São Trigêmeos!

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O antigo casal favorito da Universidade de Liverpool agora moravam sob o mesmo teto e Douglas sabia que Luna era a mulher de sua vida. Então, casualmente, para não perder o costume resolveu que chamaria Luna para um jantar romântico. Mal sabia ela que estaria diante de uma pergunta que mudaria mais ainda sua vida pra sempre. Com tudo pronto saíram juntos para jantar fora e ela pareceu viver seu primeiro encontro de dois anos atrás com o moreno. Já o conhecia o suficiente e percebeu que ele estava nervoso, mas não imaginava o porquê.
Tomado de um bom vinho branco, Douglas resolveu fazer o grande pedido de forma um tanto comum: a aliança ficaria dentro do cupcake de Luna. Só não contava com a possibilidade real que fez com que Luna quase engolisse a jóia.
— O que é isso? — Cuspiu a jóia na própria mão com um tom de surpresa, mas em instantes sentindo os dedos tremerem. Estava nervosa com aquela aliança.
— Quer casar comigo? — Perguntou rápido.
A enfermeira nem esperava por essa. Era uma decisão difícil, mas ela sabia a resposta.
— Claro! — Soltou com grande sorriso no rosto e quase chorando de alegria.
Os dois se beijaram apaixonadamente e quem estava nas mesas ao lado aplaudiu entendendo a cena. Dava pra ver a felicidade do casal de longe e agora a vida deles iria melhorar e evoluir.
Roberta, melhor amiga de Luna, também formada pela mesma Universidade conseguiu uma oportunidade pelas mãos de Douglas para trabalhar no Hospital Municipal de Liverpool, onde o casal já estava há algum tempo. O casamento passou e os pais de Luna finalmente assinaram os papéis de divórcio. Era extremamente difícil para a garota de Vancouver ver o casal que mais amava na vida se separando depois de tantos anos juntos, mas não podia fazer nada pelo seus pais. Agora ela tinha a própria vida.
Roberta e Luna sempre revezavam no plantão e pela obra do destino, Luna iria atender um paciente especial naquele dia, onde as amigas acabaram trabalhando juntas. Um paciente brutalmente ferido num acidente precisou de toda a equipe em uma cirurgia de emergência. Tudo parecia bem para o homem acidentado mas na hora da suturação a loira, mais indicada para o trabalho por ter mãos leves, parecia diferente ao olhar de seus colegas de equipe. Tudo ficou escuro. Quando Luna percebeu, seus olhos azuis enxergavam as letras vermelhas da sala de enfermaria.
— O que aconteceu? — Despertou assustada.
— Você desmaiou meu amor. Sorte que terminei meu turno e a Roberta me avisou no mesmo instante. Como você se sente? — Disse White sentado na cadeira ao lado da maca.
— Não sei dizer. Minha visão começou a escurecer... Eu acho que devo ter ficado com a pressão baixa, não tenho comido muito bem esses dias.
— Você precisa se cuidar — disse acariciando as mãos da esposa.
— Como está meu paciente? Ele está bem e terminaram toda a suturação?
— Fique tranquila! Ele está ótimo. Vai sobreviver! — Seu tom de voz era de humor.
— Deveria terminar meus trabalhos, mas acho que preciso ir para casa, já me sinto bem, mas fraca.
— Vou procurar o médico que te atendeu enquanto eu não estava aqui, mas acredito que possamos ir — Beijou Luna.
A pegou pela mão para ajudá-la a se levantar, mas percebeu que realmente estava fraca e então, insistiu que ficasse deitada para descansar.
— Tem razão meu bem, eu ando muito atarefada e preciso descansar, pode comprar algo para eu comer na cantina?
— Claro, não demoro.
Luna recordou de algo íntimo e logo em seguida percebeu algo, mas acreditava que o seu marido não tivesse percebido. Então, pediu a sua amiga de confiança que ainda estava trabalhando em seu expediente para fazer alguns exames de sangue. E conforme demorava muito os resultados, Luna acabou sendo liberada e foi para casa e pedindo atestados para ficar descansando alguns dias.
Após uma semana, Roberta foi na casa da amiga entregar os resultados do exame, em completo sigilo para que Douglas não desconfiasse de nada. A amiga parecia bem abalada, mas sorriu entregando os papéis nas mãos de Luna que leu e percebeu que estava tudo ótimo com sua saúde. Mas a surpresa veio ao virar a última página. Resultado positivo para gestante. De imediato ficou surpresa, mas desde o pedido dos exames a ideia já passeava por sua mente. Não sabia como teria acontecido aquilo tão depressa e realmente não esperava por ter todas as prevenções possíveis sempre em dia. Em meio àqueles turbilhões de pensamentos só conseguia pensar agora que teria que contar para seu marido e seria algo especial.
— Isso fica entre nós Berta — pediu sussurrando e guardando os papéis em uma gaveta com chave.
— É claro... Eu não falaria para ninguém...
Nada passava pela cabeça de Luna até que teve a brilhante ideia de contar em um jantar, como ele mesmo tinha mania de fazer para ela, exatamente como no dia em que a pegou de surpresa a pedindo em casamento. Em poucas semanas o jantar foi organizado, ela gostaria que tudo fosse perfeito. Aquela seria uma ótima notícia para contar para o homem que amava.
Inesperadamente algo estava para dar errado quando uma mensagem muito estranha do seu marido tinha acabado de chegar.
