível. 

-Suzanne? Aconteceu alguma coisa com a Alex? - perguntei preocupada

-Não - disse ela - Alex está ótima,  a recuperação está sendo bem rápida, ela é forte. Vai poder sair do hospital em breve. 

-Que ótimo. Fico tranquila em ouvir essa noticia. Então, o que trás até minha porta? 

-Precisamos conversar, Caroline. 

-Por favor, entre. 

Uma enorme curiosidade se formou em saber o que Suzanne tinha para conversar comigo, já que nessas ultimas semanas ela só fazia me ignorar e dizer o quanto eu e minha suposta família eramos monstros. Ela sentou-se no sofá e por um momento também percebi o quanto ela era bonita, não tinha os mesmo olhos de Alex, mas eram belezas parecidas. 

-O que eu vou dizer agora pode mudar sua concepção de tudo, e eu percebi o quanto Alex ama você. 

-Eu também a amo

-Caroline o que eu vou te contar, é um segredo, meu e somente meu. Eu vou deixar o destino de vocês duas, em suas mãos. Eu sei que eu posso estar cometendo uma enorme burrada em deixar minha irmã no meio de um fogo cruzado, mas isso também ira depender de você. 

-Eu não estou entendendo... 

-Em 1997, dia 28 de agosto, a Alex nasceu- Suzanne deu um sorriso de canto de boca- Ela era tão gordinha que eu quase não conseguia segura-la. Aqueles olhinhos fechadinhos era a coisinha mais linda que eu já tinha visto, eu queria segura-la e não larga-la nunca mais. Igual como eu fazia com as minhas bonecas- observei os olhos de Suzanne ficarem lagrimejados, mas ela logo se respirou fundo  e voltou a falar.- Minha mãe morreu naquela noite, ao ter a Alex. Eu tinha apenas 7 anos e eu tive que fazer o parto...

A cada momento aquela historia me prendia ainda mais, eu jamais podia imaginar o que Suzanne havia passado, e talvez agora eu fosse entender o porque de sua raiva. 

-Meu pai- continuou- descobriu que a minha mãe havia o traído com um amigo muito próximo da familia, Philiph. Ele ficou inconformado  e quis acertar as contas, acabou machucando minha mãe a empurrando e consequentemente ela acabou tendo o bebê por causa da queda, mas acabou falecendo minutos depois do parto. E meu pai- sua voz ficou tremula e pesada- meu pai morreu. Ele foi assassinado naquela noite, e eu presenciei tudo. 

-Minha nossa, Suzanne. Eu sinto muito... 

-Philiph Danvers assassinou meu pai e destruiu com a minha família. - Suzanne cuspiu as palavras me lançando um olhar devastador

Aquele nome fez meus olhos se arregalarem e meu coração quase sair pela boca. Não podia ser, Philiph Danvers era o pai de Ricardo, eu estava  sem palavras e totalmente sem ação 

-Não pode ser. Você tem certeza? - perguntei ainda incrédula 

-O pai dele não se chama assim? 

-Se chama, mas Suzanne isso é grave... 

-Creio que o Ricardo falou que nem me conhecia. 

-Eu não cheguei a perguntar- menti 

-Ricardo tinha 15 anos na época, ele não era mais nenhuma criança, as más línguas falaram que ele me procurou pela região, queria que eu me calasse e não prejudicasse o pai dele. Mas, anos depois eu contei tudo a um tio próximo que apareceu na cidade, ele era irmão do meu pai. Não quis envolver policia no meio porque ele não era uma boa pessoa. Acabou que meu tio fez justiça com as próprias mãos.  

-Minha nossa! - levei aos mãos ate meu rosto- Eu não sei o que dizer. Eu... 

-Alex gosta de você, gosta muito mais do que eu podia imaginar. Mas não faça minha irmã fazer um pepel ridículo de sua amante . Ela ainda não sabe a historia, ela só sabe o que eu contei. E o que ela provavelmente contou a você 

-Ela disse que seu pai havia a abandonado, e a mãe falecido em seu parto. 

-Sim, foi o que eu contei a ela. Ela era apenas uma criança, não merecia saber da tragedia que foi aquela noite. Eu sei que você não tem nada a ver com isso, mas você deveria escolher melhor com quem você vai se casar. E a sua irmã, eu sei porque eu sou do departamento de policia. Eu sei o que aconteceu com vocês, e da falência que a sua família enfrentou por causa da Rachel. 

-Eu estou resolvendo o caso da minha irmã... Ela não será mais problemas. 

-Alex, pediu para que você voltasse ao hospital. Ela quer conversar com você... Mas, Caroline, só volte para o hospital quando o assunto Ricardo não esteja mais em sua vida. Por que eu não vou deixar minha irmã perto dessa canalha. - Suzanne levantou do sofá e caminhou até a porta, eu estava assustada demais para falar algo, apenas a acompanhei. 

-O seu futuro com a minha irmã, está em suas mãos, Caroline. Agora você sabe que tipo de Monstro seu futuro noivo é. Cabe a você agora decidir se ainda quer casar com um aprendiz de psicopata que viu o pai destruindo uma família inteira e não fez absolutamente nada. Ou minha irmã, que é capaz de tudo para ficar com você. Não volte naquele hospital se a sua decisão não for a Alex. 

Suzanne partiu me deixando um fardo gigante nas costas. O que eu ia fazer? Ricardo mentiu quando perguntei sobre Suzanne, e tudo estava completo agora, tudo parecia se encaixar perfeitamente. Entendi a atitude de Ricardo ao oferecer Alex para Pablo, se seu acordo com Rachel não desse certo, entendi porque Suzanne sabia tudo sobre mim. Mas o que eu deveria fazer agora? Se eu acabasse com o casamento, Rachel iria correr perigo de vida, e principalmente Alex, mas que corria do mesmo jeito estando perto de Ricardo, que jurou que ia achar quem matou seu pai e dar o troco da mesma moeda.  Embora, Alex não tivesse sido o pivô da morte, mas ela era uma Fell e isso a deixaria com um fardo que não é seu. 

Eu precisava tomar uma atitude, eu precisava manter a promessa que meu pai tinha feito de proteger Rachel de tudo, e agora eu precisava proteger o amor da minha vida, mas isso também iria custar minha felicidade. Eu estava sem saída, Alex queria me ver e isso me alegrava, mas a fala de sua irmã pairou por minha cabeça, só era para eu aparecer se minha escolha fosse a Alex, e era obvio que em qualquer circunstancia seria ela quem eu escolheria. Mas, agora, nessa circunstancia eu precisava protege-la. Meu celular tocou, e o nome "Alex" aparecia no visor, nesse momento, eu chorei, chorei porque eu não podia atender, e eu sabia que eu ia decepciona-la se eu não aparecesse naquele hospital. Então segui o conselho que Melissa falará um dia, de deixar Alex livre para seguir sua vida. 


Querida Caroline...Onde histórias criam vida. Descubra agora