A mensagem dizia: "venha nesse endereço e vista a roupa embaixo da cama". Ficou sem reação, voltou a guardar algumas coisas do jantar na geladeira e foi com rapidez no quarto. Chegando lá se deparou com um vestido vermelho muito parecido com o que tinha usado no primeiro encontro do casal, exceto pela cor e ser um pouco mais soltinho. E, havia um colar lindo que realçaria seus peitos, que estavam cada dia maiores. Era irônico e curioso. Percebeu que a localização do encontro marcado era na Universidade de Liverpool. Vestiu-se e foi como o marido tinha pedido. Era inacreditável: um baile só para o casal.
— O que é isso meu amor? — perguntou totalmente sem reação sobre aquilo tudo e escondendo com uma bolsa a frente da barriga que pelas semanas já passadas, começava a apontar e principalmente, naquele vestido.
— Nunca fui em um baile de verdade, é a minha confissão. Principalmente, com A garota e eu acho que você sabe que hoje é mais que isso. É a mulher que eu amo e que desejo pro resto da minha vida. — Aquele sorriso do moreno parecia deixar as razões pelo qual ela aceitou o primeiro encontro serem mais claros naquele momento.
Ao redor deles tocavam músicas clássicas e lentas sempre tocadas em bailes de colegial. Flores jogadas ao chão e balões coloridos nas paredes de todo o ginásio. Havia comida e bebida para acompanhar o cenário.
— A declaração está ótima. — Luna riu baixo percebendo que ele tinha superado ela em todas as chances de ser romântica. Deu um sorriso olhando aquilo tudo. Era um sorriso de satisfação.
— Achei que poderia realizar meu sonhozinho com você e qual é... Merecemos um baile só nosso. Não fui em nenhum baile quando era mais novo porque todas as garotas davam em cima de mim e era só isso. Era chato. Eu sempre quis mais que toda aquela atenção de todas das meninas.
— Uau. Quem te ajudou a preparar tudo isso?— Perguntou curiosa.
—Tenho alguns amigos que conhecem alguns amigos... E assim eles me ajudaram com a decoração, comida, bebida e bom, tudo?
Aquele momento era perfeito para Luna contar, não era como ela tinha planejado, era melhor.
— Achei que além de brindar o nosso amor, poderíamos acrescentar algo a mais — disse Luna colocando o vinho apenas em uma das taças e de costas para o rapaz.
— E o que seria meu amor? — Respondeu nervoso e inquieto.
— Eu ia contar de outra forma e em um jantar, como naqueles em que me levou no nosso primeiro encontro e no pedido de casamento. Mas, você preparou tudo isso então... Bom amor, eu estou grávida e estou muito feliz, não pensei que fosse possível agora mas...
— Para! — Interrompeu a fala da esposa em um tom de chateação.
— O que houve? Não gostou da notícia?
— Claro que sim! Eu amei! Nunca iria odiar uma notícia como essa. Mas eu pensei que você não sabia, o médico garantiu minutos após você deixar o quarto para assinar seu nome na recepção.
— Como assim? — Luna não compreendeu nada — Você já sabia?
— Sim! Quando passou mal, um dos exames feitos foi o de sangue onde o médico que te atendeu, muito amigo meu, me deu a notícia que você estava grávida. Me contou primeiro quando sai do quarto e o encontrei no corredor e eu estava preocupado com a sua palidez. Então, pedi que não te contassem e resolvi fazer essa surpresa para te contar. Seria... Diferente?
— Parece que somos mesmo feitos um para o outro porque eu fiz o mesmo. Pedi um exame por desconfiar e quis fazer uma surpresa. — Disse Luna completamente perplexa.
Eles se beijaram e terminaram aquela noite maravilhosa que Douglas havia preparado. A gravidez estava bem no início e mantiveram tudo em segredo, exceto pelas enfermeiras envolvidas nos exames, o médico e claro, Roberta também sabia.
Semanas se passaram e o casal finalmente contou para família que ficaram emocionados, principalmente os pais de Luna, mesmo separados. Logo em seguida, contaram para os colegas de trabalho e Roberta ficava cada vez mais furiosa fingindo que aquilo era a maior alegria para ela porque como ela mesmo dizia: " era a felicidade do casal".
4 meses se passaram, e como de costume, o casal estava saindo para o pré-natal. Estavam ansiosos porque era a primeira vez dos dois em tudo no universo dos bebês. Ao chegar lá o médico ficou bem surpreso com a situação de Luna.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou a gestante bem nervosa.
— Não... É que faz muito tempo que não vejo isso por aqui.
— Como assim? — Douglas insistiu. Já estava quase tendo um ataque cardíaco quando o médico deu a notícia:
— Parece que vocês vão ter trigêmeos.
— Como? — Ela questionou desacreditada levando os olhos diretos a própria e enorme barriga.
— Três filhos doutor?
— Pelo que estou vendo aqui. Sim!
A surpresa tomou o casal por completo, pois agora a felicidade deles se multiplicaria em três. Estavam muito ansiosos e até mesmo pra saber o sexo de cada um. O que não demorou muito, pois o doutor pediu que voltassem uma semana depois para descobrirem os sexos, já que a emoção da mãe deixou o bebês bem agitados.
Uma semana depois, o casal já estava indo pra maternidade com os nomes preparados para cada e qualquer resultado. Chegaram e com algumas dificuldades, finalmente, souberam sobre seus filhos. Era mais uma situação incomum: dois meninos e uma menina.
A alegria do casal estava completa e essa felicidade tinham os nomes de Clarisse, David e Diego White.

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